Edição 36
Março/2013

Análise: Tudo como antes

Campeonato que começa na Austrália tende a ser similar ao do ano passado, com ascensão da Mercedes por causa de Hamilton e possível surpresa da Lotus. E a comprovação do sucateamento do automobilismo brasileiro

FLAVIO GOMES, de São Paulo
temporada de 2013 está com cara de ser muito parecida com a de 2012. Sem mudanças drásticas no regulamento, com pneus mais ariscos, é possível que tenhamos algumas surpresas, mas nada muito significativo. A relação de forças do ano passado deve ser mantida.

Mas há, claro, equipes que devem melhorar. Uma delas é a Mercedes. Estruturada, e com um piloto no auge de sua carreira, é possível que apareça no pódio com mais frequência e, quem sabe, vença algumas provas. Hamilton não é cara de se acomodar com menos que isso.

A Red Bull não impressionou na pré-temporada, mas isso não é novidade. Nos últimos anos, o programa de testes do time é muito específico e não prevê brilharecos de inverno. Vem forte, como tem sido desde 2009, pelo menos.

Quem pode perder em relação a 2012 é a McLaren. Sua dupla não é mais tão forte e há dúvidas quanto à capacidade de Button se colocar num papel de liderança clara numa equipe que vai ter de se acostumar a viver sem Lewis. Pérez ainda é verde. Se decidir aprender ao longo do ano, pode se dar bem. Se quiser dar uma de malandrão, corre o risco de ficar estressadinho na segunda prova. Terá de ser bem administrado.

A Ferrari começa o ano melhor que na temporada passada, entre outras coisas porque pior é quase impossível. A persistência de Alonso e suas qualidades inegáveis podem colocá-lo, de novo, na briga pelo título. Massa tem como objetivo repetir a segunda metade do campeonato de 2012. Se conseguir, já estará de bom tamanho para aquilo que a equipe espera dele.

E para fechar o grupo das cinco grandes, a Lotus. É o time que pode surpreender mais. Tem um piloto excepcional e um carro que só tende a melhorar em relação ao que andou no ano passado. Mas é preciso ter em mente que sua velocidade de desenvolvimento é menor que a das rivais. Aproveitar cada oportunidade de pódio será a chave para almejar algo grandioso ao final do ano.

No bloco intermediário não haverá novidades. Force India, Sauber e Williams vão lutar pelas migalhas do fim da zona de pontuação, com uma ou outra prova de destaque. Mas que não se espere milagres. A Toro Rosso fica naquela zona cinzenta: nem é média, nem é nanica. E as duas últimas brigarão entre si, com chances melhores para a Caterham do que para a Marussia.

A se destacar o fato de o Brasil ter apenas um piloto no grid. E se for assim até o fim do ano, que é o mais provável, será a primeira temporada desde 1971 com apenas um piloto do país na F-1. É o primeiro resultado claro do sucateamento do automobilismo brasileiro. Depois de Massa vem quem? Felipe Nasr, talvez. E não há mais nada no horizonte. Uma lástima para quem tem oito títulos mundiais.
A Lotus é o time que pode surpreender mais. Tem um piloto excepcional e um carro que só tende a melhorar em relação ao que andou no ano passado. (Foto: Mark Thompson/Getty Images)
 

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