Edição 36
Março/2013

Equipes: Caterham F1 Team

Na briga inglória para não ficar em último lugar, o time anglo-malaio trouxe dois pilotos pagantes. Mas o pensamento está em 2014, algo que pode afetar o desempenho deste ano

RENAN DO COUTO, de São Paulo
 
ela primeira vez desde 2010, quando ingressou na F1 junto de Virgin e Hispania – atualmente, Marussia e nada –, a Caterham não parece ser a melhor das equipes pequenas. Com o fim da HRT, a impressão que ficou foi que a Marussia passaria a ser a pior do grid, mas, segundo o que foi visto na pré-temporada, a F1 deverá ver uma disputa apertada pela última posição – ou melhor, para fugir da última posição e faturar a premiação da FIA para as dez melhores equipes do campeonato.

Em 2012, esse prêmio ficou com a Caterham, mas foi sofrido e suado, na raça. É bem verdade que a equipe anglo-malaia realmente foi melhor ao longo do ano, mas um 12º lugar ocasional de Timo Glock no GP de Cingapura ameaçou esvaziar consideravelmente os cofres de Leafield. A virada veio a poucas voltas do fim do GP do Brasil, quando Vitaly Petrov ultrapassou Charles Pic para assumir a 11ª posição e recolocar a Caterham no top-10.

Pic, agora, veste um macacão verde. Um ano após estrear na F1, o mancebo francês deu um passo lateral ao fazer a troca que fez. Ele chega à Caterham num momento em que o time decidiu trocar a experiência pela juv€ntud€. Uma decisão compreensível. Nos dois anos em que contou com os experientes Heikki Kovalainen e Jarno Trulli, a quem precisava pagar salários, e com pagante razoavelmente experiente Petrov, em 2012, nenhum ponto foi anotado.

Diante da situação econômica da F1 atual, não vale a pena manter pilotos renomados sem a garantia de bons resultados. A realidade é essa: cruel, muito cruel. O melhor e mais viável para um time como a Caterham foi mesmo aceitar jovens como Pic e o holandês Giedo van der Garde, que ajudam a fechar o orçamento para a temporada. Tudo para garantir a sobrevivência de um time que, por incrível que pareça, tem bons patrocínios, como a gigante AirBus.
Sede: Leafield, Inglaterra
Carro: CT03
Motor: Renault
Principal dirigente: Cyril Abiteboul
Pilotos de teste: Alexander Rossi
Ma Qing Hua
Em 2012: 10ª colocada no Mundial de Construtores (sem pontos)
Melhor tempo em Jerez: 1min21s105
(Charles Pic, 20º)
Melhor tempo em Barcelona: 1min23s115
(Charles Pic, 17º)
Avaliação Warm Up:
Charles Pic em ação em Barcelona: a pintura pode ser linda, mas o carro é sem-vergonha. (Foto: Paul Gilham/Getty Images)
Após concluir a pré-temporada, o jovem Pic elogiou os membros de sua nova casa, como não poderia deixar de ser, obviamente. “Foi importante usar os testes para me familiarizar com a equipe e gostei de trabalhar com todos. Há uma atmosfera muito boa dentro da equipe e estamos realistas sobre o que podemos alcançar neste ano. Vamos para a temporada com um bom espírito e objetivo de aproveitar qualquer coisa que pode vir em nossa direção quando as corridas começarem”.

No âmbito técnico, a pré-temporada da Caterham foi movimentada por uma polêmica. As demais equipes do grid reclamaram uma irregularidade no escapamento do CT03. Aletas não permitidas pelo regulamento foram montadas na saída do escape para melhor direcionar os gases em direção à traseira do carro, proporcionando mais aderência. A Williams adotou uma solução semelhante. Contudo, o time de Grove já desistiu de usar o artifício depois de ser orientado pela FIA acerca de sua ilegalidade.

A Caterham está disposta a levar esse debate adiante. Van der Garde, por exemplo, saiu em defesa de seus patrões. “Disseram-me que isso é legal, então não estou preocupado”, falou antes de chegar a Barcelona para a última bateria de treinos da pré-temporada. Projetista da Williams, Mike Coughlan disse acreditar que o CT03 não obedece às regras da F1. O desenrolar dessa história acontece a seguir, nos próximos capítulos.
 
Pilotos
20. Charles Pic
 
Nascimento: 15 de fevereiro de 1990, Montélimar, França
(23 anos)
Carreira na F1: 20 GPs
0 ponto
Melhor resultado: 21º colocado em 2012
Avaliação Warm Up:

Charles Pic trocou a Marussia pela Caterham na esperança de chegar a um time melhor estruturado e mais capaz de disputar pontos. Só que trocar uma nanica pela outra pareceu, a julgar pelos testes da pré-temporada, mudar ‘seis por meia dúzia’.

Aparentemente, a mudança de Banbury para Leafield não vai influir tanto em suas chances de terminar as corridas nas 10 primeiras posições. Os testes de inverno apenas evidenciaram que a Marussia e a Caterham estão bem distantes dos demais times e, portanto, fadadas a andar fugindo da rabeira do grid e, com muita sorte, pleitear um milagroso ponto.

Um ano após estrear na F1, Pic já assume a função de líder do desenvolvimento de um time. Não porque seja um piloto experiente, mas porque é o mais experiente. Apesar de ser mais jovem, Pic já passou um ano na F1 e pode auxiliar a Caterham a aprimorar o CT03 ao longo da temporada. Entretanto, com o time de Cyril Abiteboul focado para 2014, a missão do menino Charles parece ser das mais inglórias.

Ao que parece, Pic não pode traçar metas muito ambiciosas para 2013. Superar seu melhor resultado em corridas (um 12º lugar) e em classificações (19º) já é um objetivo razoável. Esse último é um pouco mais fácil de atingir, visto que o grid estará mais enxuto graças à falência da HRT. Mais do que isso já seria sonhar demais.
21. Giedo van der Garde
 
Nascimento: 25 de abril de 1985, Rennen, Holanda
(27 anos)
Carreira na F1: Estreante
Avaliação Warm Up:

Vitantonio Liuzzi foi campeão mundial de kart em 2001. Já passou pela F1, fez tudo o que tinha para fazer e foi embora em 2011. Um ano depois, foi o holandês Giedo van der Garde o melhor kartista do mundo, e só agora estreia na elite do automobilismo mundial. Aos 27 anos e já com idade relativamente avançada para um debutante, vai precisar romper com o rótulo de eterna promessa se quiser vingar no Mundial.

Mas não será fácil para o holandês, que tem como maior trunfo a namorada, ou melhor, o pai dela. Marcel Boekhoorn, dono da marca de roupas McGregor, é o grande incentivador da carreira de Van der Garde desde as categorias de base. Os euros do sogrão não fizeram o nederlandês brilhar — Giedo foi apenas mediano na GP2 —, mas ajudaram o suficiente para coloca-lo no grid da F1.

Sua chegada não só traz de volta à categoria apenas um campeão mundial de kart — além de Liuzzi, Jarno Trulli —, mas também um piloto nascido na Holanda. 16º de seu país a alcançar a nata do esporte a motor, Van der Garde será o primeiro conterrâneo de Guilherme de Nassau a competir desde o GP da Inglaterra de 2007, quando Christijan Albers, que deixou a igualmente holandesa Spyker após a nona corrida daquele campeonato.

Os dois melhores resultados de holandeses foram obtidos por Jos Verstappen: dois terceiros lugares em 1994, na Benetton. Não é neste ano que Van der Garde vai pôr a Holanda em evidência na F1. A não ser que uma hecatombe aconteça.
 

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