Edição 36
Março/2013

Equipes: Scuderia Ferrari

Mesmo sem um grande carro, Alonso brigou pelo título até a última corrida em 2012. A derrota em Interlagos doeu, e a equipe fez mudanças estruturais para andar na frente com consistência

EVELYN GUIMARÃES, de São Paulo
 
ão dá para esconder: a Ferrari vai iniciar 2013 buscando a revanche, especialmente contra a Red Bull. A perda do título na última corrida em Interlagos pode não ter sido tão dolorosa quanto foi o fracasso em 2010, em Abu Dhabi, mas também doeu na alma. A equipe italiana penou no início do ano e, em nenhum momento, teve o melhor carro do grid. Ainda assim, nas primeiras 11 etapas do acirrado campeonato passado, a equipe obteve três vitórias importantes, sempre com Fernando Alonso, contrariando todos os prognósticos, principalmente depois de uma pré-temporada conturbada, frustrante e cheia de críticas por todos os lados. Mas a escuderia terminou a primeira fase do campeonato com o bicampeão na liderança, 40 pontos à frente do rival mais próximo, o australiano Mark Webber, da Red Bull.

Aliás, a permanência na disputa do título se deveu mais à persistência e à quase irritante constância de Alonso do que efetivamente à confiança no desempenho do carro vermelho. O espanhol se manteve na briga enquanto pôde, mas a reação da Red Bull e de Sebastian Vettel na reta final foi irresistível - quatro vitórias consecutivas em sete corridas - e a derrota com contornos dramáticos na última prova doeu, ainda mais com Vettel se acidentando na primeira volta, quase entregando o título ali. Alonso não conseguiu esconder a decepção em Interlagos e prometeu vingança.

Agora, os italianos esperam a vendetta. A primeira lição tirada de 2012 é a de que, para se manter forte no topo, é preciso começar o campeonato de maneira igualmente competitiva. No ano passado, o time de Maranello demorou a perceber que estava realmente na briga e se bateu muito até encontrar o caminho das pedras. Desta vez, a escuderia vermelha tratou de usar todo o seu potencial humano e técnico para começar a recuperar terreno. E a primeira medida veio com a mudança foi estrutural, com o abandono de seu próprio túnel de vento, que foi bastante criticado e que apresentou problemas graves nos dois últimos anos.
Sede: Maranello, Itália
Carro: F138
Motor: Ferrari
Principais dirigentes: Stefano Domenicali
Pat Fry
Nikolas Tombazis
Pilotos de teste: Pedro de la Rosa
Marc Gené
Giancarlo Fisichella
Em 2012: 2ª colocada no Mundial de Construtores (400 pontos)
Melhor tempo em Jerez: 1min17s879
(Felipe Massa, 1º)
Melhor tempo em Barcelona: 1min20s494
(Fernando Alonso, 2º)
Avaliação Warm Up:
A Ferrari abandonou o próprio túnel de vento para tentar garantir um bom nascimento ao novo carro, o F138. A princípio, deu certo: Alonso projeta estar no pódio em Melbourne. (Foto: Mark Thompson/Getty Images)
Para refinar o projeto aerodinâmico da F138 e evitar os erros por conta dos dados confusos que o túnel ferrarista apresentou com a F2012, a esquadra comandada por Stefano Domenicali optou por trabalhar com o túnel de vento da Toyota, localizado na sede da montadora nipônica, em Colônia, na Alemanha. Aliás, não são somente os italianos que utilizam o equipamento: a rival McLaren também capta dados lá.

Esse foi o primeiro passo da escuderia para entrar com força em 2013. Depois, veio uma grande reestruturação do staff técnico, sendo que o time já começa a pensar na próxima temporada, quando os regulamentos sofrerão enorme alteração. A Ferrari trabalha em duas frentes: uma, no campeonato deste ano, e outra em 2014, contando com a experiência do vitorioso e velho conhecido projetista sul-africano Rory Byrne na liderança do projeto.

O novo carro ferrarista apareceu em fevereiro, na sede da equipe, em Maranello. De cara, a escuderia optou por camuflar o bico ornitorrinco e apostou em um modelo de linhas mais conservadoras. E a pré-temporada da Ferrari foi muito melhor que a de 2012, sem a menor dúvida. Embora ainda confusos com os resultados dos treinos em Jerez e Barcelona, os dirigentes ferraristas pareceram bem menos assustados do que no ano passado e até deixaram passar certo ar de otimismo. “Tudo pode acontecer”, disse o projetista Nikolas Tombazis, após as atividades catalãs.

Em 2013, Massa foi o primeiro a experimentar o novo carro, e a frase “é um mundo completamente diferente” soou quase como um alívio depois de tudo que a equipe passou um ano antes. E era mesmo. Felipe elogiou a evolução feita pela Ferrari, apesar de que o desempenho ainda permanece sendo uma incógnita, diante da nova imprevisibilidade dos pneus e os ajustes dos rivais. Mas o fato é que Felipe fechou a semana no sul da Espanha com a melhor marca e uma grande quilometragem, sem falhas mecânicas.

Na semana seguinte, em Barcelona, Fernando Alonso sentou pela primeira vez na F138. O entusiasmo do espanhol foi menor que o do brasileiro, mas, ainda assim, Fernando não deixou a peteca cair e disse que, apesar do grande trabalho, o carro parecia mais competitivo, de fato. Uma semana depois, a escuderia novamente se mostrou forte no circuito catalão. E com ambos os pilotos, que se revezaram no comando dos testes, avaliando pneus, novas peças, configurações aerodinâmicas e simulações de corrida. Alonso terminou, no combinado dos quatro dias, com o segundo melhor tempo, prevendo luta pelo pódio em Melbourne.
 
Pilotos
3. Fernando Alonso
 
Nascimento: 29 de julho de 1981, Oviedo, Espanha
(31 anos)
Carreira na F1: 196 GPs
30 vitórias
86 pódios
22 poles
19 voltas mais rápidas
1.364 pontos
Melhor resultado: Bicampeão mundial (2005 e 2006)
Avaliação Warm Up:

"Não vejo motivo para que não estejamos novamente na briga pelo título neste ano". O ‘samurai’ Fernando Alonso Díaz inicia a temporada na Austrália de novo em busca do tão sonhado tricampeonato pela Ferrari. Em 2012, o espanhol se mostrou um guerreiro ardiloso e inteligente. Mesmo sem um carro tão competitivo quanto da concorrência, aproveitou todas as chances da extrema imprevisibilidade da F1 vista na primeira parte do Mundial para alcançar e se manter no topo antes do intervalo das férias. Depois, fez valer a regularidade quando a Red Bull surgiu muito forte na parte final. Permaneceu no páreo até o fim, mesmo com uma Ferrari lenta e sem grandes atualizações.

Em Interlagos, corrida derradeira do ano, Alonso pedia pelo caos. E ele veio em forma de chuva em uma corrida tumultuada. Por pouco não ficou com o título ― a diferença na tabela foi de apenas três pontos ―, que pela terceira vez consecutiva foi para as mãos de Sebastian Vettel. Agora, o asturiano pretende não pretende desperdiçar chance alguma e aposta as fichas em uma evolução da Ferrari, a F138.

Mesmo achando que a equipe italiana ainda não está no nível das concorrentes, Fernando entende que a Ferrari está "200 vezes melhor" do que em 2012 e acha que é impossível que o time regrida ou sofra alguma rasteira neste início de campeonato. Além disso, o bicampeão se vê em melhor forma física também para encarar o Mundial. "Temos um melhor ponto de partida e eu aprendi muito com alguns dos erros do ano passado", disse um mais confiante Alonso.
4. Felipe Massa
 
Nascimento: 25 de abril de 1981, São Paulo, Brasil
(31 anos)
Carreira na F1: 172 GPs
11 vitórias
35 pódios
15 poles
14 voltas mais rápidas
704 pontos
Melhor resultado: Vice-campeão mundial em 2008
Avaliação Warm Up:

Felipe Massa viveu um 2012 de extremos na F1. Na primeira parte da temporada, mostrou um desempenho muito fraco, especialmente diante dos resultados que o companheiro, Fernando Alonso, vinha mostrando. As performances inexpressivas, junto com o fato de que a Ferrari não tinha um bom carro e que, mesmo assim, Fernando vencia, provocou a ira dos críticos, de dirigentes a jornalistas, que pediam a cabeça do brasileiro ainda durante a fase inicial do campeonato.

Por conta disso, Massa passou a enfrentar os rumores de substituição. O primeiro a ser cogitado para o lugar do piloto foi Sergio Pérez, que fazia parte da Academia de Pilotos da Ferrari. O mexicano vinha impressionando com bons resultados na Sauber e era alvo constante de especulações. Depois, Nico Hülkenberg também passou a ser cotado. Mas a virada de Massa no campeonato acabou por selar seu destino ferrarista.

Após as férias de verão na Europa e do calendário da F1, o brasileiro, que chegou a recorrer à ajuda psicológica para entender a má fase, voltou mais forte e consistente. Os bons resultados começaram a aparecer, e o piloto conseguiu, inclusive, trabalhar em favor de Alonso na disputa final do título, como em Austin, onde aceitou a troca do câmbio para favorecer um melhor posicionamento espanhol no grid. O resgate de uma performance mais competitiva foi premiada com a renovação do contrato com a equipe italiana, que agora vale até o fim de 2013. Por isso, é fundamental que o brasileiro dê continuidade à boa fase neste ano.
 

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