Edição 36
Março/2013

Equipes: Sahara Force India F1 Team

A grande questão da equipe está na saúde financeira. Vijay Mallya enfrenta problemas econômicos e sua companhia aérea, a Kingfisher, está à beira da falência. O carro é bem feito

JULIANA TESSER, de São Paulo
 
ssim como aconteceu em 2011, a Force India fechou 2012 em alta. O GP do Brasil do ano passado, por exemplo, foi uma mostra brutal da evolução da equipe, em que Nico Hülkenberg apresentou um ótimo desempenho no asfalto molhado de Interlagos, chegando a liderar boa parte da disputa. Por muito pouco, o talentoso alemão não alcançou um triunfo épico no circuito paulistano. Assim como no GP da Bélgica de 2009, com Giancarlo Fisichella, a Force India bateu na trave da primeira vitória de sua história. Apesar da atuação convincente do piloto que já estava de partida para a Sauber, o time anglo-indiano não conseguiu repetir a boa performance do ano anterior e fechou a temporada com a sétima posição do Mundial de Construtores, caindo uma posição em relação a 2011.

Sempre buscando ascensão no pelotão intermediário da F1, a equipe de Vijay Mallya construiu um VJM06 de linhas belas, cores harmônicas e, o que importa, um carro bem equilibrado e, principalmente, confiável. Para guiar o novo bólido construído em Silverstone, a equipe manteve Paul di Resta e anunciou – tardiamente – o retorno de Adrian Sutil. A Force India reedita, assim, a velha dupla que ajudou a conquistar o melhor resultado da história do time.

Mesmo tendo sido constantemente superado por Hülkenberg no ano passado, Di Resta parece ornar com as pretensões da Force India, mas não tem mais aquele ar de jovem promissor com que foi para a pista no ano passado. Emergido à F1 com uma providencial forcinha da Mercedes depois de conquistar o título do DTM, o escocês até agora não passou de uma mera promessa, ainda que tivesse alternado algumas boas exibições nos últimos anos, mas, no fim das contas, tem sido o ‘água de salsicha’ da F1.

Di Resta é um daqueles caras que, se decidisse deixar a categoria ou mesmo fosse dispensado, não faria tanta falta assim, por mais que reconhecidamente seja um bom piloto.
Sede: Silverstone, Inglaterra
Carro: VJM06
Motor: Mercedes
Principais dirigentes: Vijay Mallya
Robert Frenley
Andrew Green
Otmar Szafnauer
Pilotos de teste: Não possui
Em 2012: 7ª colocada no Mundial de Construtores (109 pontos)
Melhor tempo em Jerez: 1min18s175
(Jules Bianchi, 3º)
Melhor tempo em Barcelona: 1min21s627
(Adrian Sutil, 7º)
Avaliação Warm Up:
Após um tira-teima com Jules Bianchi na pré-temporada, Adrian Sutil recuperou seu posto de titular e conseguiu voltar à F1 após um ano sabático, tendo uma segunda chance rara na categoria. (Foto: Mark Thompson/Getty Images)
O caso de Sutil é bem diferente. Após um tira-teima com Jules Bianchi na pré-temporada, o germânico recuperou seu posto de titular e conseguiu voltar à F1 após um ano sabático, tendo uma segunda chance rara na categoria. Entretanto, a opção tardia da equipe tirou do já experiente piloto a oportunidade de se familiarizar com o VJM06 e chegar ao GP da Austrália tinindo.

De qualquer forma, depois de um ano afastado das corridas, Sutil escolheu Kimi Räikkönen como fonte de inspiração, já que o homem de gelo nem parecia ter ficado dois anos de fora da F1 e só faltou fazer nevar em 2012. Caso Sutil consiga beber da mesma água em sua volta à F1, certamente vai ajudar demais a escuderia verde e laranja a somar pontos importantes no Mundial. Capacidade para isso, Adrian tem de sobra, como mostrou em 2011, na sua melhor temporada na carreira.

O que pode complicar a vida da Force India é sua saúde financeira. Vijay Mallya enfrenta problemas econômicos. A companhia aérea Kingfisher, de propriedade do dirigente, está à beira da falência. Não está fácil pra ninguém, nem mesmo para o bilionário indiano.

Como se não bastasse os problemas do dono do time, o grupo Sahara, principal patrocinador da escuderia, teve as contas de duas de suas empresas bloqueadas pelo governo, por conta de uma acusação de venda ilegal de títulos. É muita crise para uma equipe só.

Ficando apenas no campo esportivo, se a Force India resistir às dificuldades econômicas, é bem provável que consiga pelo menos repetir o desempenho do anterior, quiçá até brigar com Sauber e Williams pelo topo do lado B da F1’.
 
Pilotos
14. Paul di Resta
 
Nascimento: 16 de abril de 1986, Uphall, Escócia
(26 anos)
Carreira na F1: 39 GPs
76 pontos
Melhor resultado: 13º colocado em 2011
Avaliação Warm Up:

A missão de Paul di Resta em 2012 era liderar a Force India na batalha contra as demais equipes do pelotão intermediário. Mas o escocês não conseguiu fazer frente a Nico Hülkenberg e acabou falhando nas missões de conduzir o time e de conquistar o coração da cúpula da Mercedes para ser escolhido como sucessor de Michael Schumacher.

Aliás, Di Resta não foi lembrado nem pela Mercedes e tampouco pela McLaren, que escolheu Sergio Pérez para o lugar de Lewis Hamilton. A decisão surpreendeu por um lado – o vínculo do mexicano sempre foi com a Ferrari, enquanto Paul foi o queridinho da Mercedes –, mas foi justa. O piloto é quem não entendeu e fez beicinho.

Mas dos males, o menor. Mesmo sem ter feito muita coisa de relevante na F1 e depois de ter seu posto suavemente ameaçado, Di Resta foi confirmado com relativa antecedência e aproveitou as chances disponíveis de rodar com o novo VJM06.

O escocês não tem motivos para se envergonhar de seu desempenho na pré-temporada, mas é fato que ele não foi o mais rápido do time. Em Jerez, foi Jules Bianchi quem ditou o ritmo; em Barcelona, por sua vez, o líder foi Sutil. Mas é sabido que os tempos dos testes de inverno importam muito pouco.

Di Resta já não tem mais aquela aura de novato promissor. Tem de mostrar serviço. É tudo ou nada nesta temporada.
15. Adrian Sutil
 
Nascimento: 11 de janeiro de 1983, Gräfelfing, Alemanha
(30 anos)
Carreira na F1: 90 GPs
1 volta mais rápida
95 pontos
Melhor resultado: 9º colocado em 2011
Avaliação Warm Up:

Depois de amargar uma temporada sabática, Adrian Sutil conseguiu recuperar sua vaga na F1. Condenado no caso da agressão a Eric Lux, executivo do Grupo Genii, em uma boate de Xangai na noite do GP da China, o germânico acabou afastado da categoria durante o ano passado, mas sempre manteve ativas as negociações para retornar ao Mundial.

Após flertar aqui e ali, Sutil viu na Force India sua melhor — e única — opção. A indecisão da equipe, entretanto, colocou o descendente de uruguaios na corda bamba. Comparado com Jules Bianchi durante os testes da pré-temporada, Adrian teve em seu favor a experiência para reeditar a parceria com Paul di Resta. Logo, foi confirmado pela escuderia anglo-indiana às vésperas da última bateria de treinos. O alemão sabe plenamente que a oportunidade dada por Vijay Mallya é a sua derradeira. Como o seu parceiro escocês, então, está na base do vai ou racha.

O anúncio tardio, entretanto, pode cobrar seu preço. Afastado da F1 por uma temporada, Sutil perdeu a chance de ganhar quilometragem com o VJM06 e vai encarar o GP da Austrália menos preparado do que poderia estar. Confiante de suas capacidades, Adrian escolheu Kimi Räikkönen como inspiração e busca ter o mesmo ritmo constante apresentado pelo finlandês em sua volta à F1, no ano passado. Tem capacidade e almeja o pódio. É possível, sim.
 

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