Edição 36
Março/2013

Equipes: Lotus F1 Team

A equipe viveu uma temporada 2012 de alto no início e baixo desempenho na reta final. E pelo que os primeiros testes apontam, as dificuldades devem continuar por causa da confiabilidade

FELIPE GIACOMELLI, de São Paulo
 
Lotus foi uma das sensações da temporada 2012 da F1 ao conquistar uma vitória – com Kimi Räikkönen – e outros nove pódios após passar por uma complexa reformulação. No entanto, o triunfo do finlandês em Abu Dhabi escondeu a queda de rendimento do time na segunda metade da temporada passada.

Os números não mentem. Todos os outros nove pódios da Lotus vieram até o GP da Bélgica, disputado no início do mês de setembro, logo na sequência das férias de verão. Depois disso, a única vez que Räikkönen ou Romain Grosjean terminaram entre os quatro primeiros foi no próprio triunfo do ‘homem de gelo’ na pista de Yas Marina.

A causa para tamanha queda de desempenho foi a introdução do DRS passivo, que a equipe inglesa não conseguiu fazer funcionar direito. Enquanto o time trabalhava focado para desenvolver o artifício sem sucesso, as demais equipes continuaram a desenvolver seus carros em outras direções, e por isso as máquinas aurinegras foram ficando cada vez mais para trás.

Para 2013, a situação parecia ter melhorado, já que Kimi foi o segundo mais veloz nos treinos coletivos de Jerez, enquanto Grosjean terminou na quarta colocação. Entretanto, os problemas continuaram no time de Enstone. O DRS passivo ainda não está funcionando perfeitamente, e a escuderia se envolveu em uma polêmica sobre o mapeamento de seus motores.

Ao lado da Red Bull, a Lotus havia desenvolvido um artifício para que o carro ganhasse desempenho, principalmente nas curvas, a partir do mapeamento dos propulsores, algo que é proibido pelas regras. Quando a FIA tomou conhecimento da artimanha, ainda antes da última semana de testes em Barcelona, logo mandou os dois times, ambos parceiros da Renault, pararem com a graça.
Sede: Enstone, Inglaterra
Carro: E21
Motor: Renault
Principais dirigentes: Eric Boullier
Gérard López
Eric Lux
James Allison
Pilotos de teste: Davide Valsecchi
Jérôme D'Ambrosio
Em 2012: 4ª colocada no Mundial de Construtores (303 pontos)
Melhor tempo em Jerez: 1min18s148
(Kimi Räikkönen, 2º)
Melhor tempo em Barcelona: 1min21s658
(Kimi Räikkönen, 8º)
Avaliação Warm Up:
Sem o artifício de ganho de desempenho a partir do mapeamento do motor, a Lotus perdeu força nos testes de Barcelona. Grosjean, por exemplo, fez apenas o 16º melhor tempo. (Foto: Glenn Dunbar/LAT Photographic/Lotus)
Na ocasião, os diretores da Lotus justificaram o uso do artifício ao afirmar que “não estava claro no regulamento que também se aplicava a 2013”. De qualquer forma, a queda do desempenho do time foi visível. Na última semana de treinos coletivos, Räikkönen foi apenas o oitavo enquanto Grosjean fechou em uma distante 16ª colocação.

Fora das pistas, a situação também não é boa para a Lotus. Embora a equipe tenha fechado um acordo de patrocínio com a Coca-Cola, que passou a estampar o energético Burn nos modelos E21, o time não conseguiu angariar um patrocinador-máster e deve mais uma vez encerrar o ano no vermelho. Apesar dos problemas, o chefe da escuderia, Eric Boullier, afirmou que o futuro da Lotus não está em risco. O dirigente alega que o dono do time – a empresa Genii – planeja permanecer na F1 por muito tempo.

“O Genii construiu sua plataforma completa em torno da F1 e deste time”, disse. “Eles se comprometeram, mostraram seu comprometimento e vão continuar comprometidos a dar sustentação financeira”, completou.

Apesar disso, o desempenho na pista não deixou os pilotos felizes. “Temos de ter mais velocidade final do que no ano passado. Se pudermos manter a consistência e adicionar um pouco mais de velocidade e um melhor resultado no início do ano, isso pode nos dar uma chance melhor”, disse Räikkönen.

Mesmo com os problemas enfrentados no fim da temporada, não ouse perguntar se Kimi está motivado para a nova temporada. Depois de passar o ano de 2012 ouvindo essa mesma pergunta em tudo quando foi entrevista, o finlandês parece estar de saco cheio. Tanto é que se tornou hit na internet ao bufar e ignorar um repórter da TV inglesa quando foi questionado se estava com a mesma fome por títulos como estava antes da conquista mundial de 2007.

Grosjean, por sua vez, conta com a confiança da equipe após se envolver em uma série de acidentes ao longo da última temporada. Entretanto, é bom o francês abrir o olho, já que a equipe inglesa contratou um reserva de peso, Davide Valsecchi, atual campeão da GP2. Mesmo assim, o italiano só deve ir à pista caso o francês receba um novo gancho.
 
Pilotos
7. Kimi Räikkönen
 
Nascimento: 19 de outubro de 1979, Espoo, Finlândia
(33 anos)
Carreira na F1: 176 GPs
19 vitórias
69 pódios
16 poles
37 voltas mais rápidas
786 pontos
Melhor resultado: Campeão Mundial em 2007
Avaliação Warm Up:

Durante os últimos 12 meses, muita gente questionou se Kimi-Matias Räikkönen estaria pronto para voltar à F1 competitivamente após dois anos competindo no rali. O finlandês não só mostrou que continua com o mesmo talento de sempre como conquistou uma vitória no GP de Abu Dhabi de 2012, além de ter conduzido a Lotus a uma improvável briga pelo título até as etapas finais.

Agora que todo mundo sabe que Räikkönen é, sim, um fator na luta pelo campeonato, a questão é o quanto o piloto pode render em 2013. Será que os problemas da Lotus tanto no desenvolvimento do DRS passivo quanto no mapeamento do motor vão segurá-lo? No que depender do desempenho nos treinos coletivos, vão, mas ainda há muita coisa para acontecer até a primeira corrida.

A favor do nórdico está o fato de ele não ter começado bem a temporada de 2012, tendo somado um quinto, um sétimo e um abandono nas três primeiras provas – todas na Oceania ou no Extremo Oriente – antes de brigar por pódios no Bahrein e na Espanha. Ou seja, se o carro da Lotus estiver competitivo, Räikkönen é um nome certo na briga pelo campeonato.
8. Romain Grosjean
 
Nascimento: 17 de abril de 1986, Genebra, Suíça - tem nacionalidade francesa
(26 anos)
Carreira na F1: 26 GPs
3 pódios
1 volta mais rápida
96 pontos
Melhor resultado: 8º colocado em 2012
Avaliação Warm Up:

Embora pilotos como Kamui Kobayashi e Luiz Razia tenham revelado conversas com a Lotus para a temporada 2013, a equipe garantiu que em momento algum pensou em substituir Romain Grosjean, mesmo após os vários acidentes em que se envolveu no ano passado.

De qualquer forma, o principal objetivo do campeão da GP2 de 2011 será vencer a desconfiança nesta temporada. E o desafio é bastante grande, já que o gaulês não só precisa mostrar que consegue sobreviver às primeiras curvas das corridas como também não pode deixar os erros do último ano atingirem sua confiança.

No que depender dos treinos da pré-temporada, Grosjean pode ficar tranquilo. Ele terminou com a quarta colocação tanto nos treinos de Jerez quanto na primeira semana de Barcelona e só não conseguiu um resultado melhor que a 16ª posição na atividade derradeira, pois entregou o carro da Lotus a Davide Valsecchi em um dos dias de treino.

Embora a Lotus ter treinado o italiano possa parecer uma espécie de aviso para Grosjean, a tendência é que o desempenho do francês melhore este ano, afinal 2012 foi a primeira vez que ele disputou uma temporada completa na F1.
 

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