Edição 36
Março/2013

Equipes: Marussia F1 Team

Nos testes, a equipe anglo-russa não foi tão mal quanto o esperado, andando à frente da Caterham. Porém, a indefinição quanto à dupla de pilotos atrapalhou o desenvolvimento

FAGNER MORAIS, de São Paulo
 
a última temporada, a Marussia surpreendeu o mundo da F1. Não, a equipe não conquistou nenhuma vitória ou entrou na sonhada zona de pontuação. Com a 12ª colocação de Timo Glock no GP de Cingapura, o time ocupou por algumas etapas a décima posição no Mundial de Construtores, que renderia alguns milhões de cobres europeus a mais no orçamento de 2013. Mas a festa foi estragada por Vitaly Petrov. Ao chegar na 11ª posição no GP do Brasil, o piloto russo — que, ironicamente, foi defenestrado da Caterham pouco tempo depois — acabou ajudando a equipe a encerrar o ano mais uma vez entre as dez melhores do grid, frustrando a turma de John Booth.

Mesmo com o baque do final do campeonato, os diretores do time de Banbury ganharam confiança para um bom ano em 2013. Entretanto, as atividades começaram de maneira bem conturbada. Nada por conta do desenvolvimento do carro ou algo do tipo, mas sim pelos pilotos. Ainda no ano passado, a esquadra anglo-russa viu Charles Pic seguir para a Caterham, principal rival da Marussia com a bancarrota da HRT. Max Chilton, quarto colocado na GP2 e dono de apenas alguns brilharecos aqui e ali, fora contratado para ser o novo companheiro de equipe de Timo Glock.

Durante o mês de janeiro, em pleno e rigoroso inverno europeu, a Marussia trabalhava com afinco na finalização do seu novo projeto, o MR02, a tempo de prepará-lo para a abertura da pré-temporada, no circuito andaluz de Jerez de la Frontera. Contudo, pouco antes do lançamento do carro para 2013, Glock, em comum acordo com a Marussia, anunciou que estava fora da F1 para disputar a temporada do DTM como piloto oficial da BMW. Um ato honroso de Timo para salvar quase cem empregos.
Sede: Banbury, Inglaterra
Carro: MR02
Motor: Cosworth
Principais dirigentes: John Booth
Graeme Lowdon
Pat Symonds
Piloto de teste: Não tem
Em 2012: 11ª colocada no Mundial de Construtores (sem pontos)
Melhor tempo em Jerez: 1min21s226
(Luiz Razia, 21º)
Melhor tempo em Barcelona: 1min23s167
(Jules Bianchi, 18º)
Avaliação Warm Up:
Jules Bianchi só foi confirmado como piloto titular nos últimos dias de testes em Barcelona. Tal indefinição de tumultuou o ambiente da equipe - e também seu fluxo de caixa. (Foto: Ker Robertson/Getty Images)
Foi um baque para a Marussia, definitivamente. O time perdia sua referência e ficava na mão com o novato e endinheirado Chilton, que, porém, não trazia algo cada vez mais raro na F1: experiência. Estando apenas com Max para a pré-temporada, era necessário que o time acertasse com um piloto rapidamente. E foi isso que aconteceu. E foi isso que bagunçou tudo.

No dia 31 de janeiro, Luiz Razia era anunciado aos quatro cantos como substituto do experiente piloto alemão, mas acabou sendo oficializado apenas alguns dias depois, em 6 de fevereiro. No mesmo dia, o baiano de Barreiras foi à pista com o MR02. Aparentemente, estava indo tudo muito bem. Mas só aparentemente.

Um dos investidores do brasileiro não cumpriu sua parte no acordo e não honrou o pagamento prometido ao time. E como F1 cada vez é mais business, a incerteza acerca do futuro de Razia só aumentou. O brasileiro, afastado das atividades até a resolução da pendência, não teve a chance de ganhar quilometragem com o MR02 na primeira das duas baterias que a F1 promoveu no circuito de Montmeló, em Barcelona.

No sexto dos oito dias dos treinos coletivos, uma reunião convocada às pressas resolveu o problema. Não, não era Razia quem estava à mesa de negociações com o time anglo-russo, mas sim Jules Bianchi. Gerenciado por Nicolas Todt, um dos homens mais influentes da F1 atual, o jovem de Nice, que havia perdido a chance de ser titular na Force India 48 horas antes, virou o jogo.

Precisando do dinheiro e, principalmente, de outro piloto, a Marussia, às vésperas do início do Mundial, decidiu rescindir o contrato do brasileiro por conta do acordo não cumprido, optando por assinar com Bianchi. Sorte para Jules, revés para Luiz. O grid, enfim, estava completo para o Mundial.

Falando do desempenho nos testes, a Marussia não foi tão mal quanto o esperado, andando surpreendentemente à frente da Caterham, que parece concentrar suas forças para 2014. A equipe conseguiu brigar em igualdade com o time de Tony Fernandes e Cyril Abiteboul — sempre levando em conta que os malaios trocaram uma dupla experiente, Heikki Kovalainen e Petrov, por uma de garotos, Pic e Giedo van der Garde.

Na primeira semana de atividades, em Jerez, Razia ficou 0s121 atrás de Pic no geral, e ocupou a 21ª colocação, à frente de Van der Garde e do próprio Chilton. Nas semanas em Barcelona, Max conseguiu posicionar a Marussia em 17º, superando os principais concorrentes. Entre os dias 28 de fevereiro e 3 de março, Bianchi não precisou de muito para mostrar que pode ajudar, e muito, nesta temporada. O francês colocou quase 1s no novo colega de equipe, que aproveitou a ausência de um segundo piloto para colocar quilometragem no carro nas semanas anteriores.

Mas apesar dos problemas enfrentados para fechar a dupla de pilotos, a Marussia teve um planejamento bem feito. Liderada por John Booth, Graeme Lowdon, e Pat Symonds, diretor-técnico, a equipe aprendeu a lição da última temporada. Aos poucos — este é o quarto ano na F1 [entre Virgin e Marussia] —, todos estão aprendendo a trabalhar melhor. É cedo para falar, mas talvez não seja um sonho crer que a Marussia possa, enfim, superar a Caterham.
 
Pilotos
22. Jules Bianchi
 
Nascimento: 3 de agosto de 1989, Nice, França
(23 anos)
Carreira na F1: Estreante
Avaliação Warm Up:

Grande pupilo da Academia de Pilotos da Ferrari, Jules Bianchi tem sobre si muito da expectativa para o futuro em Maranello. Reserva na Force India na temporada passada, o francês brigou até o último instante com Adrian Sutil pelo cobiçado cockpit no VJM06, mas acabou sendo batido pelo experiente piloto alemão, que retorna à categoria após um ano sabático.

Mas o ano que parecia ser de frustração para Bianchi, acabou lhe reservando uma grata surpresa ao ser contratado aos 48 do segundo tempo para assumir a vaga do inadimplente Razia na Marussia. Era o que dava, mas Jules ficou tão contente que sua ficha ainda não caiu.

Como Felipe Massa tem contrato com a Ferrari até o fim deste ano, Bianchi é um dos favoritos para assumir seu lugar, caso a ‘squadra rossa’ opte por não renovar seu vínculo. Caso faça um ano bom, como mostrou na pré-temporada ao superar Chilton com apenas um dia e meio no carro, Jules pode entrar forte na briga por uma vaga por um macacão vermelho. Tudo vai depender de seu ano na equipe tricolor.
23. Max Chilton
 
Nascimento: 21 de abril de 1991, Reigate, Inglaterra
(22 anos)
Carreira na F1: Estreante
Avaliação Warm Up:

Completando o grid de estreantes na F1, Max Chilton foi quarto colocado na última GP2 em 2012 com um desempenho bem raso, com alguns lampejos vez ou outra, mas só. Vinculado à Marussia desde o ano passado, o britânico, herdeiro da gigante dos seguros AON, teve a $orte que não teve Razia, vice-campeão do certame, e garantiu sua vaguinha ali entre os 22 da F1 em 2013.

Dono de talento duvidoso e de muitas libras esterlinas, Chilton deve ser apenas figura decorativa no grid da F1. Mantendo o que fez nos treinos da pré-temporada — bateu em seu primeiro contato com o carro —, não tem chance de superar Jules Bianchi que, apesar de estreante, tem experiência acumulada como piloto de testes da Force India e da Ferrari.

Não dá para cravar, mas, com base no seu retrospecto obscuro, Chilton não terá vida fácil em seu ano de estreia na F1. Com mais rodagem, 2014 há de ser um ano melhor para o inglês. Porque há grana a rodo para mantê-lo na casa marussiana.
 

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