Edição 36
Março/2013

Equipes: Vodafone McLaren Mercedes

O time de Woking não foi bem nos testes da Espanha, mas pode ter escondido o jogo. Não dá para descartar jamais uma equipe que terminou o último ano com o melhor carro do Mundial

FERNANDO SILVA, de Sumaré
 
McLaren é um time que dispensa apresentações. Sua história e seus títulos falam por si só: 12 Mundiais de Pilotos, outros oito de Construtores. Rico em glórias e tradições, a escuderia britânica já teve em seus quadros gente do quilate de Ayrton Senna, Alain Prost, Niki Lauda, Emerson Fittipaldi, Mika Häkkinen, Fernando Alonso, Nelson Piquet, Kimi Räikkönen e James Hunt, apenas para citar alguns. Mas história e tradição não são tudo: já se vão quatro anos sem levantar uma taça do mundo, ainda mais olhando para algumas temporadas, como a última, em que começou a terminou com o melhor carro.

Para piorar as coisas pelos lados de Woking, a equipe sofreu um duríssimo golpe em suas pretensões de voltar ao topo da F1. Isso porque, ainda no ano passado, Lewis Hamilton, grande cria da McLaren e principal líder do time nos últimos anos, trocou a estabilidade e a certeza de estar lutando por vitórias e títulos por um cheque milionário — dizem, de US$ 100 milhões por três temporadas —, regalias, menos compromissos promocionais e a chance de liderar um novo projeto na Mercedes.

Lewis foi de mala e cuia para Brackley e, na esteira da contratação do britânico, a Mercedes também tirou da McLaren outra peça importante no seu tabuleiro de xadrez: Paddy Lowe, diretor-esportivo, que só vai assumir o posto na escuderia prateada em 2014 — rumores o colocam no lugar de Ross Brawn. Mas é inegável que a McLaren perde uma enormidade sem Hamilton, qualquer time perderia. Com todos os medalhões da F1 já empregados, a solução para o time de Martin Whitmarsh foi trazer um jovem piloto, Sergio Pérez, que está entre a genialidade da metade da primeira temporada e a mediocridade da segunda.
Sede: Woking, Inglaterra
Carro: MP4-28
Motor: Mercedes
Principais dirigentes: Martin Whitmarsh
Tim Goss
Pilotos de teste: Gary Paffett
Oliver Turvey
Kevin Magnussen
Em 2012: 3ª colocada no Mundial de Construtores (378 pontos)
Melhor tempo em Jerez: 1min18s261
(Jenson Button, 5º)
Melhor tempo em Barcelona: 1min21s444
(Jenson Button, 5º)
Avaliação Warm Up:
Jenson Button e Sergio Pérez guiarão o MP4-28, modelo que embora não pareça muito diferente de seu antecessor, é considerado pela equipe um carro 80% novo. (Foto: Mark Thompson/Getty Images)
E o escolhido foi o mexicano Sergio Pérez. À época, foi uma contratação deveras surpreendente. Não necessariamente pelo desempenho do jovem latino-americano, que andou bem até o momento em que foi confirmado pela McLaren. Mas como Paul di Resta é oriundo do programa de desenvolvimento da Mercedes — parceira da McLaren desde 1995 —, o escocês era em teoria o favorito, além do fato de Pérez ser forjado pela Academia de Pilotos da Ferrari. Mas contrariando todas as previsões, ‘Checo’ foi eleito para ser o substituto de Lewis em Woking.

Contratação acertada? Difícil dizer. Pérez é, no momento, tão somente uma aposta. Se ‘Checo’ é a dúvida, Jenson Button é a certeza. Será sua quarta temporada pela escuderia britânica e a primeira na condição de grande estrela e líder do time. Nas vezes em que Jenson ocupou tal função, tanto nos tempos de Honda quanto na Brawn, piloto e equipes se deram bem. Talento, frieza, bom relacionamento interno com a equipe e ótimo no trato com os pneus, o segundo piloto mais experiente da F1 é o grande pilar da McLaren para quebrar esse incômodo jejum de títulos. De quebra, segundo piloto mais experiente da F1 atual ainda terá a chance de repetir o ídolo de infância, Nigel Mansell, e ostentar o 5 vermelho em seu carro.

Carro que entra em 2013 como uma grande incógnita. Afinal, o MP4-28, apresentado no fim de janeiro, não difere muito do seu antecessor, pelo menos aparentemente. Mas traz uma inovação importante: a adoção da suspensão dianteira pull-rod, seguindo os passos dados pela Ferrari no ano passado, além de mudanças que fizeram Whitmarsh e companhia considerarem o novo bólido 80% novo. Restava saber sua performance na pista.

E o começo da vida do MP4-28 foi positivo, com Button liderando a primeira sessão da pré-temporada, lá no circuito de Jerez de la Frontera, fazendo uma marca consistente com pneus duros. Porém, nos outros dias, tanto na Andaluzia quanto em Barcelona, Button e Pérez não tiveram vida fácil, já que o desempenho do novo carro se mostrou incerto e inconstante, sobretudo quanto aos pneus. “Sinto que podemos fazer mais com esse carro”, disse Jenson.

Mas em 2012 a McLaren também não causou furor na pré-temporada, mas assim que desembarcou em Melbourne só faltou fazer chover, vencendo a primeira corrida daquele ano justamente com Button. Assim, não é nenhuma viagem dizer que os comandados de Whitmarsh podem sim ter escondido o jogo durante os testes na Espanha. Não dá para descartar jamais uma equipe que terminou o último ano com o melhor carro do Mundial, ainda mais levando em conta que a F1 manteve quase que por completo suas regras para 2013. Levando em conta tais fatores, pode-se dizer que sim, a McLaren estará na briga, sobretudo com Button. Quanto a Pérez, o mexicano ainda precisa comer um pouco de "feijão com arroz".
 
PILOTOS
5. Jenson Button
 
Nascimento: 19 de janeiro de 1980, Frome, Inglaterra
(33 anos)
Carreira na F1: 228 GPs
15 vitórias
49 pódios
8 poles
8 voltas mais rápidas
999 pontos
Melhor resultado: Campeão mundial em 2009
Avaliação Warm Up:

Jenson Alexander Lyons Button tem todas as credenciais que o tornam um dos mais queridos esportistas da Inglaterra: bem-sucedido, boa pinta e namorado da ‘deusa’ Jessica Michibata, o segundo piloto mais experiente da F1 atual terá em 2013 outro fator que trará para si a torcida britânica: Button vai usar nesta temporada o 5 vermelho que eternizou seu ídolo no automobilismo, Nigel Mansell. Uma responsabilidade e tanto.

Button, evidentemente, não tem o carisma do ‘Leão’, mas em termos de eficiência, o piloto da McLaren está à frente. Cerebral, Jenson tem na sua carreira um histórico curtíssimo de erros. Ao longo das suas 13 temporadas, o britânico sempre andou na frente e fez bonito quando teve um carro competitivo. Se tudo correr bem pelos lados de Woking, Button finalmente poderá lutar pelo título correndo pela McLaren.

Pela primeira vez em quatro anos, Button terá boa parte da atenção da equipe para si. Depois da saída de Hamilton para a Mercedes, Jenson assumiu o papel de líder de uma equipe que investe muito dinheiro, mas não conquista um título há quatro anos. Portanto, a responsabilidade está toda com Button que, de certa forma, começa 2013 pressionado duas vezes: primeiro, para corresponder a expectativa da McLaren em torno de si em resultados; e segundo, para não ser superado pelo jovem Sergio Pérez, seu novo companheiro de equipe.

Desta forma, Button começa 2013 entre a cruz e a espada. Pode até não ser campeão, mas tem a obrigação, pelo carro que tem, de lutar por vitórias. Mas caso seja batido por ‘Checo’, pode-se dizer então que será o começo do fim da sua carreira na McLaren e, talvez, até na própria F1.
6. Sergio Pérez
 
Nascimento: 26 de janeiro de 1990, Guadalajara, México
(23 anos)
Carreira na F1: 37 GPs
2 segundos lugares
3 pódios
1 volta mais rápida
80 pontos
Melhor resultado: 10º colocado em 2012
Avaliação Warm Up:

Quando Sergio Pérez Mendoza fez sua estreia na F1, em 2011, pela Sauber, logo foi apontado como um mero piloto pagante que apenas faria número no grid. Mas não foi bem isso o que aconteceu. Desde a primeira corrida, ‘Checo’ mostrou grande potencial e conquistou bons resultados. Sua estreia foi bastante positiva, mas 2012 lhe reservaria uma temporada ainda melhor.

Graças ao talento e ao bem nascido C31, Pérez só faltou fazer chover. O jovem de Guadalajara foi um dos pilotos que melhor compreendeu o desgaste dos Pirelli. Assim, os resultados não tardaram a chegar. ‘Checo’ fez um corridão e quase venceu na Malásia, mas sua inexperiência acabou dando a vitória a Fernando Alonso. Depois vieram um terceiro lugar no Canadá e outro segundo, em Monza.

Seu desempenho logo chamou a atenção das equipes grandes. Todo mundo o apontava como sucessor ideal para a vaga de Felipe Massa, mas Pérez teve as portas fechadas em Maranello, mesmo sendo cria da Academia da Ferrari, por dois motivos: a ascensão do brasileiro e sua inexperiência. A McLaren pensou bem diferente da eterna rival. Se vendo num mato sem cachorro com a saída inesperada de Hamilton para a Mercedes, Martin Whitmarsh não pensou duas vezes.

Só que, desde então, o desempenho de Pérez mudou do vinho para a água, assim como sua atitude fora da pista. Antes competente nas corridas, Sergio passou a errar além da conta. No paddock, o comentário é o antes afável e tranquilo piloto calçou o salto alto.

Talentoso, Pérez é demais. Resta saber se vai conseguir lidar com a pressão por estar em uma equipe grande.
 

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