Edição 36
Março/2013

Equipes: Mercedes AMG Petronas F1 Team

O time prateado fez contratações de peso na esperança de se colocar no caminho das vitórias. E se a pré-temporada servir mesmo como parâmetro, as Flechas de Prata estão muito bem

EVELYN GUIMARÃES, de São Paulo
 
primeira vitória depois do retorno à F1 foi pouco para a Mercedes em 2012. O terceiro carro construído pela montadora alemã era envolto em expectativa, já que o time havia investido pesado em fortes contratações para o staff técnico no ano anterior, trazendo nomes como Bob Bell (ex-Renault), Aldo Costa (ex-Ferrari), e Geoff Willis (ex-Red Bull), além de contar com a liderança e a grande experiência de Ross Brawn na chefia de tudo isso. O trio foi responsável pelo projeto do W03, que deixou muito a desejar.

Apesar do triunfo na China, onde se viu um enorme domínio de Nico Rosberg, a equipe germânica não conseguiu mais repetir a performance e foi perdendo terreno para as rivais, mesmo em um ano em que a imprevisibilidade foi marca registrada na F1. O time chefiado por Brawn simplesmente não conseguiu se aproveitar do momento. Os únicos - e poucos - brilharecos do ano, depois da conquista do filho de Keke em Xangai, ficaram por conta de Michael Schumacher.

O heptacampeão cravou uma pole espetacular e surpreendente em Mônaco. Porém, evidenciando que o ano não era mesmo dos prateados, teve de cumprir uma punição dada ainda na corrida anterior, na Espanha, por conta de um acidente com Bruno Senna. Em vez de sair da ponta do grid, Schumacher partiu apenas em sexto. Depois, em Valência, no GP da Europa, Michael se viu em terceiro após uma confusão entre Lewis Hamilton e Pastor Maldonado nas voltas finais. Foi o primeiro e único pódio do maior vencedor da F1 em seu retorno pela Mercedes.
Sede: Brackley, Inglaterra
Carro: W04
Motor: Mercedes
Principais dirigentes: Ross Brawn
Toto Wolff
Niki Lauda
Piloto de teste: Não tem
Em 2012: 5º colocada no Mundial de Construtores (142 pontos)
Melhor tempo em Jerez: 1min18s766
(Nico Rosberg, 8º)
Melhor tempo em Barcelona: 1min20s130
(Nico Rosberg, 1º)
Avaliação Warm Up:
Nico Rosberg dominou a última semana de testes, em Barcelona, e mostrou que a Mercedes pode mesmo ter acertado a mão no W04. (Foto: Paul Gilham/Getty Images)
Daí para frente, a vida da esquadra alemã se tornou cada vez mais difícil, enquanto se via distante das três grandes ― Red Bull, McLaren e Ferrari ― ainda tinha de enfrentar a ascensão cada vez maior da Lotus. A Mercedes chegou ao ponto de temer Williams e Force India e não raro ser superada constantemente pela Sauber. Por isso, passada metade da temporada, o time passou a investir no projeto de 2013. No fim, sem grandes desempenhos, a escuderia tedesca fechou a temporada com uma quinta colocação amarga e com 142 pontos, distantes 318 da Red Bull, a campeã, e 161 da Lotus, a quarta colocada.

Apesar dos problemas na pista e do descrédito crescente quanto à gestão, a Mercedes acabou sendo a protagonista da maior e mais badalada contratação da temporada em 2012. Primeiro, é importante dizer que, neste momento da temporada, o corneteiro Niki Lauda passou a ser um papel também de liderança no time, quando foi chamado para assumir um cargo diretivo, mas não-executivo, tendo como função formar um elo mais transparente entre a equipe e a direção da montadora.

E foi pela intervenção do austríaco, três vezes campeão da F1, que o acordo com Lewis Hamilton foi selado. O inglês, filhote eterno da McLaren, decidira deixar o ninho e aceitar o desafio de levantar o time alemão. Lewis assinou um contrato de três temporadas pelo valor estimado de US$ 200 milhões. O peso da contratação reflete bem a expectativa que a Mercedes deposita no trabalho do campeão de 2008, que acabou também aposentando Schumacher.

Mas as mudanças na equipe não pararam por aí. Norbert Haug, principal responsável pela entrada da marca na F1, via fornecimento de motores para a McLaren, e um dos cabeças do projeto da equipe no Mundial, não suportou a falta de resultados e sucumbiu à pressão, anunciando seu desligamento do time em dezembro passado.

Em busca de renovação também, a cúpula da fabricante germânica, então, foi buscar na Williams um novo elemento de liderança: Toto Wolff. O ex-piloto e bem-sucedido executivo, que fez um trabalho muito elogiado nos bastidores ao organizar a Williams ― equipe da qual tem ações ―, aceitou o desafio na Mercedes.

E é assim que a equipe prateada inicia 2013. Contratações de peso, que se transformaram na esperança de recolocar o time no caminho das vitórias. E, se a pré-temporada servir mesmo como parâmetro, a Mercedes está muito bem. A última semana de testes, em Barcelona, mostrou que a equipe pode mesmo ter acertado a mão no W04.

Lewis Hamilton, agora mais ambientado ao time, desceu a bota no penúltimo dia, enquanto Nico Rosberg cravou a marca mais rápida da semana. Excetuando os problemas mecânicos da primeira bateria de testes em Jerez de la Frontera, no início de fevereiro, a Mercedes não mais se viu diante de falhas. Ao contrário, a esquadra mostrou consistência e provou que a confiabilidade deve ser o ponto forte para 2013.
 
Pilotos
9. Nico Rosberg
 
Nascimento: 27 de junho de 1985, Wiesbaden, Alemanha
(27 anos)
Carreira na F1: 128 GPs
1 vitória
7 pódios
1 pole
4 voltas mais rápidas
399,5 pontos
Melhor resultado: 7º lugar em 2009, 2010 e 2011
Avaliação Warm Up:

Nico Erik Rosberg encara em 2013 a oitava temporada na F1 e talvez a mais difícil de todas. Experiência não lhe falta mais. O alemão, que no ano passado venceu pela primeira vez no Mundial, tem boa reputação. O piloto de 27 anos é muito veloz e consistente, erra pouco e vai à luta quando é necessário. Então, o que falta ao filho de Keke para, enfim, deslanchar na F1? Carro. Provavelmente.

Sempre que teve nas mãos uma máquina rápida, Nico não deixou a desejar. A prova maior é o desempenho impecável que teve em seu triunfo na China no ano passado. Além disso, não se mostra um piloto imaturo ou com dificuldades para liderar um time. Afinal, encarou Schumacher, uma parceria das mais indigestas, e venceu.

Durante o tempo em que teve o heptacampeão na mesma garagem, Rosberg nunca se abateu e conseguiu andar à frente, e muito à frente em diversas ocasiões, do heptacampeão. Alguns podem dizer: sim, mas Schumacher não estava mais no auge da forma. E é verdade, mas a simples presença do maior vencedor de todos os tempos da F1 não é uma situação das mais tranquilas. Ainda assim, Rosberg não se abateu.

Porém, a situação em 2013 parece bem mais complicada. Apesar do aparente bom carro da Mercedes, Rosberg vai ter de lidar com a presença de Lewis Hamilton como companheiro. E esse, sim, no auge da forma, pode ser um adversário dos mais difíceis. Mesmo amigos fora das pistas, será interessante ver como ambos vão se comportar em uma parceria muito mais competitiva e próxima.
10. Lewis Hamilton
 
Nascimento: 7 de janeiro de 1985, Tewin, Inglaterra
(28 anos)
Carreira na F1: 110 GPs
21 vitórias
49 pódios
26 poles
12 voltas mais rápidas
913 pontos
Melhor resultado: Campeão Mundial em 2008
Avaliação Warm Up:

Lewis Carl Davidson Hamilton tomou a decisão mais surpreendente dos últimos anos na F1. Cria da McLaren, o inglês decidiu em 2012 colocar um ponto final na estreita ligação que tinha com uma das mais tradicionais equipes do grid e um time que o ajudou durante grande parte da carreira e que proporcionou a estreia no Mundial, além da conquista do título em 2008. Buscando liberdade e novos desafios – além de mais grana –, escolheu a Mercedes como nova casa para cuidar da própria vida e crescer longe das asas e da proteção quase paternal de Ron Dennis e Martin Whitmarsh.

E como diz a sabedoria popular: grandes poderes trazem também grandes responsabilidades. Hamilton agora é dono dos próprios passos e é visto, claro, como a referência na Mercedes. É dele o trabalho de recolocar a equipe alemã nos trilhos e fazer dela um time vencedor, capaz de brigar de igual para igual com o top-3: Red Bull, McLaren e Ferrari. E encarar sem maiores complicações a cada vez mais surpreendente e atrevida Lotus.

Mesmo ainda sendo uma incógnita o verdadeiro desempenho da Mercedes para a temporada 2013 da F1, é difícil não colocar Hamilton na briga. Basta ver que, mesmo em 2010 e 2011, anos em que a McLaren deixou a desejar, o britânico sempre incomodou e nunca ficou longe das vitórias. O estilo arrojado e intempestivo são as armas de Lewis. E a previsão vem dos próprios rivais. Fernando Alonso inúmeras vezes colocou e ainda coloca Hamilton como um dos principais concorrentes ao título deste ano. E deve ter razão.
 

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