Edição 36
Março/2013

Equipes: Infiniti Red Bull Racing

Apesar de não ter conseguido voltas rápidas nos testes de inverno, o time austríaco pode apenas estar escondendo o jogo. Não há razão para duvidar do conjunto que está dominando a F1

RENAN DO COUTO, de São Paulo
 
e teve uma coisa que a Red Bull não mostrou nesta pré-temporada foi performance para uma volta rápida. Mas isso não é surpresa. Nos últimos anos, os rubrotaurinos seguiram o mesmo expediente, e o resultado é conhecido: Sebastian Vettel é o atual tricampeão. Não há razão para duvidar do conjunto que está dominando a F1.

No resultado combinado da última bateria de treinos coletivos em Barcelona, Vettel foi o 11º colocado, e Mark Webber, o 14º. Resultados de pouca expressão para um time que liderou apenas um de 12 dias de testes. O que a Red Bull mais fez nas oportunidades que teve para colocar o RB9 na pista foram simulações de corrida e avaliações aerodinâmicas – esse, aliás, é o ponto forte dos carros construídos em Milton Keynes.

Apesar do histórico de esconder o jogo, Vettel, pelo menos no tom de sua fala, não demonstrou muito otimismo com o desempenho da pré-temporada. “Nunca tivemos um teste de inverno tão inconclusivo como este”, disse Vettel em entrevista à Sky Sports da Inglaterra após o encerramento dos testes.

O alemão ficou insatisfeito com o desgaste dos novos pneus fabricados pela Pirelli – compostos projetados justamente para apresentarem uma durabilidade menor do que a registrada em 2012. “Os pneus duravam, no máximo, uma volta – isso poder ser diferente para algumas pessoas, dependendo da temperatura que você é capaz de criar – então eu acho que é impossível ler o ritmo do carro, e, portanto, apontar os favoritos”, discorreu.

Por outro lado, o tricampeão destacou também pontos positivos e disse que vê a Red Bull “em uma boa forma”. O alemão não se deparou com grandes problemas. Os pneus foram mesmo o fator limitador. “Às vezes, era extremamente difícil ler as mudanças no acerto e encontrar uma direção, porque os pneus eram sempre bem desafiadores.”
Sede: Milton Keynes, Inglaterra
Carro: RB9
Motor: Renault
Principais dirigentes: Christian Horner
Adrian Newey
Dietrich Mateschitz
Helmut Marko
Piloto de teste: Sébastien Buemi
Em 2012: Campeã Mundial de Construtores (460 pontos)
Melhor tempo em Jerez: 1min18s565
(Sebastian Vettel, 5º)
Melhor tempo em Barcelona: 1min22s129
(Sebastian Vettel, 12º)
Avaliação Warm Up:
Sebastian Vettel gostou do novo carro, mas sentiu muitas dificuldades com os compostos da Pirelli: "Às vezes, era extremamente difícil ler as mudanças no acerto e encontrar uma direção". (Foto: Mark Thompson/Getty Images/Red Bull)
Segundo piloto, Mark Webber não está pessimista com relação ao que sentiu de seu carro e dos adversários, apenas cauteloso. O australiano ficou um pouco em cima do muro ao analisar o equilíbrio de forças da F1 2013. “É muito difícil ver algum tipo de ordem. Temos apenas que ficar focados no que fazer. O importante agora é chegar a Melbourne e continuar competindo. Nós temos trabalho a fazer e temos algumas coisas para arrumar, mas a situação é a mesma para todos. Olhando para a primeira corrida, acho que vai ser um GP equilibrado”, avaliou. O veterano acredita que o circuito de Albert Park, na cidade de Melbourne, não mostrará bem a distribuição de forças, dadas suas muitas especificidades. Contudo, na Malásia, os níveis de cada uma das equipes ficarão mais explícitos.

Apesar do tom negativo de Vettel e da precaução de Webber, não há razões para crer que os atuais campeões não estarão em uma boa forma. O principal motivo para crer nisso é o fato de o regulamento técnico do Mundial ter sofrido pequenas alterações. Assim, não só o carro da Red Bull, mas a maioria dos bólidos do grid seguiu uma linha evolutiva, e não criativa, em relação ao ano passado. Tanto é que uma das coisas que mais teve destaque na semana de lançamentos foi a presença ou não de degraus nos bicos dos carros. Só por isso já é possível acreditar que o RB9 terá uma performance que permitirá aos seus pilotos brigarem por vitórias — foram sete no ano de 2012, cinco de Vettel e duas de Webber.

Além disso, todo o conjunto da Red Bull é muito bom. Além de Vettel e todo o seu talento, o time tem uma dupla de muito sucesso nos bastidores, peças fundamentais para as vitórias recentes: Christian Horner e Adrian Newey. Os dois passaram a trabalhar juntos em 2006, com a chegada do projetista no segundo ano de vida da Red Bull. Horner já é considerado por alguns o melhor chefe de equipe da atualidade. O currículo de Newey, por sua vez, é um dos mais vitoriosos da F1. Antes da Red Bull, já havia conquistado títulos com a Williams e a McLaren, nos anos 1990. Só eles já valem por alguns bons pilotos.

Por trás, outros dois dirigentes atuam fortemente no comando: Helmut Marko e Dietrich Mateschitz. O ex-piloto e atualmente consultor Marko é, basicamente, quem manda no motorsport da Red Bull e comanda o programa de jovens pilotos, que revelou Vettel — e que agora procura o sucessor do alemão, além de também ser um palpiteiro sagaz. Mateschitz nem interfere tanto no dia-a-dia da equipe, mas é o dono da grana. O orçamento dos rubrotaurinos é um dos maiores da F1, senão o maior. Dá para dizer que Horner tem tudo o que precisa para trabalhar. Em troca por todo esse investimento, certamente celebra-se muito na sede da empresa de latinhas energéticas, na Áustria, o enorme retorno de mídia gerado pela F1. Eles ainda ficam no lucro.
 
Pilotos
1. Sebastian Vettel
 
Nascimento: 3 de julho de 1987, Heppenheim, Alemanha
(25 anos)
Carreira na F1: 101 GPs
26 vitórias
46 pódios
36 poles
15 voltas mais rápidas
1.054 pontos
Melhor resultado: Tricampeão mundial (2010, 2011 e 2012)
Avaliação Warm Up:

Sebastian Vettel dispensa apresentações. Mais jovem tricampeão da história da F1, o alemão caminha a passos largos para ser o maior de todos, superando até mesmo o ídolo Michael Schumacher. Obviamente, Seb estará na briga pelo título de campeão dessa temporada. Pode até ser que o carro da Red Bull se mostre fraco ao longo do ano ou que Vettel não viva um 2013 dos mais inspiradores, mas não dá para falar isso antes do GP da Austrália.

E se a Red Bull não figurou entre as primeiras colocadas nos testes de pré-temporada, é porque não se esforçou muito para tal. Para os taurinos, os tempos nos testes de inverno são irrelevantes.

Neste ano, o demolidor de recordes vai buscar o tetracampeonato consecutivo. Se conseguir, tornar-se-á o mais jovem a conquistar o feito. O lendário Schumacher tinha 32 anos em 2001; Vettel completará 26 em julho. Os planos do alemão, certamente, incluem também ganhar posições no ranking dos pilotos mais vitoriosos da história. Bastam seis vitórias para que ele supere as 31 de Nigel Mansell, o quarto maior vencedor. No questo pole-positions, com 36, Seb trabalhará para diminuir a vantagem de Schumacher, recordista com 68, e Ayrton Senna, que tem 65.

Aos 26 anos, qual o limite para este piloto que já colocou seu nome na história e apenas caminha para se firmar entre os maiores de todos? Nem o céu sabe dizer.
2. Mark Webber
 
Nascimento: 27 de agosto de 1976, Queanbeyan, Austrália
(36 anos)
Carreira na F1: 194 GPs
9 vitórias
34 pódios
11 poles
14 voltas mais rápidas
848 pontos
Melhor resultado: 3º colocado em 2010 e 2011
Avaliação Warm Up:

Em teoria, 2013 será o último ano para Mark Alan Webber buscar o tão sonhado título do Mundial de F1. Com contrato até o fim desta temporada, o piloto mais velho no grid disputará sua sétima temporada pela Red Bull, a qual chegou em 2007 para ser companheiro de David Coulthard. Desde então, viveu os melhores dias de sua carreira. Marcou poles, venceu corridas e liderou campeonatos. Só falta mesmo o troféu de campeão mundial para completar seu currículo.

Mas está na cara – e, principalmente, nas palavras – que Helmut Marko, consultor e corneteiro da Red Bull, não está satisfeito com os serviços prestados por Webber há algum tempo. A experiência até conta a favor do oceânico, bem como a opinião de quem manda de verdade na equipe, Dietrich Mateschitz e Christian Horner, de quem é sócio de Mark em uma equipe da GP3. Só que foi o olhar clínico de Marko que trouxe Vettel ao time.

Diante do aparente equilíbrio de forças entre as cinco equipes mais fortes do grid, e graças à má fase do fim de 2012, Webber não parece ter estofo suficiente para ser um dos candidatos ao título. Novamente em termos teóricos, Mark fica, no mínimo, em um nível abaixo dos cinco campeões mundiais que estarão na pista. Chances reais, mesmo, ele tem de se tornar o 33ª da história a alcançar os dois dígitos no número de vitórias. Precisa só de uma.

O título mundial, então, parece mesmo um sonho distante.
 

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