Edição 36
Março/2013

Equipes: Sauber F1 Team

Após o desmanche da dupla e a saída do fundador, a escuderia que quase venceu no ano passado vem renovada e crê em evolução com um carro ótimo e um piloto excelente

FELIPE GIACOMELLI, de São Paulo
 
Sauber brilhou na temporada 2012 da F1 quando, com um carro bem projetado, conquistou quatro pódios e chegou até mesmo a brigar pela vitória no GP da Malásia, com o jovem Sergio Pérez. Por causa disso, a reformulação pelo qual o time passou nos últimos meses não foi muito bem vista pelos torcedores da escuderia suíça.

O primeiro a ir embora de Hinwil foi o próprio Pérez, que acabou contratado pela McLaren para substituir Lewis Hamilton. Depois, foi a vez do diretor-técnico James Key – principal responsável pelo sucesso do projeto do ano passado – deixar o time para se juntar à Toro Rosso. Por fim, nem mesmo o ultrapopular Kamui Kobayashi conseguiu manter a vaga. Sem patrocinadores, o nipônico acabou chutado, mesmo tendo subido ao pódio no GP do Japão com um histórico terceiro lugar.

Mas a verdade é que há algum preconceito com essa reestruturação. Embora a Sauber tenha perdido boa parte do que deu certo no campeonato passado, a escuderia chega a 2013 tão forte quanto do que estava em 2012. O desempenho durante os treinos coletivos comprova isso.

Em 2012, Pérez havia sido o segundo mais rápido na última semana de treinos coletivos, em Barcelona, enquanto Kobayashi havia liderado todos os 24 carros do grid na mesma pista catalã, uma semana antes. Dessa vez, Nico Hülkenberg manteve o bom desempenho. O germânico terminou com a terceira colocação após a primeira semana em Montmeló e caiu para sexto nas atividades realizadas no início do mês de maio.
Sede: Hinwil, Suíça
Carro: C32
Motor: Ferrari
Principais dirigentes: Monisha Kaltenborn
Peter Sauber
Matt Morris
Piloto de teste: Robin Frijns
Em 2012: 6ª colocada no Mundial de Construtores (126 pontos)
Melhor tempo em Jerez: 1min18s669
(Esteban Gutiérrez, 6º)
Melhor tempo em Barcelona: 1min21s541
(Nico Hülkenberg, 6º)
Avaliação Warm Up:
Nico Hülkenberg é uma aposta da Sauber, que abriu mão dos Ienes de Kamui Kobayashi para contar com seu talento. (Foto: Mark Thompson/Getty Images)
Assim, embora não tenha liderado nenhum dia, Hülk mostrou que tem todas as condições de manter o bom trabalho feito por Pérez e por Kobayashi em 2012. Aliás, o germânico precisa mostrar bons resultados neste campeonato, como uma forma de deixar para trás toda a desconfiança por ter sido contratado para substituir o piloto japonês, um dos favoritos dos fãs.

O que precisa ficar claro é que, embora Kobayashi tenha feito uma campanha pela internet para juntar o dinheiro necessário para continuar na F1, a chegada de Hülkenberg não está vinculada a nenhum patrocinador, pelo contrário. A Sauber só arrancou o alemão da Force India porque acredita ser capaz de manter a boa fase com o germânico em um dos seus carros, e não o asiático. O desempenho de Nico no GP do Brasil do ano passado, quando quase venceu antes de se envolver em um acidente com Lewis Hamilton, aponta que o time suíço tomou a decisão correta.

Quanto ao segundo piloto, o time optou por Esteban Gutiérrez. Como a escuderia construiu uma ligação com as empresas mexicanas do bilionário Carlos Slim por causa da chegada de Sergio Pérez há alguns anos, a promoção do terceiro colocado da GP2 de 2012 à vaga de titular acabou sendo um passo natural. É claro que houve pressão dos patrocinadores, mas o novato já mostrou nas categorias de base que tem todas as condições de fazer um bom trabalho na F1.

Por fim, a Sauber ainda abocanhou Robin Frijns, campeão da World Series no ano passado. O holandês, conhecido como um dos pilotos mais promissores da nova geração, vai ocupar a função de reserva em 2013 e busca o orçamento necessário para competir na GP2 para não ficar parado durante o ano.

Com o time reformulado, a nova chefona da escuderia, Monisha Kaltenborn, evitou fazer previsão de resultados para 2013, mas disse que quer a equipe mais forte do que na temporada passada. “Quanto às expectativas, eu posso dizer que essa é uma pergunta delicada de se responder. Mas posso falar que estamos bem preparados, que temos um bom carro, vindo de um campeonato competitivo no ano passado, e que já temos nossas metas de desempenho traçadas”, disse. “Não estamos falando que queremos terminar o ano nesta ou naquela posição. O que queremos é continuar com essa curva de evolução.”
 
Pilotos
11. Nico Hülkenberg
 
Nascimento: 19 de agosto de 1987, Emmerich am Rhein, Alemanha
(25 anos)
Carreira na F1: 39 GPs
1 pole
1 volta mais rápida
85 pontos
Melhor resultado: 11º colocado em 2012
Avaliação Warm Up:

Nicolas Hülkenberg chega à Sauber com a complicada missão de substituir Kamui Kobayashi. Não somente na pista, pois em dois anos na categoria o piloto germânico já mostrou ter mais qualidade, mas principalmente nos corações dos torcedores acostumados com o carisma do asiático nas entrevistas misturado ao seu arrojo ao volante.

Para piorar, a adaptação à equipe suíça não foi fácil. Por ter mais de
1,80 m de altura, seu pé não cabia no cockpit, o que o deixava desconfortável. A solução foi cortar um pedaço da sapatilha do piloto para algum espaço. A mudança deu resultado, e Hülk terminou as duas baterias de treinos coletivos em Barcelona entre os seis primeiros.

O desafio agora vai ser manter o bom desempenho durante a temporada. Caso a Sauber novamente tenha um carro competitivo, como em 2012, Hülkenberg já mostrou ser um forte candidato a beliscar alguns pódios durante o ano. Os desempenhos nos GPs da Bélgica, quando brigou pelo pódio, e do Brasil, quando quase venceu, o colocam como alguém tão ou ainda mais capaz que Sergio Pérez para guiar a equipe a bons resultados.
12. Esteban Gutiérrez
 
Nascimento: 5 de agosto 1991, Monterrey, México
(21 anos)
Carreira na F1: Estreante
Avaliação Warm Up:

Após dois anos na GP2, principal categoria de acesso à F1, já era natural que Esteban Manuel Gutiérrez começasse a ser especulado na principal categoria do automobilismo mundial. Até porque ele faz parte da equipe Sauber desde o fim de 2008, quando conquistou o título da F-BMW Europeia e se aproximou graças à parceria então existente entre a montadora com a equipe suíça. Por isso, de certa forma, é uma injustiça dizer que ele conseguiu uma vaga em 2013 apenas devido aos patrocinadores mexicanos, presentes no time há dois anos por causa de Sergio Pérez.

Porém, mesmo tendo disputado duas temporadas na GP2, Gutiérrez ainda não empolgou nem deslanchou. Nesse tempo todo, o mexicano conquistou apenas quatro vitórias em 42 corridas e jamais se colocou na briga pelo título. É claro que demonstrou algum talento nesse tempo, mas na hora de definir a promoção à F1, a pressão dos investidores do México foi o melhor argumento de persuasão para a Sauber garanti-lo no grid.

Com isso, 2013 se torna um ano de aprendizado para Guitérrez. Compará-lo a Pérez nesse momento da carreira é uma injustiça tremenda, ainda mais pelo bom desempenho do compatriota no ano passado. Assim, talvez a melhor opção seja uma disputa com Valtteri Bottas, antigo companheiro de equipe nas categorias menores, e que agora também estreia na F1, pela Williams.
 

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