Edição 36
Março/2013

Equipes: Scuderia Toro Rosso

A aposta da equipe está nos bastidores: James Key, projetista visto como discípulo de Adrian Newey. A dupla é a mesma, mas o carro parece ter dado um belo salto de qualidade

JULIANA TESSER, de São Paulo
 
Toro Rosso inicia 2013 com uma meta audaciosa. Depois de somar 26 pontos na temporada passada e ficar com a nona colocação no Mundial de Construtores, a esquadra de Faenza planeja ganhar três posições na tabela e fechar a temporada com o sexto lugar. Difícil? A julgar pelos últimos anos, bastante.

Apenas em um ano a Toro Rosso realizou o sonho de ser grande na F1. À época, o time contava com uma dupla bastante consistente formada por Sébastien Bourdais e ele, Sebastian Vettel. E claro, foi pelas mãos de Vettel que a escuderia italiana, oriunda da gloriosa Minardi, faturou sua única e histórica vitória na categoria. Logo em Monza, debaixo de chuva, Vettel iniciou seu reinado na F1 e alcançou um triunfo mitológico.

A partir daí, a estrela de Vettel brilhou de maneira mais intensa a cada dia e foi promovido a titular da Red Bull no ano seguinte. Por outro lado, a prima pobre taurina não acompanhou o mesmo ritmo, obtendo apenas resultados medianos com o igualmente mediano Sébastien Buemi e o ótimo Jaime Alguersuari.

Por isso, em 2012, Dietrich Mateschitz, Helmut Marko e Franz Tost decidiram não deixar pedra sobre pedra em Faenza e mudaram tudo. Primeiro foi a dupla de pilotos: Buemi e Alguersuari deixaram o barco e foram substituídos pelos promissores Daniel Ricciardo e Jean-Éric Vergne, ambos de grande histórico na F3 Inglesa e apoiados pela Red Bull desde a base.
Sede: Faenza, Itália
Carro: STR8
Motor: Ferrari
Principais dirigentes: Franz Tost
James Key
Piloto de teste: Não tem
Em 2012: 9ª colocada no Mundial de Construtores (26 pontos)
Melhor tempo em Jerez: 1min18s760
(Jean-Éric Vergne, 7º)
Melhor tempo em Barcelona: 1min23s223
(Jean-Éric Vergne, 19º)
Avaliação Warm Up:
Vergne e Ricciardo apresentam o STR8 em clima de otimismo. Os testes de inverno indicaram que o belo carro ítalo-taurino é mesmo melhor do que seu antecessor. (Foto: Peter Fox/Getty Images)
Contudo, o ano passado não foi dos melhores. Nem tanto pela inexperiência da boa dupla, mas porque o carro construído em Faenza, o STR7, lembrou os bólidos dos tempos de Giancarlo Minardi e decepcionaram. Uns brilharecos aqui e acolá, mas só, nada mais. A classificação no Mundial de Construtores reflete bem o quão decepcionante foi o ano dos italianos na F1.

Mas 2013 traz uma chave-mestra para mudar a situação. Com o objetivo de figurar bem posicionada entre as equipes do meio do pelotão, a Toro Rosso, chefiada por Franz Tost, apostou no talento e potencial de James Key, quiçá o novo mago da aerodinâmica da F1. Key, que segue a mesma linha de Adrian Newey, o gênio por trás dos supervencedores carros da Red Bull tricampeã mundial.

Key vai tocar o processo de evolução do STR8 – que já tinha sido feito antes de sua chegada – em Faenza, um carro que mostrou logo em sua apresentação linhas mais bonitas e harmônicas que o Red Bull RB9 de Newey. Beleza e harmonia não bastam e não vencem corrida na F1, mas a nova Toro Rosso desempenhou bom papel na pré-temporada. De qualquer forma, o clima de otimismo dentro dos boxes da escuderia italiana e a impressão deixada por Ricciardo e Vergne indicam que o belo carro ítalo-taurino é mesmo melhor do que seu antecessor. Bastante equilibrado, o bólido aponta para uma linha ascendente ao longo da temporada.

Pelo segundo seguido, Ricciardo e Vergne formarão a dupla do time. O australiano, grande aposta do programa de desenvolvimento de pilotos da Red Bull, foi batido pelo companheiro de equipe no ano passado por uma diferença de seis pontos e agora precisa reunir forças para mostrar um desempenho melhor. Agora mais experiente do que em sua estreia no Mundial, Vergne se sente mais preparado para lutar pelas posições intermediárias e, mais uma vez, superar o companheiro de equipe.

2013, aliás, será um ano chave para a dupla. Com Mark Webber garantido na Red Bull somente até o fim do ano, Vergne e Ricciardo precisam mostrar um bom serviço se quiserem entrar na briga pela vaga ao lado de Sebastian Vettel. O tricampeão, por sua vez, é fonte de inspiração dos jovens competidores, que buscam repetir o feito do rubro-taurino e colocar a Toro Rosso de volta ao topo do pódio após quase cinco anos.
 
Pilotos
18. Jean-Éric Vergne
 
Nascimento: 25 de abril de 1990, Pontoise, França
(22 anos)
Carreira na F1: 20 GPs
16 pontos
Melhor resultado: 17º colocado em 2012
Avaliação Warm Up:

Jean-Éric Vergne trilhou um caminho muito parecido ao de Daniel Ricciardo até chegar à F1. Campeão da F3 Inglesa em 2011, o gaulês realizou uma temporada na World Series para ganhar ritmo de corrida. No fim daquele ano, veio a chance de participar do teste de novatos com a Red Bull. Vergne não fez feio.

Apesar da inexperiência e do difícil início de temporada da esquadra de Faenza, o francês conseguiu se destacar frente ao parceiro e fechou o ano com seis pontos a mais que o australiano. Um bom começo, ainda mais levando em conta que notoriamente a Red Bull sempre apostou mais fichas em Ricciardo.

Mas sua atuação não teve grande destaque, até porque o STR7 não foi um bom carro. Mas serviu para garantir sua vaga na equipe por mais um ano. Também esperando a aposentadoria de Mark Webber, Jean-Éric espera contar com a experiência acumulada ao longo de uma temporada para despertar o interesse dos dirigentes da Red Bull. Do contrário, se nem Vergne ou Ricciardo agradarem a cúpula taurina, há outro nome ali na espreita, doidinho para subir para a F1 em 2014. Seu nome? António Félix da Costa.
19. Daniel Ricciardo
 
Nascimento: 1º de julho de 1989, Perth, Austrália
(23 anos)
Carreira na F1: 31 GPs
10 pontos
Melhor resultado: 18º colocado em 2012
Avaliação Warm Up:

Cria do programa de desenvolvimento de pilotos da Red Bull, Daniel Ricciardo iniciou sua passagem pela F1 em 2011, como piloto de testes da Toro Rosso. No meio da temporada, a empresa dos energéticos agiu e, por meio de uma parceira financeira com a HRT, o colocou como titular e lhe deu a chance de disputar 11 GPs com a agora falida equipe espanhola.

Em seu primeiro ano no Mundial, Ricciardo mostrou um desempenho consistente, o que lhe garantiu uma vaga como titular na STR. Colocado ao lado de Jean-Éric Vergne — outro pupilo dos fabricantes de bebidas — em 2012, Daniel foi superado pelo companheiro, que fechou o Mundial com o 17º posto, uma posição a sua frente e com seis pontos a mais na classificação.

A performance da dupla, entretanto, satisfez a cúpula da equipe, que optou por apostar novamente em ambos. De olho na vaga da Red Bull, Ricciardo terá de mostrar serviço se quiser continuar como menina dos olhos de Helmut Marko, consultor do time. Capacidade ele tem, mas sob pressão, costuma falhar. E, se não evoluir, a guilhotina de Marko será implacável.
 

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