Edição 36
Março/2013

Equipes: Williams F1 Team

Depois do renascimento de 2012, o objetivo do time é seguir crescendo. Para isso, o FW35 trouxe mudanças aerodinâmicas importantes e controversas, como o sistema de escapamentos

FERNANDO SILVA, de Sumaré
 
tradicional Williams teve em 2012 um ano histórico. Não, evidentemente, de tantas glórias e títulos quanto nos tempos de Nigel Mansell e Nelson Piquet, mas, sim, uma temporada de renascimento. Motivo de chacota e até pena em 2011, quando somou parcos cinco pontos no pior Mundial de sua história, a esquadra de Grove renasceu e, após quase oito anos, escreveu novamente seu nome na galeria dos vencedores da F1.

A última temporada começou com a reedição de um casamento muito bem-sucedido com a Renault. A parceria com a fornecedora francesa de motores rendeu os melhores e mais vitoriosos anos da história da Williams, que fez Mansell, Alain Prost, Damon Hill e Jacques Villeneuve campeões na década de 90. Em clima de flashback, Sir Frank Williams viu, depois de 18 anos, um outro Senna sentar em um dos seus carros. Bruno, o sobrinho, porém, não foi lá grande coisa.

O grande nome da Williams em 2012 foi mesmo Pastor Maldonado. O venezuelano sempre se mostrou bastante rápido e agressivo — às vezes, agressivo até demais, chegando a ser estabanado em alguns momentos —, e seu estilo de pilotagem foi próximo do ‘win or wall’. Há quem goste, há quem odeie. Mas Pastor, cheio de personalidade, foi o responsável por colocar novamente a Williams no alto do pódio e, principalmente, quem fez o velho Frank sorrir.

Para 2013, a Williams fez aquilo que já se esperava: manteve Maldonado e seu parrudo patrocínio da PDVSA, deu cartão vermelho para Senna — que se mudou de mala e cuia para a Aston Martin no WEC —, substituído por Valtteri Bottas. Pela primeira vez na carreira como piloto de F1, Pastor terá a responsabilidade de liderar a equipe, enquanto o novato finlandês, reconhecido talento campeão da GP3 em 2011, mas sem correr desde então, sabidamente terá um ano de aprendizado.
Sede: Grove, Inglaterra
Carro: FW35
Motor: Renault
Principais dirigentes: Frank Williams
Mike Coughlan
Xevi Pujolar
Piloto de teste: Susie Wolff
Em 2012: 8ª colocada no Mundial de Construtores (76 pontos)
Melhor tempo em Jerez: 1min19s851
(Valtteri Bottas, 17º - com carro de 2012)
Melhor tempo em Barcelona: 1min22s415
(Pastor Maldonado, 10º)
Avaliação Warm Up:
Pastor Maldonado, Valtteri Bottas e a pilota reserva Susie Wolff no lançamento do FW35 em Barcelona. Para o venezuelano, "é o melhor carro" que já pilotou. (Foto: Paul Gilham/Getty Images)
Neste ano que se inicia, pode-se dizer que a Williams começou de forma bastante promissora. O FW35, que manteve o azul e branco como cores principais, trouxe mudanças aerodinâmicas importantes e controversas, como o sistema de escapamentos. A FIA, de olho nas mutretas desta pré-temporada, ficou de olho e pediu para mudar, sendo prontamente atendida pelos comandados de Mike Coughlan.

De qualquer forma, o novo bólido nascido em Grove foi considerado, segundo Pastor, “o melhor carro que já tive na vida”. Bottas, embora seja bem mais contido que o colega finlandês, também ficou muito satisfeito com seu primeiro carro como titular na F1. Ainda que na pré-temporada, em termos de tempos de volta, a Williams tenha sido apenas discreta, também é inegável que o novo FW35 apresentou bom ritmo e equilíbrio, tanto em voltas de classificação quanto em simulações de corrida.

Mas às vésperas do Mundial, a Williams sofreu um duplo baque com duas mortes: as de Hugo Chávez e Virginia Williams. O presidente da Venezuela mereceu até um comunicado de condolência do time britânico, e seu passamento coloca em xeque o futuro de Maldonado e dos demais pilotos apoiados pelas empresas estatais daquele país, caso Nicolás Maduro não seja confirmado mandatário nas eleições que estão por vir. Virginia era a mulher e companheira de uma vida toda de Frank e perdeu a batalha de 2 anos e meio contra um câncer aos 66 anos.

A Williams espera honrar a memória de ambos na pista partindo de seu renascimento no ano passado. 2013 promete muito mais para o time de Grove. Pode anotar.
 
Pilotos
16. Pastor Maldonado
 
Nascimento: 9 de março de 1985, Maracay, Venezuela
(28 anos)
Carreira na F1: 39 GPs
1 vitória
1 pódio
1 pole
1 volta mais rápida
46 pontos
Melhor resultado: 15º colocado em 2012
Avaliação Warm Up:

Estrela ascendente do automobilismo latino-americano, Pastor Rafael Maldonado Notta chega para sua terceira temporada na F1 mais experiente e recebendo mais atenção dos rivais. Garantido na Williams graças ao patrocínio da estatal venezuelana PDVSA, Pastor perdeu seu maior apoiador, o presidente Hugo Chávez.

Obviamente, Maldonado, assim como Sergio Pérez, provou que, independente de ter um grande patrocinador, merece estar na F1. A vitória em Montmeló apenas comprovou o que é capaz de fazer. E ainda pode fazer muito mais.

Mas para ter um desempenho melhor, Maldonado precisará ser mais cerebral. Reconhecidamente um dos melhores pilotos do grid em ritmo de classificação, o venezuelano tem como principal missão ser mais constante e cabeça fria em corridas.

Mais vivido e ciente do que precisa melhorar, Maldonado chega em 2013 com a obrigação de conquistar resultados melhores. Carro para isso, parece que ele tem, já que o FW35 indica ser bem-nascido e cheio de potencial.
17. Valtteri Bottas
 
Nascimento: 28 de agosto de 1989, Nastola, Finlândia
(23 anos)
Carreira na F1: Estreante
Avaliação Warm Up:

Depois de um ano de espera, 15 participações em treinos livres de sextas-feiras pré-GP e outros tantos testes ao longo de 2012, finalmente Valtteri Bottas foi alçado ao posto de piloto titular da Williams na F1. Durante toda a temporada passada, o jovem finlandês foi visto ao lado do padrinho Toto Wolff, que foi o principal artífice da sua contratação pelo time de Grove.

Porém, logo que Bottas virou titular, Wolff deixou os boxes da equipe e se mudou para a Mercedes, embora ainda seja acionista da Williams. Fato é que Valtteri ficou meio vendido, sem eira e nem beira. Sem o defensor ali ao lado, o nórdico terá de se virar sozinho na cova de leões que é a F1, embora tenha levado para a equipe alguns patrocinadores importantes, como fizeram Bruno Senna no ano passado.

Mas o menino Bottas é talentoso, disso não há dúvidas. Primeiro campeão da história da GP3, o finlandês deu um salto raríssimo nos dias de hoje ao chegar à F1 sem necessariamente passar pela GP2. Nas vezes em que testou pelo time, não comprometeu. Pelo contrário, mostrou bom rendimento. Mas pesa contra Valtteri o fato que desde 2011 ele não sabe o que é corrida, e isso pesa muito quando o assunto é F1 e todo mundo já chega azeitado. Bottas, não, e o jovem pode sentir essa falta de ritmo.

Entretanto, o nórdico terá um ano de aprendizado pela frente. Caso haja paciência dentro da Williams para lapidar o garoto, a F1 pode ter no futuro um novo ‘homem de gelo’. É esperar e ver.
 

Comentários

Matéria anterior

Equipes: Force India
A grande questão está na saúde financeira, pois Vijay Mallya enfrenta problemas econômicos
por Juliana Tesser
Próxima matéria

Equipes: Toro Rosso
A dupla de pilotos é a mesma, mas o carro parece ter dado um belo salto de qualidade
por Juliana Tesser