Edição 36
Março/2013

Mudar ainda não é preciso

Em temporada de transição, F1 inicia 2013 com poucas alterações técnicas, como o banimento do DRS duplo e a possibilidade de um painel cosmético, e desportivas, com 22 carros no grid

JULIANA TESSER, de São Paulo
A proibição do sistema de arrasto aerodinâmico duplo fez a Mercedes mudar o projeto de sua asa traseira. Além disso, o DRS agora só será ativado nos treinos em pontos pré-determinados. (Foto: Xavi Bonilla/Grande Prêmio)
2013 é um ano de transição para a F1. A temporada que se inicia no dia 17 de março com o GP da Austrália, em Albert Park, antecede uma grande mudança no regulamento do Mundial, que vai adotar motores V6 turbo a partir de 2014.

Ciente dessa condição transitória, a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) não promoveu grandes alterações nos regulamentos técnico e desportivo da F1, mas alguns aspectos pontuais foram modificados.

A diferença mais gritante aos olhos do espectador diz respeito ao número de equipes que vai alinhar no grid da categoria. Com a falência da HRT, a F1 passa a contar com 22 carros, ao contrário dos 24 que estiveram presentes nos últimos três anos. Com isso, diminui também o número de pilotos eliminados no Q1, fase inicial do treino classificatório. A partir de 2013, apenas seis pilotos terão suas posições definidas no Q1, e não oito, como acontecia até então.

Outra clara alteração se refere ao chamado bico ornitorrinco, que foi introduzido pelas equipes em 2012, como forma de atender uma mudança referente à altura dos carros. As escuderias foram autorizadas a inserir um painel para cobrir o degrau, em uma medida de caráter cosmético.
A Ferrari continua com seu 'step-nose', mas agora devidamente maquiado por uma capa autorizada pela FIA. (Arte: Rodrigo Berton sobre fotos Ferrari/Divulgação)
A principal modificação regulamentar diz respeito ao uso da asa móvel. Ao contrário do que acontecia anteriormente, quando os pilotos podiam acionar o DRS em qualquer ponto do traçado durante os treinos livres e a sessão classificatória, a partir de 2013 o uso do dispositivo fica restrito às áreas previamente delimitadas pela FIA, como acontece durante as corridas. Além disso, a federação decidiu banir o DRS duplo da F1.

O peso mínimo dos carros também sofreu uma ligeira alteração. Para atender as novas configurações dos pneus Pirelli, fornecedora única da F1, o peso mínimo dos carros passou para 642 kg, contra os 640 kg anteriores.

Também, a FIA optou por tornar os testes de flexibilidade mais rigorosos em 2013. Depois das suspeitas sobre a regularidade da asa dianteira da Red Bull nas últimas temporadas, a entidade definiu que a asa não pode flexionar mais do que 10 mm verticalmente ao sofrer um teste de carga.

Por fim, outra alteração que será sentida pelo torcedor mais atento diz respeito ao número de provas da temporada. Por conta de problemas contratuais, o GP da América, que será disputado nas ruas de Nova Jersey, foi adiado pelo menos até 2014.

Bernie Ecclestone ainda negociou com os promotores do GP da Turquia para levar a F1 de volta ao país, mas as negociações falharam após o governo local se negar a investir na realização da etapa. A Áustria surgiu como candidata para receber a prova no Red Bull Ring, mas o dirigente não aceitou a proposta, alegando que a região não tem condições de receber um evento deste porte. Desta forma, o GP da Austrália será a primeira das 19, e não 20, paradas da F1 em 2013.
 

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