Edição 40
Julho/2013

Stop & Go: Jacques Villeneuve

“No momento em que uma equipe passa a ter pilotos pagantes, está acabado”

RENAN DO COUTO, de Nürburgring
Hoje comentarista da Sky Sports italiana, canadense esteve em Nürburgring durante as comemorações dos 600 GPs da Williams. (Foto: Jared C. Tilton/Getty Images)
ltimo piloto campeão do mundo com um carro da Williams, Jacques Villeneuve conversou com a REVISTA WARM UP em Nürburgring, na Alemanha, no fim de semana em que a escuderia completou 600 GPs no Mundial de F1. O canadense relembrou o título que conquistou em 1997 e falou da situação atual do time: “No momento em que passa a ter pilotos pagantes, está acabado”.

Revista Warm Up: A Williams está completando 600 GPs. O que isso significa para você?

Jacques Villeneuve: É um time com um passado incrível. Comecei minha carreira aqui, venci o meu primeiro e meu último GP com eles, meu campeonato... Sempre foi uma família e sempre foi um time apaixonado pelo esporte, o que é legal. E Frank Williams já tinha uma equipe antes dessa, começou em 1968 ou 1969 com Piers Courage, então são mais de 600 GPs para ele. É uma história de um time de pilotos. A prioridade sempre foi correr e vencer. Agora isso mudou um pouco, por causa da questão financeira, mas essa sempre foi a prioridade do time.

WUp: Você começou sua carreira com a Williams. Como é a sua relação com a equipe e, especialmente, com Frank Williams?

JV: A relação é muito boa, pois ainda há memórias dos grandes dias. Vencemos o campeonato juntos. Então a nossa relação sempre foi boa e cheia de respeito.

WUp: Você foi o último piloto a ser campeão com a Williams. Como foi isso?

JV: Foi ótimo, pois é um time com história e que já teve grandes campeões antes. Grandes pilotos venceram pela Williams. Nelson Piquet pilotou... Piquet pilotou para a Williams?

WUp: Sim, foi campeão em 1987.

JV: Sim, é claro que sim, claro que ele pilotou. Piquet, Nigel Mansell, Alain Prost, então vencer por um time como esse foi incrível.
“Em curto prazo, não os vejo [Williams] competitivos.
Em longo prazo, talvez, mas em curto prazo, não”
WUp: Qual foi o momento mais especial com a Williams? Imagino que tenha sido o título de 1997, mas teve algum outro?

JV: Definitivamente, mas também teve o primeiro teste, em Silverstone.

WUp: E o pior momento?

JV: Eu diria 1998, porque o carro não era bom como antes. Não era mais desenhado por Adrian Newey, e as novas pessoas tinham de reagir. Deixar de vencer para ficar fora do pódio foi muito duro.

WUp: Quando você foi campeão, podia imaginar que a Williams nunca mais venceria?

JV: Não! Achei que fossem vencer mais. Mas ficou muito difícil. Depois, eles se envolveram com a BMW, e a montadora começou a tomar as decisões. Ali, a Williams perdeu um pouco a mão e agora está sendo complicado recuperar.

WUp: Então a BMW foi o divisor de águas da Williams?

JV: Sim, pois eles começaram a impor pilotos e, quando saíram, o time foi deixado sem patrocinadores. E é muito difícil se recuperar disso.

WUp: Como você avalia a situação da equipe atualmente?

JV: É difícil, muito difícil. Ainda há pessoas incríveis dentro do time, a fábrica é excelente, mas é muito difícil. Eles têm dois pilotos pagantes, e é difícil julgá-los, pois não há um piloto com experiência para desenvolver o carro. Sabemos que Pastor Maldonado é muito rápido, mas vinha cometendo muitos erros. Neste ano, não está mais, mas o carro é mais lento. É difícil para o time se recuperar. Precisa do dinheiro, mas também precisa de pilotos para desenvolver o carro e voltar para voltar a ser competitiva. É uma sinuca de bico.

WUp: Você imagina a Williams voltando a vencer no futuro?

JV: Em curto prazo, não os vejo competitivos. Em longo prazo, talvez, mas em curto prazo, não.

WUp: Por quê? É uma questão de patrocínio ou há algo a mais que precisa ser consertado?

JV: É difícil receber patrocínios quando se tem pilotos pagantes. Esses pilotos não têm uma imagem, como Fernando Alonso. Para ter patrocínios, você precisa de pilotos como Alonso. Mas para isso, é preciso estar vencendo. Então, no momento em que a equipe passa a ter pilotos pagantes, está acabado. É difícil recuperar. Recebe o patrocínio desses pagantes, mas não tem alguém para desenvolver e levar o time para frente.
Villeneuve em 1997, ano em que conquistou o último título mundial da Williams. (Foto: Mike Cooper/Allsport/Getty Images)
 

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