Edição 41
Agosto/2013

Fernando Rees:
Tudo pronto para as 6 Horas de São Paulo

Trazer o ‘espírito de Le Mans’ para o Brasil é o grande desafio para este ano. Um festival de entretenimento destinado a todos os públicos, que vai além de uma corrida de carros

FERNANDO REES, de São Paulo
udo pronto para a segunda edição das 6 Horas de São Paulo. Lembro que o evento, quarta etapa do calendário do Mundial de Endurance (WEC), acontecerá no autódromo de Interlagos no fim de semana de 1º de setembro. O site do WEC indica a inscrição de 32 carros e 90 pilotos para a etapa brasileira, dos quais dois são brasileiros: este que vos escreve, na categoria GTE Am, e Bruno Senna, na GTE Pro. A categoria com o maior número de participantes será a LMP2, com 11 carros, seguido pela GTE Am, com 8 – juntas compõem 60% dos competidores. Ao todo, serão quatro categorias correndo simultaneamente.

Este ano o evento promete ser muito maior do que foi na edição de estreia, em 2012. Naturalmente, a primeira vez é sempre mais complicada e serve como lição sobre o que fazer (ou não fazer) nas próximas. Apesar do sucesso do ano passado, ainda assim muitas lições foram aprendidas e serão colocadas em prática. Em linhas gerais, trazer o ‘espírito de Le Mans’ para o Brasil é o grande desafio para este ano. E o que isso quer dizer? Fazer um grande evento, um festival de entretenimento destinado a todos os públicos, que vai muito além de uma corrida de carros. Trata-se de quebrar aquele padrão de que corrida é um evento para homens. Nas 24 Horas de Le Mans e nas 6 Horas de São Paulo, a intenção é abraçar a todos com múltiplas atrações para crianças, mulheres e para aqueles que não são necessariamente amantes de carros. Obviamente, para os fãs de corrida, não é nem preciso dizer que entretenimento haverá de sobra, com uma etapa da Porsche Cup, corrida da Superbike e, é claro, o evento principal, as 6h de São Paulo.

Os ingressos estão à venda. Aliás, as mudanças com relação ao ano passado começam aí: os preços estão bem mais acessíveis, e existe uma variedade maior de opções. Uma novidade que tem tudo a ver com trazer o espírito de Le Mans ao Brasil é o ‘pacote família’, um ingresso muito acessível para dois adultos e duas crianças para os três dias de evento. Para dimensionar um pouco os valores, a famosa Arquibancada A de Interlagos, na subida a caminho da linha de chegada, sai por R$ 77,00 para o dia da corrida. Já o ingresso de arquibancada mais caro – intitulado Arquibancada VIP – sai por R$ 246,40. Entre esses, existe uma pluralidade de opções. Se não me engano, no ano passado o mais barato custou R$ 140,00 – uma bela diferença.

E falando em ingressos, não posso deixar de comunicar a iniciativa muito bacana de formar a ‘Torcida Corvette’ para este evento. Trata-se de um pacote bem completo de torcedor, que inclui um ingresso especial, uma foto no carro ou na parede dos boxes da equipe Corvette, camiseta e boné da equipe, além do principal: uma credencial única que dá direito a seções de visitação aos boxes da Corvette durante a corrida. Melhor ainda: o preço para essa experiência é excelente! São dois pacotes – um mais simples e um VIP. O VIP, que dá direito à foto no carro, na promoção pelo site ‘Peixe Urbano’ sai por R$ 302,80. O mais simples, com a foto nos boxes, na mesma promoção sai por R$ 138,80. Considerando tudo o que o pacote dá direito, eu diria que vale muito a pena. Nenhum outro ingresso dá acesso à área dentro dos boxes. Sendo assim, aí está mais uma bela iniciativa da organização, promovendo o espírito de Le Mans em Interlagos, levando a interação das equipes com os fãs a um nível que nenhum outro evento do calendário propôs fazer.

Infelizmente, minha coluna é curta demais para detalhar todas as atrações. Gostaria de escrever mais e mais, porque realmente me empolgo em falar sobre isso. Não existe outro evento do tipo no Brasil. Nos demais e principalmente na F1, sempre senti que os fãs são maltratados pelos organizadores. Ficam confinados nas arquibancadas, geralmente em situação de desconforto, e sem interação alguma. A maioria do público, a qual paga uma fortuna por ingressos que mal garantem um lugar para se sentar, não chega nem perto da pista, de um carro ou de um piloto. Ainda assim, a maioria acha que vale a pena, porque Interlagos sempre lota para a F1, mas acho que é mais por falta de uma alternativa. Agora os brasileiros têm uma nova opção, mais acessível, mais respeitável e destinada a todos, sem exclusões. Que venham as 6 Horas de São Paulo!
Foto: Felipe Tesser/Grande Prêmio
 

Comentários

Matéria anterior

O novo mapa dos Sertões
Depois de competir em apenas dois estados em 2013, Rali dos Sertões estuda etapas no Espírito Santo, Minas e Rio
por Evelyn Guimarães
Próxima matéria

Stéphane Peterhansel:
“Prefiro o off-road, porque simplesmente me sinto mais livre”
por Evelyn Guimarães