Edição 42
Setembro/2013

Carro-chefe: DF - Dossiê de Falcatruas

Quanto mais se procura, mais se acha: o autódromo de Brasília é um circuito de irregularidades

VICTOR MARTINS, de São Paulo
(Foto: Duda Bairros/Vicar)
m Brasília, 19h. É quarta-feira, e o autódromo se prepara para encher. No resto da noite, carros vão invadir a reta principal. Nada de uma apresentação especial dos modelos com as bolhas da Stock Car ou do Brasileiro de Marcas para promoção de suas etapas no próximo fim de semana. São os populares, mesmo, Chevettes, Caravans, Gols e tantos outros tipos, tunados, socados no chão, mexidos de alguma forma ou não, protagonistas com seus motoristas vestidos de pilotos. É um show. É a Quarta Show. Um evento que reúne cerca de 8 mil pessoas que vão ao êxtase com os zerinhos, espetáculos pirotécnicos e arrancadas. Que acabam por demarcar e danificar o asfalto antigo da fundação da pista de 1974.

A Quarta Show foi em um momento recente o mais próximo que se teve de esportivo naquele tradicional palco. A CBA, pelos erros da reforma evidenciados pela etapa da Stock Car em maio, e a CBM, pela morte de Vanessa Daya em julho, chegaram a proibir as competições. Mas até a Quarta Show foi banida tempo atrás. Sua permissão e sua atual natureza, bem como as das provas de motos, e como há de ser com as de carros, são cercadas de fatos suspeitos.

E quanto mais se procura, mais se acha e se certifica: o autódromo de Brasília é um circuito de irregularidades. A REVISTA WARM UP investigou o que tem acontecido no entorno do local que pretende sediar o GP do Brasil da MotoGP no segundo semestre de 2014. E encontrou laudos taxativos sobre a condição da pista e conclusões absurdas sobre a fatalidade, em qual se atestam mudanças na cena do acidente, destinos incertos de pagamentos das taxas de uso e até um 'autoduto' de desvios financeiros que envolvem gente da Secretaria de Esportes do DF e que levou a um rombo considerável aos cofres públicos e à desfiliação da federação de automobilismo local – que seguiu um esquema semelhante ao de sua entidade antecessora.

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