Edição 43
Outubro/2013

Estepe: Montoya, a Indy e o Mundo,
13 anos (antes e) depois

Ao anunciar o retorno à Indy em 2014, Juan Pablo Montoya reabriu um empoeirado livro que havia se fechado em 2000 e sido escrito em um universo completamente diferente do atual

HUGO BECKER, de Guarulhos, com arte de BRUNO MANTOVANI
Montoya foi um dos destaques da F1 enquanto esteve na categoria. (Foto: Getty Images)
ocê consegue recordar o que aconteceu de marcante em sua vida no ano 2000? Alguns de nós estávamos terminando o ensino médio, que na época ainda era apenas o colegial. Outros encaravam os primeiros semestres da faculdade, cheios de sonhos e expectativas. Havia também aqueles que conquistavam o primeiro emprego, a primeira namorada, a primeira casa, o primeiro filho... Alguns casaram, outros morreram, muitos sofreram e poucos venceram ao longo dos 366 dias que fecharam a página da história do século 20 e ajudaram a alicerçar o século 21.

Em algum ponto da América, Juan Pablo Montoya era um dos muitos de nós a escrever a própria história a passos largos e velocíssimos rumo ao estrelato. Com 24 para 25 anos, o jovem e magro colombiano era o cara do momento, o nome do presente e do futuro no automobilismo. Depois dos títulos da F3000 em 1998 e da Indy em 1999 – este, no ano de estreia –, JP atingiu em 2000 o ponto máximo de sua carreira: a vitória na 84ª edição das 500 Milhas de Indianápolis, pela Ganassi. O ciclo na categoria estava completo.

De 2001 em diante, a estrela latino-americana ganhou o mundo. Fez considerável sucesso na F1, correndo pelas tradicionais Williams e McLaren, venceu em palcos sagrados como Monza, Interlagos, Mônaco e Silverstone, enfileirou pódios, disputou títulos. Mas a indisciplina o fez deixar a Europa pela porta dos fundos, em 2006, quando foi demitido do time de Ron Dennis no meio da temporada. Depois disso, o colombiano se mandou para a Nascar, reencontrando abrigo na boa e velha América, onde ficou até este ano, sem jamais conseguir títulos.

Aos 38 anos, rico, famoso, bem-sucedido, bem alimentado e bem casado com Connie Montoya, Juan Pablo poderia se aposentar. Mas o colombiano, que ainda não queria ficar em casa, surpreendeu o mundo do automobilismo ao anunciar o retorno à Indy, pela Penske, onde correrá ao lado de Helio Castroneves e Will Power. É a grande chance para que Montoya deixe de ser coadjuvante e volte a ser protagonista.

13 anos depois, no entanto, a categoria norte-americana que o consagrou e o lançou ao estrelato não é mais a mesma. O mundo que conhecíamos também mudou.
 

2000, 2013: o avesso do avesso

Quando Montoya era uma das maiores e mais precoces estrelas da Indy, os EUA ainda eram governados por Bill Clinton. No Brasil, Fernando Henrique Cardoso estava na metade de seu segundo mandato. Osama Bin Laden não havia mudado o mundo, e o World Trade Center era símbolo máximo do capitalismo e do poderio econômico da América, não do maior e mais assombroso atentado terrorista de todos os tempos. No Vaticano, o Papa João Paulo II ainda esbanjava saúde, acenos e sermões.

Rivaldo, aquele, era o melhor jogador do mundo em 2000. O Brasil, por sinal, ainda era tetracampeão mundial. O São Caetano de Adhemar, Adãozinho e Sílvio Luiz era o time da moda e o Vasco, por sua vez, ainda era um time acostumado a conquistar títulos. O poderoso Palmeiras tentava o bicampeonato da Libertadores, enquanto Wanderley Luxemburgo – com W e Y – lutava para dar jeito na Seleção Brasileira. No velho Maracanã, o Corinthians conquistou o título de um torneio mundial teste da FIFA, em janeiro, enquanto no saibro de Paris, cinco meses depois, Gustavo Kuerten escrevia de vez o nome na história e se tornava o primeiro brasileiro a assumir a liderança do ranking mundial de tênis após o bicampeonato em Roland Garros.

Enquanto o Windows 2000 travava sem parar, e a maioria de nós recorria ao bom e velho 98, a humanidade começava a conhecer o mundo através da tela do computador, acumulando novos amigos virtuais no ICQ e compartilhando vídeos e músicas no Kazaa ou no Morpheus, em uma realidade sem YouTube ou redes sociais. E enquanto o Brasil seguia ao som de sucessos estrondosos como 'Anna Julia', 'Xibom Bom Bom' e 'Morango do Nordeste', o resto do mundo era liderado pela tríade pop formada por Backstreet Boys, N'Sync e Britney Spears, sonho de consumo de dez entre dez adolescentes. As bandas da moda eram Charlie Brown Jr. e Linkin Park.

Por aqui, acreditavam que Rubens Barrichello estrearia na Ferrari para fazer frente ao ainda bicampeão Michael Schumacher. Sebastian Vettel, aos 13 anos, e Lewis Hamilton, aos 15, acompanhavam essa disputa atentos pela TV. Em algum ponto do Canadá, o imberbe James Hinchcliffe, do alto dos 14 anos, certamente era capaz de ver em Tony Kanaan e Helio Castroneves grandes promessas para o futuro da Indy, cuja estrela máxima ainda era Michael Andretti e cujo grid contava com nomes como Gil de Ferran, Kenny Bräck, Jimmy Vasser e Maurício Gugelmin.

13 anos depois, a realidade, em todos os aspectos, virou do avesso. Ninguém conseguiu passar imune aos efeitos do tempo.

Dos 31 pilotos que disputaram a temporada 2000 da Indy, apenas três continuam na categoria. Além de Castroneves e Kanaan, Dario Franchitti ainda segue correndo. Agora serão quatro, com o retorno de Montoya. Mas onde estarão os outros 27 nomes que disputaram ao menos uma prova da categoria 13 anos atrás? O que comem? Como vivem? Estas e outras respostas você encontra abaixo.
 
 

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