Edição 43
Outubro/2013

O Automobilismo não é Tudo: Feliz ano novo

Dilma voltando ao Twitter e Marina aderindo ao PSB depois de uma lambança danada na tentativa de criar sua Rede deram a partida no motor das eleições

FELIPE CORAZZA, de São Paulo
ocê nem deve ter notado a queima de fogos, mas a virada para o ano novo dessa vez caiu no começo de outubro. Dilma voltando ao Twitter e Marina aderindo ao PSB depois de uma lambança danada na tentativa de criar sua Rede deram a partida no motor. E a virada de ano foi tão violenta que o Aécio, notório festeiro, parece continuar de ressaca. Até o Eymael se movimenta enquanto o tucano não bota as asas de fora.

A coisa corre tão antecipadamente que já tem marqueteiro até fechando questão no jingle principal de campanha – há até rumores tresloucados de que um dos candidatos usará Seven Nation Army como base pra atrair a juventude baladeira. Ey-ey-eymael já deve ter mandado trocar o óleo e ajustar os alto-falantes daquele Gurgel velhão que ele usa para espalhar a palavra.

A presidente adotou a espionagem dos Estados Unidos e do Canadá como mote desse começo de campanha.

Entende-se o chilique para cima do Obama, mas a parte canadense, francamente, é um tanto triste. Quando o Canadá consegue te espionar, o negócio é ficar quietinho e não passar recibo. É como ser vencido no xadrez por um cachorro de três pernas.

Ainda falando sobre a zona de classificação para a Libertadores da tabela política, Marina Silva abraçou Eduardo Campos, o Ed Fields, e subiu com galhardia no bonde da mesmice. Apesar da adesão a um partido que tem gente um tanto, digamos, esquisita em seus quadros – alô, Paulo Bornhausen! –, o discurso é aquele de sempre. Sustentabilidade, equilíbrio, nova política. Tudo muito palpável, enfim.

A chapa com o PSB é interessante e, provavelmente, vai fazer mais estrago e deixar a campanha mais animada do que seria com cada um saindo isoladamente. Campos é bem visto em boa parte do Nordeste. Na Bahia, governada pelo PT, é tratado por muitos como o homem que fez por Pernambuco o que Jaques Wagner não conseguiu fazer por seu estado. No Sudeste, fica entre a incógnita e as capas de revista que ressaltam seus olhos azuis. Nesse flanco entra Marina, a Vila Madalena ambulante.

A definição de quem será cabeça de chapa ainda leva um tempinho. Acho que seria mais prudente, dadas as circunstâncias, termos Marina capitaneando a candidatura, por uma questão puramente prática: ela é tão alérgica que, no caso de ser eleita e precisar visitar uma refinaria da Petrobras, teríamos um vice de contenção ali, sem precisar apelar à linha sucessória que leva diretamente ao Congresso.

Depois de falar das alergias de Marina, essa coluna podia muito bem ficar por aqui. O próprio autor tem sérias dúvidas sobre textos que chegam onde queriam chegar e enfiam um "mas" só pra acochambrar outra ideia. MAS, é impossível concluir a presente bodega sem uma menção honrosa ao papelão feito pelo PPS, aquele partido que se diz uma continuação do PCB, mas reclama de carga tributária.

Em sua briga quixotesca "contra o lulopetismo", Roberto Freire levou não um, mas dois foras ao convidar gente mais expressiva para concorrer à presidência pelo PPS. Primeiro foi Serra, que demorou, mas recusou. Depois, nosso cavaleiro de triste figura ofereceu a legenda para Marina e deu no que deu. O convite do PPS virou aquele email de golpe do "príncipe nigeriano" que promete depositar dinheiro na sua conta. O pessoal até olha, há quem leve a sério por alguns instantes, mas no final todo mundo dá uma risadinha e apaga da caixa de entrada.

Dito isso, passemos ao já tradicional giro pelas sandices que nos cercam nesse mundo.



Enquanto isso, no fim de setembro, um grupo de policiais civis no Rio de Janeiro refundou oficialmente a Scuderie Le Cocq, o popular Esquadrão da Morte. A coisa vai piorando em um grau que nem consigo medir.



No mundo paralelo que habitam as estrelas, Caetano, Chico, Djavan e outros bichos começaram uma campanha para censurar biografias não autorizadas. Acho que deveriam jogar o artista e um volume da biografia na água. Quem boiar, ganha.



O escandaloso episódio de superlotação que aconteceu no estádio Frasqueirão, em Natal, precisa acabar com gente presa. Não é possível que depois de Fonte Nova, São Januário, Hillsborough e outras tragédias a gente continue deixando tudo correr solto.



Enquanto isso, as polícias continuam sentando o porrete em manifestações e dando argumento pra quem decide vestir uma máscara e quebrar tudo. A estupidez se alimenta de estupidez.
Foto: Mauricio Camargo/Brazil Photo Press
 

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