Edição 44
Novembro/2013

Stop & Go: Lucas Di Grassi

“Quem gosta de automobilismo é ligado nas novidades, e tenho certeza de que o público daqui está ansioso pelo início da temporada. A F-E terá pilotos top e deve ter brasileiros também”

FELIPE GIACOMELLI, de São Paulo
Aos poucos, Lucas Di Grassi vai deixando a frustração de não ter seguido na F1 ao encabeçar o novíssimo projeto da F-E, a categoria de carros elétricos. (Foto: Rodrigo Berton)
ice-campeão da GP2, terceiro colocado na F3 Euro e vencedor do GP de Macau de F3 – ao superar Sebastian Vettel e Robert Kubica –, Lucas Di Grassi apareceu na última década como uma das principais promessas do automobilismo brasileiro. No entanto, o piloto não conseguiu ser firmar na F1 ao disputar apenas uma temporada pela novata Virgin.

O mau desempenho, no entanto, não o desanimou. Lucas conseguiu deixar a F1 para trás e seguir carreira no esporte a motor. O brasileiro primeiro ocupou o posto de piloto de testas da Pirelli, foi sócio de uma equipe na GP3, passou a integrar a gigante Audi no Mundial de Endurance e agora se prepara para o lançamento da F-E, categoria da qual é embaixador.

Revista Warm Up: Por que tantas equipes e empresas do automobilismo mundial estão dispostas a investir na F-E?

Lucas Di Grassi: O carro movido a eletricidade é o futuro da mobilidade urbana. Então é extremamente importante que exista uma categoria top do automobilismo mundial para desenvolver essa tecnologia, trazendo empresas de vários ramos na área de energia – não só automotiva, mas também como comunicações e outras. Elas usam a F-E como plataforma de desenvolvimento de novas tecnologias e tanto a categoria como as empresas (e também o meio ambiente) saem ganhando com a iniciativa.

WUp: Aqui no Brasil, o mercado de carros elétricos ainda é muito pequeno. Você acha que a categoria vai conseguir cair no gosto dos torcedores daqui?

LDG: Acho que este fator não traz nenhum tipo de influência – uma coisa não tem a ver com a outra. Quem gosta de automobilismo, em geral, é ligado nas novidades, e tenho certeza de que o público daqui está ansioso pelo início da temporada. Além disso, a F-E terá pilotos top e deve ter alguns brasileiros também. Isso sim deve influenciar no aumento do público que vai acompanhar.

WUp: Por que o Rio de Janeiro acabou ficando sem uma etapa da categoria? É possível o campeonato vir ao Brasil nos próximos anos?

LDG: O Rio ainda pode ter uma corrida. A categoria está em processo de aprovação da pista com a prefeitura e com a FIA. Esperamos que dê tudo certo, porque o Brasil não pode ficar fora do calendário de uma categoria como a F-E.

WUp: Você vai estar no grid inaugural da categoria?

LDG: Espero que sim, mas ainda não sei. Hoje em dia a minha função é de conselheiro do projeto no lado esportivo. Isso não me impede de competir, já que os traçados serão inéditos e não haverá nenhum tipo de vantagem.
“A F-E terá pilotos top e deve ter alguns brasileiros também. Isso sim deve influenciar no aumento do público que vai acompanhar”
WUp: Que outros pilotos devem competir na F-E? Você espera que o campeonato consiga atrair mais jovens ou seja uma opção para quem está fora da F1?

LDG: Teremos vários pilotos muito bons, com certeza. Deveremos ter jovens talentosos da Indy, alguns de rali, outros vindos da F1 e até mesmo da MotoGP. Por aí já podemos ver que será um grid bastante diversificado e de altíssima qualidade.

WUp: Algum dia a F-E vai rivalizar com a F1 ou é utopia pensar desta forma?

LDG: Não é a intenção, embora o público alvo seja o mesmo. A F-E também é uma categoria com chancela e apoio irrestrito da FIA. De qualquer forma, se for o caso, não vejo por que não possa no futuro.

WUp: Para você, a existência da F-E está limitada à popularização e adoção dos motores elétricos em outros campeonatos, como a própria F1?

LDG: Não. A F-E vai depender muito mais de atrair as grandes empresas fabricantes de automóveis e de tudo relacionado ao mercado automotivo do que qualquer outra coisa. Buscamos, sim, essa popularização, mas em um formato diferente, que é trazer estas empresas e trabalhar junto delas no desenvolvimento de novas tecnologias que possam ser aplicadas com o destino final ao carro que será usado nas ruas das cidades.

WUp: Você, como piloto de testes da Pirelli, acaba tendo um papel de consultor da fornecedora. Na F-E, atua como dirigente. Você percebe que cada vez mais seu caminho no automobilismo tende a ser como dirigente? Você se vê um dia como chefe de equipe em categoria top ou mesmo tendo sua equipe?

LDG: Não, não. Não neste momento, pelo menos. Por enquanto, o que eu quero é correr. Tenho no mínimo mais uns dez anos de automobilismo como piloto e muitos títulos para conquistar. Temos aí exemplos como o Tom Kristensen, que tem 46 anos, nove vitórias em Le Mans e continua andando em alto nível na nossa equipe no WEC, a Audi. Estou com 29 anos, então acho que tenho mais de dez anos de lenha para queimar ainda à frente. Tenho alguns títulos a conquistar ainda, vamos com calma...

WUp: Falando de seus ex-colegas de F1, Vettel é o melhor de todos eles ou caminha pra isso? Existe alguma chance de um dia ele estar no grid da Fórmula E?

Dificilmente o Vettel estará no grid da F-E no futuro, pois a Red Bull não está ligada à sustentabilidade. Ele é um excelente piloto e foi para mim um adversário muito difícil.
O carro da F-E tem pneus Michelin e motores Renault. (Foto: Divulgação/FIA)
 

Comentários

Matéria anterior

Coletiva
Eles falam, a gente comenta
por Juliana Tesser e Felipe Giacomelli
Próxima matéria

Russian Time
As chegadas de Sergey Sirotkin e de Daniil Kvyat, além do GP da Rússia, são as indicações mais claras da participação cada vez mais crescente do país na F1
por Felipe Giacomelli