Edição 45
Dezembro/2013

Carro-chefe: Os melhores do ano

A REVISTA WARM UP perguntou e você decidiu que Sebastian Vettel, Marc Márquez, Scott Dixon, Helio Castroneves e Cacá Bueno estão entre os grandes do esporte a motor em 2013

FELIPE GIACOMELLI, de São Paulo
Tetracampeão, Vettel rende homenagens a seu touro vermelho no GP da Índia: soberano. (Foto: Paul Gilham/Getty Images)
o longo de 2013, você assistiu às corridas, torceu, vibrou, se emocionou, riu, se divertiu, aplaudiu, vaiou, ficou com raiva, protestou, lamentou, exaltou, destacou, viu, comemorou e acompanhou tudo o que aconteceu dentro e fora das pistas. Agora chegou a hora de relembrar tudo e escolher quem foram os melhores dos últimos 12 meses. Como já é tradição, a REVISTA WARM UP abriu votação popular durante o mês de dezembro e permitiu que o fã do automobilismo escolhesse quem mais se destacou neste ano. De Sebastian Vettel, dono de uma campanha vitoriosa e irretocável na F1, a Tony Kanaan, que finalmente fez as pazes com Indianápolis, veja quem foram os maiores vencedores da última temporada.


 


Soberano

Não é apenas com vitórias e títulos que se mede como uma temporada foi boa para um piloto. Quando a entidade que rege o esporte muda o regulamento para evitar o domínio de algum competidor, é porque estamos falando de alguém acima dos demais. Foi assim que a FIA tratou Michael Schumacher, na década passada, ao trocar o sistema de pontos 10-6-4-3-2-1 pelo 10-8-6-5-4-3-2-1 e está sendo agora, com Sebastian Vettel.

Para evitar que o alemão repita o domínio de 2013, quando venceu as últimas nove etapas de forma consecutiva e garantiu matematicamente a taça no GP da Índia, a federação resolveu dobrar a pontuação distribuída na última prova do campeonato a partir do próximo ano. Tudo para evitar que e o piloto da Red Bull consiga liquidar a fatura o quanto antes.

Por isso, com 13 vitórias, recorde de triunfos consecutivos e em uma mesma temporada, o novo tetracampeão foi eleito o melhor piloto da F1 de 2013 pelos leitores da REVISTA WARM UP com 68% dos votos. Aliás, até aqui o domínio do alemão foi notável. Em nenhuma outra categoria o vencedor teve uma votação tão expressiva.


 


O título ainda vale

O que é mais importante, vencer as 500 Milhas de Indianápolis ou ser campeão da Indy? Essa é uma velha pergunta, mas que até hoje divide opiniões. Não há dúvidas que o triunfo de Tony Kanaan na mais tradicional prova dos Estados Unidos foi merecido, emocionante e simbólico, visto toda a saga do piloto baiano até o leite da vitória.

Entretanto, ter conquistado as 500 Milhas não foi o suficiente para que o brasileiro levasse também o título de Melhor piloto da Indy. Tendo finalizado o campeonato apenas na 11ª posição e apenas outros três pódios, Kanaan acabou na segunda colocação na votação com 26% das indicações.

O vencedor foi Scott Dixon, com 57% dos votos. Depois de um início de campeonato conturbado, o piloto da Ganassi começou a se encontrar a partir da etapa de Pocono e, com três vitórias consecutivas, arrancou para a taça. Com os dois abandonos de Helio Castroneves em Houston, o neozelandês não só selou o tricampeonato, mas também garantiu o primeiro lugar nesta votação.


 


Menino de ouro

Não deixa de ser surpreendente o resultado de Melhor piloto de Moto em 2013. Não é que Marc Márquez não merecia terminar na frente, pelo contrário. É que como o piloto já havia sido premiado no ano passado – quando ainda estava na Moto2 –, a expectativa é que neste ano, com a história conquista do Mundial como novato, o domínio para o resto do grid fosse ainda maior.

Só que não foi exatamente isso o que aconteceu. Assim como havia ocorrido nas pistas de todo o mundo, Jorge Lorenzo não deu sossego ao catalão da Honda e terminou próximo, na segunda colocação, tendo 42% dos votos. Mas o bom desempenho do piloto da Yamaha também pode ter uma explicação.

Além de ele ter vencido oito corridas neste ano, ainda foi destaque do GP da Holanda, em Assen, quando se acidentou em um treino livre e foi obrigado a operar a clavícula. Após passar pela cirurgia, o piloto voou do hospital na Espanha de volta para a pista e correu normalmente. Saindo do 12º lugar e sofrendo com muitas dores, Lorenzo fechou na quinta colocação, o que o manteve na disputa do título até a última etapa.

Um feito que, com toda certeza, merece ser lembrado.


 


Sempre Sébastien

Depois de conquistar o título do WRC nos últimos nove anos, Sébastien Loeb resolveu tentar algo diferente a partir de 2013. Enquanto esperava a Citroën definir os planos para o WTCC, o francês participou de apenas quatro etapas do Mundial de Rali e focou principalmente na disputa do Mundial de GT, com uma McLaren. Dessa forma, ele se tornou carta fora do baralho para a votação de Melhor piloto de Turismo ou Rali, certo?

Quase. É verdade que Loeb não esteve entre os grandes destaques deste ano, mas o vencedor também se chama Sébastien e vem do WRC. No primeiro ano da Volkswagen nos ralis, Sébastien Ogier se aproveitou da ausência do xará e conquistou o título da categoria com direito a nove vitórias em 13 etapa, o que cativou a 39% dos leitores da WARM UP.

O domínio foi tão grande, que Ogier já causou mudanças profundas no mercado de pilotos para 2014. Na tentativa de freá-lo, a Citroën passou por uma reformulação completa, dispensando Dani Sordo e Mikko Hirvonen e trazendo Mads Ostberg, que estava na M-Sport Ford. Para o lugar do norueguês, chegou Robert Kubica.

Quem também teve um ano bom, embora menos vitorioso, foi Augusto Farfus. Sem conseguir impedir o título de Mike Rockenfeller no DTM, o brasileiro anotou três vitórias e uma pole, para terminar com a segunda colocação no principal campeonato de turismo da Europa. Assim como faltou um pouquinho para ficar com a taça, aqui ele também terminou apenas 3% atrás de Ogier.


 


Quem é rei nunca perde a majestade

Não é novidade que existe uma rejeição muito grande por parte do grande público por Cacá Bueno. Quem não acompanha o automobilismo de perto, prefere ignorar os cinco títulos do piloto da Red Bull na Stock Car e lembrar apenas que ele é filho do narrador da Rede Globo Galvão Bueno.

Essa imagem, no entanto, está mudando com o passar do tempo. Com um título atrás do outro, Cacá mostrou que conseguiu chegar às glórias com muito trabalho e não foi beneficiado por qualquer teoria da conspiração global. E a recompensa veio dos leitores da REVISTA WARM UP.

Embora Cacá Bueno tenha chegado à Corrida do Milhão da Stock Car, em Interlagos, apenas na quarta colocação e precisando de uma complexa combinação de resultados para ser campeão, o representante da Red Bull foi eleito o Melhor piloto que compete no Brasil com 49% dos votos, superando Ricardo Maurício (campeão da Stock e do Brasileiro de Marcas) e Beto Monteiro (vencedor da F-Truck).

Também é verdade que o desempenho de Cacá, na teoria, ficou abaixo dos últimos anos. O piloto venceu apenas duas vezes até chegar a Interlagos e largou somente uma vez na pole. Apesar disso, o carioca se mostrou combativo e constante ao longo do ano, se envolvendo em diversos acidentes, como o caos da primeira volta no Velopark, quando o piloto cometeu um erro e precisou fazer uma prova de recuperação depois de partir na posição de honra.


 


Aproveitando todas as oportunidades

É verdade que a Williams teve uma temporada para esquecer em 2013. A equipe inglesa marcou apenas cinco pontos e terminou o Mundial de Construtores na nona colocação, muito mais próxima da Marussia que da Toro Rosso. Em meio a esse caos, no entanto, uma boa notícia: o bom desempenho de Valtteri Bottas.

Mesmo sofrendo com o carro pouco competitivo da escuderia de Grove, o finlandês pôde demonstrar o talento que tem. A terceira colocação obtida no grid de largada do GP do Canadá e o oitavo lugar – e quatro pontos no GP dos Estados Unidos – podem não ter grande significado na pista, mas foram o suficiente para levá-lo à eleição de Revelação do Ano, com 53% dos votos.

Bottas desbancou Daniil Kvyat, campeão da GP3 e que estreia na F1 na Toro Rosso na próxima temporada, além de Carlos Muñoz, segundo colocado nas 500 Milhas de Indianápolis. Agora resta ver se o finlandês terá uma Williams mais competitiva em 2014 para deixar para trás o posto de promessa e se firmar na F1.


 


Sem perdão

Uma das equipes mais tradicionais e vitoriosas da F1, a McLaren teve um ano para esquecer em 2013. Na última temporada com o atual pacote de regras, a equipe resolveu mudar tudo após a saída de Lewis Hamilton e alguns engenheiros, recomeçando o projeto do carro do zero para o novo campeonato. O resultado não podia ter sido pior.

Em um ano de poucas alegrias, o time de Woking igualou uma incômoda marca que perdurava desde 1980, ao terminar uma temporada da F1 sem chegar ao pódio. O melhor resultado da equipe foi o quarto lugar obtido na última prova, no GP do Brasil, por Jenson Button. Contratado como promessa, Sergio Pérez decepcionou, não foi além do quinto lugar e já acertou a ida para a Force India no ano que vem. Para o lugar chega Kevin Magnussen.

Essa temporada desastrosa não foi perdoada pelos leitores da WARM UP. Com 45% dos votos, a equipe inglesa ganhou o desagradável prêmio de Decepção do Ano. A Ferrari, que ficou pelo meio do caminho após um bom início da temporada, também não agradou e recebeu 37% dos votos, enquanto a Williams só foi lembrada por 4% dos leitores.

Curiosamente, essa é a primeira vez que esse prêmio não é dado a um piloto brasileiro.


 


Mais do que uma corrida

A edição de 2013 das 500 Milhas de Indianápolis foram disputadas tanto dentro quanto fora da pista. Em meio às quatro curvas de 90º, quem levou a melhor foi Tony Kanaan. O brasileiro finalmente conseguiu a tão esperada vitória no tradicional circuito americano ao superar Carlos Muñoz e Ryan Hunter-Reay na última relargada, além de contar com um acidente de Dario Franchitti, que chamou a bandeira amarela.

A corrida, aliás, foi disputada de início ao fim. Além de Kanaan, Muñoz e Hunter-Reay, Marco Andretti e A.J. Allmendinger também se destacaram, lideraram boa parte da prova, mas acabaram ficando para trás nos momentos decisivos. Foi aí que o brasileiro, então na KV, usou a experiência de todos os outros anos para dar o bote e terminar com a vitória.

Fora da pista, a prova ainda foi marcada pela visita que Kanaan recebeu de Alex Zanardi e uma história envolvendo uma medalhinha dada ao piloto a uma garota em uma visita a um hospital local, há muitos anos, e recebida de volta pouco antes da corrida, como uma forma de talismã de boa sorte. Deu certo.


 


Difícil escolher uma só

Se a vitória de Tony Kanaan em Indianápolis foi apertada, já que o piloto estava pouco à frente de Carlos Muñoz quando a bandeira amarela foi acionada, o mesmo aconteceu na decisão da Cena do Ano de 2013. Em um verdadeiro empate técnico, o triunfo do brasileiro na Indy 500 superou a celebração de Sebastian Vettel após o título no GP da Índia por apenas 12 votos, menos de 1%.

Ainda assim, é difícil escolher apenas um momento em Indianápolis para imortalizar. Talvez o mais emblemático seja Kanaan recebendo o leite da vitória, a que tanto buscou, pela primeira vez. Mas a celebração do brasileiro ainda teve o tradicional beijo na faixa de tijolos e uma lembrança ao amigo Dan Wheldon.

Isso sem falar na visita de Alex Zanardi, antes da largada. O italiano, que havia vencido duas medalhas de ouro Paralímpicas em 2012, se encontrou com o brasileiro e afirmou que ele poderia esfregar o troféu para lhe dar sorte. A mágica funcionou, e Kanaan ganhou a corrida. Após a prova, ele entregou o capacete autografado ao ex-piloto da Ganassi.


 


Reconhecimento

Ainda não foi dessa vez que Helio Castroneves conquistou o primeiro título da carreira nos monopostos. O tricampeão das 500 Milhas de Indianápolis apostou na consistência, liderou boa parte do campeonato, conforme os adversários não conseguiam acompanhá-lo, mas acabou vendo a taça escorregar pelos dedos em Houston, quando abandonou as duas corridas do fim de semana, e Scott Dixon obteve uma vitória e um segundo lugar.

Mesmo assim, o bom desempenho do brasileiro em 2013 foi reconhecido. Enquanto ele já se prepara para voltar ainda melhor na próxima temporada e finalmente chegar à taça, os leitores da REVISTA WARM UP consideraram Helio Castroneves o Melhor Piloto Brasileiro do ano, com 34% dos votos.

Para ficar com a vitória aqui, o piloto superou Tony Kanaan na dobradinha da Indy, por 5%. Com o vice-campeonato do DTM, Augusto Farfus ficou em terceiro, tendo sido indicado por 26% dos leitores. Embora a renovação dos pilotos brasileiros no mundo não tem sido bem lenta nas últimas temporadas, quem continua nas categorias internacionais não fez feio nos últimos 12 meses.


 


O maior de todos

Marc Márquez impressionou ao conquistar o título da MotoGP apenas na primeira tentativa, Tony Kanaan emocionou ao finalmente vencer as 500 Milhas de Indianápolis, Scott Dixon mostrou que trabalho duro é capaz de rever um campeonato quase perdido para ficar com a taça e Sébastien Ogier criou uma nova dinastia que está abalado as bases do WRC. Todos eles tinham bons motivos para se tornar o Piloto do Ano de 2013.

No entanto, embora tenham feitos impressionantes, nenhum deles chegou perto do que Sebastian Vettel fez ao longo dos últimos 12 meses. Quando a Red Bull não tinha o melhor carro do grid, o tetracampeão mostrou consistência, assumindo a liderança do campeonato com quatro vitórias e outras cinco corridas dentro do top-4.

Quando a escuderia austríaca se tornou a força dominante da F1, não teve para ninguém. O germânico venceu as últimas nove provas de forma consecutiva – um recorde na história da categoria – e garantiu o tetracampeonato igualando a marca de Michael Schumacher com 13 triunfos em um só ano.

É por esse desempenho imbatível que 65% dos leitores da REVISTA WARM UP escolheram Sebastian Vettel como o melhor de 2013.
 

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