Edição 46
Janeiro/2014

Americo Teixeira Jr
F3 Brasil - Se ninguém roer a corda...

Pode não ser um cenário definitivo e nem ideal, mas os ventos sopram a favor da F3 Brasil

AMERICO TEIXEIRA JR, de Vinhedo
Se tudo acontecer como está planejado pela CBA, Vicar e equipes, já há local e datas para a estréia da nova versão da F3. O Autódromo de Tarumã, no município gaúcho de Viamão, de 4 a 6 de abril conhecerá uma categoria conceitualmente remodelada com o objetivo de recuperar um pouco da importância que um dia já teve. A F3 Brasil parte de um pacote que inclui grid mínimo, eventos menores, preços tabelados, patrocinadores, televisão e muito mais.

Nessa tentativa de restabelecer a categoria, há uma tabela com preços máximos de R$ 450 mil e R$ 195 mil, este último para a Light. Não é um desafio dos mais fáceis. Nada impossível, claro, mas os chefes de equipes iriam além e estariam dispostos a assumir um compromisso para colocar no grid pelo menos 12 carros. Mas estão negociando, pois será deles a responsabilidade de negociar com piloto, contratar pessoal, sair com o equipamento pelo Brasil e colocar os carros nas pistas. Para que toda essa engrenagem se movimente, detalhes e mais detalhes precisam ser vistos e revistos.

Já há, porém, algumas definições. A primeira delas é um choque de realidade que, enfim, acabou com uma miragem que perdurou por muitos anos. Acabou aquela história de Sul-americano, uma identificação continental que sobreviveu até o ano passado somente como uma espécie de licença poética.

A F3 Brasil tem chancela da CBA, que está abrindo mão de taxas e deixando de arrecadar pelo menos R$ 210 mil. Isso não é o bastante para alguns donos de equipes, que querem uma ação mais efetiva da entidade. A Vicar obteve o compromisso da Pirelli para baratear os pneus (desconto superior a 10%), mas é esperada da promotora uma ação forte na divulgação, principalmente garantias de televisão.

A F3 Light realizará cada evento com um único jogo novo de pneus e os remanescentes dos anteriores. Exceção para a rodada inaugural, quando estarão disponíveis dois jogos. Para a F3A é o mesmo conceito, mas com quantidade dobrada. A diminuição de uma rodada dupla e o encurtamento dos eventos (agora serão dois treinos, uma classificação e duas corridas) ajudarão na economia. O calendário terá sete eventos em conjunto com o Brasileiro de Marcas e um com a Stock Car.

Pode não ser um cenário definitivo e nem ideal, mas os ventos sopram a favor da F3 Brasil, pelo menos nesse momento. Há vontade política, direitos e deveres conhecidos e nenhuma das partes está parada. Basta ninguém roer a corda.
Foto: Luca Bassani
 

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