Edição 46
Janeiro/2014

Carro-chefe: O que será de Schumacher?

Desprovido do medo, o heptacampeão mundial calculou mal os riscos de sua aventura dominical em alta velocidade e agora, em estado ainda crítico, enfrenta risco de morte – ou de sequelas permanentes cujas extensões ainda são incertas

HUGO BECKER, de Guarulhos,
RENAN DO COUTO, de Penha,
JULIANA TESSER e GABRIEL CURTY, de São Paulo
A queda na pista de esqui de Méribel deixa Schumacher entre a vida e a morte, sem evolução, no Centro Hospitalar Universitário de Grénoble, na França.
(Arte: Rodrigo Berton)
s definições de risco e de limite para Michael Schumacher jamais foram levadas a sério. Ao longo de toda a sua trajetória pública e profissional, o alemão esmerilhou praticamente todos os recordes possíveis na F1 e, ao deixar as pistas que o consagraram – primeiro em 2006 e depois em 2012 –, tratou de se aventurar em outros traçados de forma igualmente alucinante, fosse nas motos, no kart ou também em um de seus hobbies favoritos, o esqui na neve.

Perfeccionista e meticuloso em todas as atividades exercidas mesmo de forma não profissional – mentalidade extenuante e totalmente destinada ao prazer quase insano de extrair o máximo possível de satisfação a cada vez em que ousava desafiar a sanidade –, o heptacampeão mundial se tornou um dos nomes mais influentes de sua época e referência absoluta de foco e sucesso justamente pelo trabalho árduo cuja recompensa é o prazer do risco, que se pode traduzir em ausência do medo. Aliada ao enorme talento de ser bom em quase tudo que se arrisca a fazer, a postura jamais havia lhe rendido grandes prejuízos.

O jogo, porém, virou do avesso de forma abrupta no último dia 29 de dezembro.

A notícia surgiu de forma casual, mas se tornou uma avalanche sucessivamente assombrosa de informações trágicas e preocupantes. 'Schumi' vivia um típico domingo em família com seu filho Mick na estação de esqui de Méribel, na região dos Alpes Franceses, quando resolveu sair da pista demarcada, sozinho, e entrou em um trecho repleto de pedras que o vitimaram. O germânico perdeu o controle, caiu e bateu com o rosto de frente em uma rocha. As testemunhas que o encontraram relataram que seu capacete estava partido ao meio por conta da violência do impacto e sua cabeça estava coberta de sangue. Michael, ainda consciente, parecia transtornado e desorientado até ser encontrado pela equipe de resgate. No helicóptero a caminho do hospital da cidade de Moûtiers, sofreu um colapso e precisou ser reanimado pelos paramédicos. Pouco depois, entrou espontaneamente em coma por conta da gravidade das lesões.

Os poucos – porém significativos – boletins médicos que surgiram em seguida atestaram o quadro extremamente delicado. Schumacher sofreu "traumatismo craniano grave" e hemorragias cerebrais consideráveis. Ao chegar ao Centro Universitário Hospitalar de Grénoble, na França, foi imediatamente submetido a uma cirurgia de emergência para reduzir a pressão intracraniana e drenar os hematomas no cérebro. Em seguida, foi induzido ao coma, e uma nova intervenção cirúrgica se fez necessária dois dias depois. Perto de completar um mês do acidente, Schumacher segue em coma e seu quadro clínico continua sendo definido como crítico, embora estável. Mais do que a enorme possibilidade de sequelas permanentes, há, também, o iminente risco de morte.
“O fato de dizer que ele está estável não diz muita coisa.
Significa que ele ainda está precisando do remédio,
porque se não precisasse, já teriam tirado”
- Dra. Gisele Sampaio Silva
Para a Dra. Gisele Sampaio Silva – membro do Departamento Científico de Doenças Cérebrovasculares, Neurologia Intervencionista e Terapia Intensiva da Academia Brasileira de Neurologia – a indução ao coma por tanto tempo não é um bom indicativo. "O fato de ele estar em coma induzido, quando você precisa da medicação para manter o paciente em coma por muito tempo, no geral, significa que, de alguma maneira, há a preocupação com o sistema nervoso central do paciente", afirma à REVISTA WARM UP.

"Geralmente, nós, médicos, optamos por tirar a sedação, o coma induzido, o mais rápido possível. Hoje em dia, a gente usa o mínimo possível. Só não tiramos quando não dá", reitera. "Então, o uso prolongado de uma medicação para induzir o coma significa que o sistema nervoso central dele ainda está inspirando cuidados. Significa que problemas podem acontecer", completa.

Dra. Gisele também discorre de forma bastante elucidativa a respeito desta opção da equipe médica e também salienta que a classificação de um quadro semelhante ao do alemão como "estável" não é algo atenuante. "Ele pode estar sofrendo um problema que a gente chama de hipertensão intracraniana. Quando isso acontece, e a gente deixa em coma induzido, é para diminuir o metabolismo do cérebro e a pressão intracraniana não aumentar", detalha. "Ou, por exemplo, quando a gente vê crises de epilepsia, pequenos focos de irritação cerebral, a gente pode precisar manter o coma induzido ou o uso da medicação para sedar e também para que o cérebro não sofra as consequências. Então, o fato de dizer que ele está estável não diz muita coisa. Significa que ele ainda está precisando do remédio, porque se não precisasse, já teriam tirado. Hoje em dia, é tirado o mais rápido possível."

As chances de um paciente com o quadro como o do alemão tem de escapar sem sequelas definitivas são bastante relativas, de acordo com a médica – há o risco de que Michael tenha comprometimento permanente na fala e na atividade motora. "Depende muito do tipo de lesão", explica a Dra. Gisele. "No trauma crânio-encefálico, uma das coisas que mais determina prognóstico é a idade do paciente. Quando o paciente é mais jovem, a chance de recuperação, às vezes inclusive de recuperação total, existe. Depende do grau do trauma, da característica da lesão, da idade do paciente e de outros problemas no momento da instalação da lesão. Se ele teve algum trauma em outra parte do corpo [no momento do acidente], então isso também determina o prognóstico."

Schumacher, porém, possui um agravante importante em sua situação clínica: já sofreu anteriormente uma lesão cerebral. Ocorreu após um acidente de moto durante um teste privado na pista de Cartagena, na Espanha. O Dr. Johannes Peil, médico que atendeu o ex-piloto, explicou recentemente que a artéria do lado esquerdo do cérebro se rompeu com o impacto do incidente ocorrido em 2009. Para a Dra. Gisele, a reincidência aumenta consideravelmente o risco. "Sem dúvida", afirma. "Um paciente que tem uma lesão prévia tem uma chance menor de se recuperar do que alguém que tem o cérebro completamente saudável", explica.

Caso saia da situação crítica em que se encontra e inicie efetivamente uma recuperação clínica, o heptacampeão mundial vai levar tempo para se reerguer. "O trauma crânio-encefálico tem uma recuperação lenta e possível depois de muito tempo", alerta a neurologista. "Então, em um trauma grave, a gente está falando de meses a anos para ver a lesão final até dizer: 'essa vai ser a sequela final e ele não se recupera mais'. Existe a chance de recuperação durante, pelo menos, um ano", prevê. O fato de ter chegado em coma natural ao CHU de Grénoble e, depois da primeira cirurgia, ter sido mantido em coma, também não é um indicativo de que o alemão vá despertar caso a sedação seja reduzida. "Não necessariamente", afirma a Dra. Gisele.
O esqui sempre fez parte da rotina de Schumacher. (Foto: Ferrari)
Arte: Rodrigo Berton
Schumacher nunca mais vai voltar a ser Schumacher, preveem especialistas. (Foto: Mark Thompson/Getty Images)

Conserto demorado

Uma situação similar à de Schumacher, ao menos entre pilotos, ocorreu em 2006. Na ocasião, Cristiano da Matta, durante um teste da Indy na pista norte-americana de Elkhart Lake, atropelou um veado que atravessava o traçado no momento de sua passagem e foi atingido na cabeça pelo tronco do animal. Com a brutalidade do impacto, o brasileiro ficou entre a vida e a morte e passou uma semana em coma e 50 dias internado. Sua recuperação, embora lenta, se deu por completo. Hoje, o mineiro leva uma vida normal – ainda que sua carreira na principal categoria de monopostos dos EUA tenha sido interrompida precocemente – e se vê plenamente recomposto. "Tem conserto. No final das contas, para mim, deu tudo certo e legal. Mas é demorado", enfatiza Cristiano à REVISTA WARM UP.

Sensibilizado com o drama do ex-colega de pistas, Cristiano relata a própria experiência e as dificuldades vivenciadas durante seu longo processo de recuperação em comparação ao tedesco. "Lógico que eu não sei qual foi o nível da lesão que ele teve comparada com a minha, então não sei se o que eu falo pode ser relacionado", pondera. "Mas da lesão que eu tive, é um processo longo. Demora, demora muito. Depois que você já está se tratando há um ano, você pensa 'ah, agora estou zero'. Passam seis meses e você pensa: 'Nossa, seis meses atrás eu achava que estava zero, mas é agora que estou'. Aí passam mais seis meses e você pensa igual... Isso ocorre inúmeras vezes. Torço para que o negócio dele não seja do nível do meu. Torço para que não chegue ao ponto em que o meu chegou. Tomara que ele não tenha que passar por esse processo todo."

Por sua vez, Gary Hartstein, ex-médico da F1, também relembra o caso do ex-piloto da Toyota na categoria europeia, mas alerta que comparações são desnecessárias neste tipo de caso. "Não é útil tentar comparar a gravidade das lesões entre os pacientes, ou mecanismos entre um e outro. Talvez a figura pública mais relevante para uma 'comparação' seja Cristiano da Matta. Mas ainda assim, 100 'Cristianos' não teriam o mesmo resultado", diz.

Quem também viveu algo parecido foi Felipe Massa, novo piloto da Williams e amigo íntimo de 'Schumi'. E que justamente cita Cristiano como parâmetro de recuperação. "O Da Matta ficou dois meses sem a tampa da cabeça e hoje tem uma vida normal", afirma à RWUp. "Não é mais piloto, mas tem uma vida normal, e toda a torcida minha é para que isso aconteça também com o Schumacher: que ele volte a ter uma vida normal."

Massa também sofreu grave lesão cerebral. Foi durante a sessão classificatória para o GP da Hungria de 2009, quando foi atingido na cabeça por uma mola que se desprendeu do carro de Rubens Barrichello e, com a violência do impacto, ficou imediatamente desacordado. Resgatado consciente, mas também desorientado, foi induzido ao coma por alguns dias e também sofreu danos no cérebro e no crânio. O brasileiro, entretanto, crê que sua recuperação foi mais rápida do que o normal, e prefere não se arriscar a traçar um paralelo entre seu caso e o do amigo Michael.

"A única coisa que posso dizer é que ele é um atleta. A minha recuperação foi mais rápida do que eu imaginava. Você sendo um atleta, ajuda a recuperar. Agora, é difícil de você dizer em um caso no qual você não tem a certeza. A gente não sabe como ele está. A gente ouve, lê, e eu tenho notícias de pessoas que estão lá, próximas, mas é difícil de você comparar", diz.
“Aconteceu de pegar uma pedra, foi um acidente.
Acho que ele não teve muita sorte”
- Felipe Massa, piloto da Williams

Sem culpados

A justiça francesa decidiu investigar os detalhes a respeito do grave acidente de Schumacher de forma detalhada para avaliar as reais condições nas quais a queda do alemão ocorreu e apontar possíveis responsáveis pelo incidente. Os detalhes, pouco a pouco, também foram revelados e, em alguns casos, desmentidos – em um primeiro momento, a assessoria de imprensa do heptacampeão havia indicado que o ex-piloto teria mudado de trajetória para socorrer um amigo que também havia caído, hipótese totalmente descartada pela polícia de Albertville, que conduziu o caso. Imagens filmadas por uma câmera GoPro que estava instalada no capacete de Michael foram utilizadas na investigação.

De acordo com as informações oficiais, 'Schumi', de fato, estava fora da área demarcada e caiu ao fazer uma curva, batendo violentamente com o rosto contra uma pedra. Embora não tenham sido divulgadas, as imagens mostram claramente, de acordo com a promotoria local, que aquele trecho não deveria ser utilizado por nenhum esquiador. A pedra na qual o germânico bateu o rosto estava cerca de 8 metros fora da pista. Sem informar a velocidade, o investigador Patrick Quincy, que lidera o caso, indicou que Schumacher descia a montanha em um ritmo de um "esquiador muito bom".

Presidente da Confederação Brasileira de Desportos na Neve – CBDN –, Stefano Arnhold é cauteloso ao comentar o assunto, mesmo com longa experiência em episódios semelhantes ao do alemão. "Tem bastante especulação e não tem muita informação específica do que aconteceu. Sabemos a região em que é, até um lugar que eu conheço razoavelmente, mas o que aconteceu ninguém sabe", diz o dirigente à RWUp.

"Não sei exatamente onde ele se acidentou. O que aconteceu foi que nevou bastante nos dias anteriores e ventou muito, e isso altera as condições normais da pista, expõe inclusive rochas e pedras", explica. "Uma das suposições é que ele cruzou mesmo de uma pista para outra através de um local fora da pista e talvez tenha imaginado que estava em um local, mas estava em outro. Com isso, acabou caindo sobre uma rocha. Mas não tenho a informação sobre qual é exatamente essa rocha. E o pessoal que fez o resgate, que viria a saber, não está revelando essa informação."

A região do acidente na estação de Méribel, de acordo com Arnhold, não representa perigo – mas apenas se utilizada dentro do traçado normal. "Esquiar dentro da pista, a princípio, não é um esporte perigoso. A competição pode ter algum perigo dependendo do tipo de prova, mas o turista normal, esquiando em uma pista demarcada, teoricamente não sofre risco. É como passear de bicicleta no parque. Enquanto a gente estiver dentro da pista demarcada, não acontece nada. A hora que você resolve sair do parque, se for um parque montanhoso e você não conhece a pista, aí sim oferece algum risco", compara.

Para Massa, contudo, a postura do amigo Schumacher ao optar por esquiar fora do traçado não pode ser condenada. De acordo com o brasileiro, a busca pelo risco e pela maior adrenalina faz parte da rotina de qualquer humano que construa sua vida guiando um bólido a mais de 300 km/h. "Tudo aquilo que um piloto faz é arriscar. A gente arrisca na nossa vida, não só guiando na pista como em outras coisas que a gente faz. Se você falar para um piloto andar de bicicleta para passear, é difícil um piloto passear", contrapõe à RWUp. "São coisas que ele fez e que eu já fiz muitas vezes. Não só sair da pista [no esqui], mas em outros exemplos. Não só eu como o mundo dos pilotos."

O piloto da Williams não é um esquiador dedicado como Schumacher, mas explica que o vício em quebrar limites está no sangue de qualquer competidor. Para ele, o acidente de Michael foi uma fatalidade. "Ele esquia melhor que eu, sem dúvida. Mas aconteceu de pegar uma pedra, foi um acidente, acho que ele não teve muita sorte. Já fui fora da pista, também. É mais difícil, sem dúvida", relata. "Mas quem sou eu para falar que ele estava abusando? Ele não teve sorte naquele momento."
Pessoas ouvidas pela REVISTA WARM UP são unânimes em apontar que caso de Schumacher foi fatalidade. (Foto: Mark Thompson/Getty Images)
Da Matta segue a mesma linha de pensamento, novamente comparando o caso do heptacampeão ao seu próprio acidente em Elkhart Lake. "Acho que o negócio que aconteceu com o Schumacher deve ter sido uma fatalidade, como aconteceu comigo. Um veado atravessou a pista na minha frente, vou ter medo de andar de carro de corrida de novo? Não!", afirma. "Não é todo dia que um veado atravessa a pista na frente de um carro de corrida. Com o Schumacher, acredito que tenha acontecido algo parecido, alguma coisa dessas que acontecem uma vez em mil."

A abordagem do acidente do ex-piloto de Jordan, Benetton, Ferrari e Mercedes não inclui falhas nos itens de segurança disponíveis para esquiadores. De acordo com Arnhold, "a federação internacional de esqui faz um trabalho contínuo, com a ajuda de universidades, de centros de traumatologia, a própria indústria do esqui", detalha. "Toda a tecnologia que foi investida em proteção, em anteparos infláveis... Tem inclusive um colete com air-bag sendo testado para os atletas, para ser utilizado, se possível, já no ano que vem. Isso relacionado a competição. Agora, o esquiar na pista em si é bastante seguro. Quando você sai da pista, aliás, o perigo maior é o de avalanche. Mas nós temos que ser realistas: os capacetes vão proteger até um determinado nível de impacto", alerta. "Em alguns níveis, a proteção fica praticamente inviável. Mas o esporte em si é um esporte seguro."

Marcelo Apovian, ex-esquiador olímpico e vítima de um grave acidente que encerrou sua carreira na modalidade em 1998, contrapõe a visão de Arnhold sobre os riscos do esqui. "É um esporte perigoso", comenta, enfático. "O esqui de competição mata pelo menos uma pessoa por ano, é uma coisa meio rotineira. O fato é que Schumacher não estava competindo, estava esquiando devagar, de capacete... Estava tudo certinho. Mas é um esporte de risco. Você tem chance de ter uma fratura, isso faz parte", diz o atleta à RWUp.

"De 1998 para cá, quando parei de competir, mudou muito. Em qualquer estação de qualquer lugar do mundo, 90% das pessoas usam capacete, os equipamentos são muito mais modernos e muito mais fáceis de conseguir do que na minha época. Mas não tem muito o que fazer. Pode estar de colete e tudo mais, o risco é igual. Foi uma fatalidade."

Os esquiadores mais confiantes, contudo, possuem o hábito de sair da área demarcada, de acordo com o presidente da CBDN. "Sair da pista tem um atrativo. A pista que é demarcada é uma pista batida, compactada através de máquinas toda noite para deixá-la lisinha. É muito bom para o esquiador normal, para o turista. Fora da pista, você tem o acúmulo de uma neve nova, fofa. E, obviamente, esquiar nela é muito mais gostoso para quem sabe", admite Arnhold. "O nível de esqui é completamente diferente. É daí o atrativo e é aí que muitas pessoas se arriscam."

Apovian corrobora as palavras de Arnhold, explica do ponto de vista de um ex-esquiador e vai além ao classificar o acidente de Schumacher como uma questão de azar. "Está todo mundo questionando o que aconteceu, 'foi isso', 'foi aquilo'... Eu sei exatamente o que aconteceu, porque já passei por situação parecida. Ele estava devagar, saiu da linha demarcada, a pedra estava escondida, ele travou em uma pedra e caiu de cabeça na outra da frente. Foi uma puta de uma fatalidade. Comentei com um amigo meu que 'Deus chamou ele'", lamenta. "Enfim, foi uma fatalidade total. Meu caso também foi, mas foi menos grave, por ter sido só a perna." Marcelo sofreu uma violenta queda e seu processo de recuperação durou mais de três anos. Em seu acidente, entretanto, não teve lesões na cabeça.

Para Arnhold, porém, é necessário haver respeito pela natureza ao lidar com o desconhecido. "A montanha tem que ser respeitada assim como o mar. É um bom paralelo. Se você não conhece bem o mar, não vai se aventurar em alto mar”, fala. “É a mesma coisa para a montanha: um turista não pode se aventurar em uma que não conheça. O respeito pela montanha é fundamental. Algumas pessoas não têm o mesmo respeito que o ambiente merece.”
 

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