Edição 47
Fevereiro/2014

Carro-chefe: O enigma do novo príncipe

A F1 tem cinco campeões em atividade, todos em equipes de ponta, o que nos leva a pensar que ainda conquistarão mais taças. Tendo isso em mente, quais as chances de a categoria coroar um novo nome em breve?

EVELYN GUIMARÃES, de Interlagos
Sebastian Vettel, último campeão inédito da F1, é tão avassalador que impede a chegada de novos candidatos ao olimpo da categoria. (Foto: Handout/Getty Images)
izer que Sebastian Vettel mudou a história da F1 já virou um lugar mais do que comum. De fato, não há mais adjetivos que possam definir com exatidão as conquistas do alemão da Red Bull, que em 2013 faturou pela quarta vez consecutiva o título da mais importante categoria do automobilismo, vencendo 13 das 19 provas disputadas ao redor do planeta. Embora avassaladora, a performance de Vettel também impôs um hiato de quatro anos sem campeões inéditos na F1. Tal ‘jejum’ aconteceu apenas duas vezes em mais de 60 anos de Mundial: durante os quatro campeonatos seguidos de Juan Manuel Fangio (1954 e 1957) e, mais recentemente, na fase soberana da Ferrari e de Michael Schumacher, entre 2000 e 2004, quando o germânico obteve cinco de seus sete títulos mundiais.

O primeiro campeão inédito após o reinado do argentino foi Mike Hawthorn, em 1958. O inglês, que havia feito sua estreia seis anos antes, não era brilhante ou considerado um 'novo Fangio', mas era um lutador. Embora tenha vencido apenas uma vez no campeonato — contra quatro triunfos do rival Stirling Moss —, os sete pódios durante aquele ano serviram para assegurar a taça do Mundial, a única da curta carreira. Hawthorn se retirou das pistas no final da temporada e é lembrado até hoje como o primeiro britânico campeão da F1.

A partir daí, o principal campeonato de monopostos viveu quatro décadas de grande rotatividade e pouca repetição de nomes nas bases dos troféus. Houve, sim, campeonatos seguidos, como os de Jack Brabham, que se tornou bicampeão entre 1959 e 1960, ou Alain Prost, em 1985 e 1986. Ou mesmo Ayrton Senna em 1990 e 1991. Até Mika Häkkinen entra nesta lista, com o bicampeonato seguido em 1998 e 1999. Mas, além das hegemonias de Fangio, Schumacher e Vettel, jamais alguém venceu três títulos consecutivos ou impôs longos períodos de domínio.

Mas quem mudou mesmo o curso da história foi Schumacher, como se sabe. É bem verdade que o alemão obteve dois campeonatos consecutivos — 1994 e 1995 —, mas foi com a Ferrari que seu nome definitivamente entrou para a folha dos gênios do esporte a motor. Schumacher precisou esperar cincos anos para finalmente celebrar o tri. Só que, quando o fez, não parou mais. Foram mais quatro anos impecáveis que impediram qualquer outro piloto de sonhar com o título mundial – Kimi Räikkönen e Juan Pablo Montoya até pensaram que teriam sua chance em 2003, mas não foram capazes de derrotar o tedesco. Em outras palavras, Schumacher zerou uma geração.
Em 2005, Fernando Alonso rompeu o domínio de Michael Schumacher e tornou-se, à época, o mais jovem campeão da história da F1. (Foto: Mark Thompson/Getty Images)
O acachapante desempenho durou até a ascensão Fernando Alonso. O espanhol estreou na F1 em 2001, e, em 2005, viu-se em plenas condições de brigar pela taça com uma afinadíssima Renault nas mãos. E não desperdiçou a chance: o asturiano desbancou Schumacher e se tornou o primeiro campeão após a mágica fase ferrarista. Fernando repetiu a dose no ano seguinte, que marcou também a primeira aposentadoria do heptacampeão.

Ao contrário do que acontecera nos anos 50, o primeiro campeão inédito dessa fase mais moderna da F1 era alguém muito mais jovem e promissor, cuidadosamente talhado para a disputa do maior campeonato do mundo no automobilismo – ele, aliás, quebrou o recorde de precocidade que perdurava desde Emerson Fittipaldi, em 1974. Características que agora parecem também definir e com ainda mais eficiência o nome dos novos campeões da F1: Lewis Hamilton e Sebastian Vettel são as duas grandes provas disso.

Entre o bi de Alonso e o início da Era Sebastiana da F1, outros três pilotos alcançaram o Olimpo do automobilismo: Jenson Button se tornou campeão na fantástica temporada de 2009, a bordo do não menos espetacular carro projetado por Ross Brawn, o BGP-001. Antes dele, o compatriota Hamilton fez as honras ao garantir seu primeiro título, depois de uma disputa dramática com Felipe Massa em 2008.

Hamilton, aliás, é o primeiro grande representante, depois de Alonso, dessa espécie de formação de campeões que invadiu a F1 por meio de grandes investimentos de equipes de ponta em programas de jovens pilotos. Lewis foi descoberto pela McLaren ainda criança, teve a carreira toda apoiada pela cúpula de Woking e desembarcou no Mundial com pompa e estilo. Por muito pouco não faturou o título em seu ano de estreia.

Na verdade, quem acabou levando a melhor naquele campeonato de 2007 foi outro novo campeão: Kimi Räikkönen sobreviveu e triunfou em meio à intensa luta entre Alonso e Hamilton, que dividiam a McLaren ainda comandada por Ron Dennis. Até é possível dizer que Räikkönen e Button conseguiram vencer em uma lacuna deixada por esses projetos de formação de pilotos — situação cada vez mais rara no Mundial.

Aí, sim, veio Vettel. Oriundo do fortíssimo programa da Red Bull, o alemão mostrou que do era feito ainda em 2008, um ano após a estreia, quando venceu na Itália com a Toro Rosso. Na temporada seguinte, já estava na equipe-mãe, onde lutou pelo campeonato.

O primeiro título veio na sequência, em 2010, aos 23 anos. Seb, então, passou a assombrar a F1 e o mundo com performances cada vez melhores, quase que reescrevendo a história traçada por seu ídolo de infância, Schumacher, anos antes.

Sebastian iniciou um domínio tão imponente que, muitas vezes, duvidava-se de sua pouca idade e experiência creditando os sucessos às máquinas desenhadas de outro gênio, mas o germânico soube tirar como ninguém proveito dos carros vencedores de Adrian Newey para impedir qualquer esboço de reação da concorrência. Assim, a chance de um novo nome ficou para depois.

Para 2014, o cenário armado indica que a chance de um campeão inédito surgir não é tão grande: num dos períodos de pilotos mais laureados da história, cinco campeões estão no grid e correndo pelas equipes que venceram os últimos sete mundiais – Vettel na Red Bull, Alonso e Räikkönen na Ferrari, Hamilton na Mercedes (ex-Brawn GP) e Button na McLaren.

Diante disso, a pergunta que vamos tentar responder nessa reportagem é: qual piloto do grid atual tem condições de se tornar o próximo campeão inédito da F1?

A REVISTA WARM UP ouviu pilotos, ex-pilotos, jornalistas e dirigentes para entender como o Mundial pode consagrar um novo nome tendo um grid que possui respeitados campeões. Além disso, a introdução de um polêmico e complexo regulamento técnico para 2014 não parece jogar muito a favor dos demais concorrentes e novatos.
“Acredito que, a curto prazo, Nico Rosberg seja esse novo nome”
– Johnny Herbert, ex-piloto e atual comentarista da Sky Sports F1

Não tão rápido

É possível dizer que Nico Rosberg sai na frente em uma preferência geral e desponta com certo favoritismo entre os que buscam o primeiro título.

O alemão de 28 anos vive agora o melhor momento da carreira, é consistente e conta com uma forte estrutura. Talvez seja ele o nome mais forte? O ponto negativo para um eventual triunfo de Nico dorme ao lado. Lewis Hamilton, campeão em 2007, é o maior empecilho às ambições de Rosberg.

Depois do alemão da Mercedes, a lista contempla alguns veteranos como Felipe Massa e Adrian Sutil. Membros de uma geração mais recente, Romain Grosjean, Daniel Ricciardo e Nico Hülkenberg também podem ser citados.

O ex-piloto e hoje comentarista Johnny Herbert é categórico ao apontar Rosberg como favorito, mas vê o colega de time um pouco à frente. "Acredito que, a curto prazo, Nico Rosberg seja esse novo nome por diversas razões. Mas não é o único", afirma o inglês à REVISTA WARM UP. "Já tem experiência o suficiente e, o mais importante, uma grande equipe por trás. Não se abate com os grandes, correu com Michael Schumacher e agora com Lewis Hamilton. Eu o vejo como um grande candidato, forte. Mas Lewis é um perigo, sem a menor dúvida sobre isso. Se a Mercedes tiver um bom carro, creio que Hamilton será o cara deles", completa.

A opinião de Herbert é a compartilhada por Flavio Gomes, diretor-geral da AGÊNCIA WARM UP. "Acho bem difícil", diz sobre a possibilidade de um campeão inédito em um pequeno espaço de tempo. "Talvez Rosberg possa ser considerado um candidato, mas é difícil imaginar, numa Mercedes capaz de ser campeã, Hamilton sendo derrotado pelo alemão. Lewis é mais piloto", acrescenta.

"Pensando exclusivamente nos próximos três anos, vejamos... Caio em Rosberg de novo, mas só se houver uma conspiração do universo a seu favor. Não acho que Vettel vá para a Ferrari, nem que Alonso se aposenta nos próximos três anos. Mas falando apenas hipoteticamente, sobre a qualidade dos pilotos do grid atual que nunca foram campeões, eu colocaria na lista pouquíssimos em quem apostaria algo no futuro, até porque muitos estão apenas começando e não tiveram tempo de demonstrar grande coisa. Essa lista teria Hülkenberg e Grosjean, apenas, ao lado de Nico", explica.

O nome de Rosberg aparece também na lista de Cesare Mannucci, jornalista que há anos acompanha a F1 pela conceituada revista italiana 'Autosprint'. Para Mannucci, o germânico é favorito, apenas a curto prazo.

"É muito difícil porque as equipes de ponta não só possuem os melhores pilotos e que já foram campeões, como também têm o maior orçamento, são ricas e possuem um forte programa de jovens pilotos, e isso é muito importante. O único que ainda não foi campeão e que tem tudo para ser já neste ano ou em 2015 é Nico Rosberg", declara.

Piloto da BMW no DTM, Augusto Farfus é outro que coloca suas fichas no piloto da Mercedes. "O Nico Rosberg é o único grande candidato a ser campeão inédito por enquanto", fala o curitibano à WARM UP.
Nico Rosberg é apontado como o maior candidato a "novo campeão". Mas não é favorito ao título, não. (Foto: Divulgação/Mercedes GP)
Fábio Seixas, comentarista e chefe de reportagem do canal a cabo SporTV e que já cobriu mais de 120 GPs de F1, vai por uma direção diferente. Embora considere que Rosberg "tenha alguma chance de se tornar o novo campeão", o jornalista vê com maior entusiasmo uma provável ascensão dos novatos, especialmente dois estreantes de 2014. "Eu acho que tem dois caras podem fazer isso: o Kevin Magnussen e o Daniil Kvyat", diz à RWUp. "Depois de algum tempo acompanhando esse negócio, a gente começa a perceber logo de cara quando um piloto tem algo de especial. Eu sempre escrevi que o piloto especial mostra serviço logo de cara. E foi mais ou menos o que o Kvyat fez", relata.

"Guardadas as devidas proporções, o Kvyat é um cara que, pelo talento natural, me lembrou muito o Kimi Räikkönen. Claro que não foi um salto tão grande quanto o do Räikkönen, que saiu da F-Renault para a F1, mas se o Daniil continuasse na GP2, seria um desperdício. Ficar muito tempo em categorias de base acaba queimando o filme do pitoto”, opina. Seixas lembra que o jovem russo "cresceu no momento certo na temporada da GP3 no ano passado", e que isso pode ter sido o fator decisivo para a promoção na Toro Rosso. "Na hora em que foi preciso vencer, ele começou a ganhar e levou o título."

Magnussen é feito do mesmo material e tem um ingrediente extra: “O caso dele envolve uma história sensacional pelo simples fato de ser filho de quem é, de um cara súper promissor e que acabou sucumbindo porque não tinha uma cabeça muito boa. De certa forma, é uma maneira de vingar o pai. De fazer aquilo que o pai não conseguiu na F1", fala.

Seixas ainda vê, no meio do caminho, uma geração desperdiçada: “Sergio Pérez, Kamui Kobayashi, Felipe Massa, Nico Hülkenberg... Esses caras aí não vão ser campeões.”

Mesmo acreditando em Rosberg, Herbert, assim como Seixas, crê que Magnussen e Kvyat são os nomes para um futuro próximo da F1. "Falando sobre a nova geração, acho que o nome que podemos citar é o de Kevin Magnussen. Ele fez uma temporada incrível em 2013 e ganhou uma grande chance agora na McLaren, que possui uma ótima estrutura técnica para que ele faça uma adaptação rápida à F1", diz.
Daniil Kvyat ainda nem estreou na F1, mas é um nome a ser observado. (Foto: Mark Thompson/Getty Images)
"Daniil Kvyat também é um piloto especial e com enorme talento. A Red Bull viu isso cedo e imediatamente o promoveu para a Toro Rosso. Eu acredito que foi uma decisão muito acertada", acrescenta o britânico, apontando ainda um nome que sequer figura entre os titulares: Stoffel Vandoorne. O jovem belga foi derrotado por Magnussen na temporada 2013 da World Series e ficou com o vice-campeonato. Ainda assim, ganhou a vaga de reserva na McLaren para neste ano. "É rápido e muito consistente. Certamente, fará um caminho forte na F1 muito em breve", afirma.

Campeão em 1997, Jacques Villeneuve possui uma visão mais pragmática. O canadense vai um pouco além e sequer cita Nico Rosberg ou Daniel Ricciardo ou mesmo Romain Grosjean. Villeneuve entende que, diante do atual grid e da formação das equipes levando em consideração os próximos anos, um novo campeão só vai surgir quando os atuais deixarem os grandes times. Jacques confia na habilidade dos novatos, mas não os vê erguendo troféus tão cedo.

"Acho que, por enquanto, teremos campões repetidos, sobretudo Sebastian. Do jeito que está, creio em mais um ou dois campeonatos. A Ferrari teria de melhorar muito para superá-lo, apesar de ter Alonso e agora Räikkönen. Acho também que Hamilton, dependendo da evolução da Mercedes, pode vir a conquistar mais um campeonato", diz à RWUp. "Mas, dos caras que estão aí hoje, não vejo ninguém com chances reais. Ricciardo, vamos falar a verdade: ele não é nenhum Vettel. Rosberg tem Lewis para lidar. Resta ver os estreantes, mas acho ainda vai levar mais quatro ou cinco anos."

Christian Horner, o chefão da poderosa Red Bull, foi bastante diplomático e disse, quando questionado pela RWUp, que é um "exercício de previsão difícil de fazer", mas fez as honras da casa: "Na verdade, espero que seja alguém com um carro da Red Bull."
“Acho que o novo campeão será, a longo prazo, alguém novato, como Kevin Magnussen”
– Jacques Villeneuve, campeão mundial de F1 em 1997
Pouco cotado: especialistas são categóricos ao afirmar que Daniel Ricciardo não tem nenhuma chance. (Foto: Mark Thompson/Getty Images)

Nunca serão?

Falando em Ricciardo e no papel que terá a partir de 2014 na bem-sucedida e sempre favorita equipe austríaca, a possibilidade de um coadjuvante brilhar também é quase nula. E a história corrobora. Em times claramente divididos em primeiro e segundo piloto, o número 2 já entra uma amarga missão. Foi assim com David Coulthard na McLaren, quando viu os dois títulos de Häkkinen. Rubens Barrichello viveu situação semelhante, mas mais acintosa, quando dividiu a Ferrari com Schumacher. E Mark Webber na difícil relação com Vettel mais recentemente na esquadra dos energéticos.

E é nisso que Flavio Gomes acredita. "Na Red Bull, nenhuma chance. Vettel é bem melhor. Kvyat pode ser uma surpresa, por ser muito talentoso. E é difícil imaginar Magnussen andando mais que Button, é cru demais", detalha.

Já para Mannucci, de fato, Ricciardo é o que menos tem chance entre os pilotos das maiores escuderias. No caso, chance zero: "Daniel não tem nenhuma chance. Já Rosberg e Magnussen têm muitas.”

Farfus também foi categórico. "Acho impossível o Ricciardo andar na frente do Vettel", declara o piloto. Mesma opinião teve Seixas, citando ainda o equilíbrio entre as demais duplas entre os times mais fortes. “Muita coisa errada precisa acontecer com o Vettel para que o Ricciardo tenha alguma chance. E hoje em dia a McLaren é a única equipe ali da frente que tem uma divisão mais clara de primeiro e segundo piloto. Na Ferrari, a coisa é tão equilibrada que não vai dar certo. Na Mercedes, o negócio também é equilibrado. É difícil falar algo", emenda.

Já Horner fez o discurso do chefe de equipe ao falar sobre uma eventual disputa entre seus dois pilotos e garantiu igualdade de condições. "Terão o mesmo tratamento. Não tem razão de ser diferente. Confiamos em Daniel e temos certeza de que ele vai retribuir a confiança. Será um ano difícil para ele, em uma equipe campeã, mas acho que está pronto para suportar a pressão. E pode surpreender."

Cético, Villeneuve não vê os coadjuvantes na frente. "Entre os segundos pilotos, não há chance. Por isso, acho que o novo campeão será, a longo prazo, alguém novato, como Magnussen", declara.

Mannucci também coloca suas apostas todas no jovem dinamarquês, mas faz uma ressalva: para ele, o sucesso do filho de Jan está inteiramente ligado a uma bem-sucedida parceria entre Honda e McLaren. Como se sabe, a montadora japonesa vai fornecer os motores V6 para a equipe inglesa a partir de 2015. "Se pensarmos bem a longo prazo, acho que Kevin é o favorito para ser o primeiro campeão inédito, mas isso vai depender da habilidade da Honda com a McLaren", fala.

Regulamento ajuda, atrapalha ou nivela por baixo?

2014 é um ano de muitas modificações significativas na F1, talvez as maiores dos últimos anos. Apesar da complexidade do novo livro de regras, as mudanças não representam, ao menos não em um primeiro momento, uma forma de alavancar as equipes do bloco intermediário ou mesmo do fundo do grid – até porque os novos propulsores saíram bem mais caros do que a encomenda.

Mesmo lutando por uma melhor adaptação, as escuderias de ponta sempre vão sair na frente, assim como seus pilotos mais experientes. Daí o fato de muitos não apostarem no novo regulamento como um trampolim para o estrelado. "Tirando o Magnussen, que está em um bom carro, o resto vai sofrer um pouco neste primeiro ano. Talvez o Nico Rosberg possa entrar na briga pelo campeonato, mas, com exceção dele, acho que tudo indica que teremos um campeão repetido neste ano", sentencia Seixas.

Mannucci também não crê que as novas regras sejam de algum benefício aos novatos, mas entende que, devido às grandes alterações, as primeiras corridas serão imprevisíveis. "As novas regras não terão qualquer influência. Com certeza, o regulamento técnico deste ano vai transformar as primeiras seis corridas em uma loteria, do ponto de vista da confiabilidade dos carros. Assim como Jody Scheckter e a Wolf venceram o GP da Argentina, em 1977, na estreia da equipe, um time do bloco intermediário também pode ganhar a primeira corrida do ano. Pode ser a Williams, a Sauber ou a Force India. Mas será apenas uma prova, não o campeonato", diz o repórter da 'Autosprint'.

"Será um campeonato em que os construtores que produzem motor e chassi terão uma grande vantagem. Ou seja, Ferrari e Mercedes. Os seis dias de testes durante a temporada, também vão ser de grande ajuda para as equipes de ponta, porque elas possuem maior estrutura e recursos para desenvolver o programa técnico. Acredito que será uma briga mesmo entre Mercedes e Ferrari", completa.

Gomes vai na linha do colega italiano e afirma que os cinco campeões do grid, "matreiros" que são, farão toda a diferença. "Pode ser que apareça algum geniozinho mais capacitado do que os outros, para entender e fazer funcionar um carro que será muito diferente dos que vinham sendo usados até o ano passado. Mas, do lote atual, acho que os de sempre são mais preparados, até porque são experientes."

"Vejo Button, Alonso, Vettel, Räikkönen e Hamilton na condição de ‘diferenciados’ em relação aos demais. Vão apanhar menos porque são matreiros. De novo, colocaria Grosjean e Hülkenberg como espertinhos em potencial, que podem incomodar porque são talentosos. E Rosberg. Mais pela equipe onde está do que pelo piloto que é", acrescenta.
Felipe Massa perdeu o título em 2008 na decisão mais dramática da história da F1. E não deve mais ter outra chance igual. (Foto: Clive Mason/Getty Images)

Se o regulamento não joga a favor, o tempo também não

"Hoje em dia, eu vejo os jovens pilotos em um nível muito, muito alto dentro do esporte. Cada vez mais jovens, mas, ainda assim, em um nível altíssimo de profissionalismo e concentração, por isso tudo é mais rápido, a cobrança e o tempo de adaptação, o que acaba sendo decisivo", explica ex-piloto Johnny Herbert sobre o tempo para que o um nome novo levante a taça do campeonato. O britânico não vê isso acontecendo logo.

Para Fábio Seixas, no entanto, os novatos ainda precisam de mais tempo. "Sempre existe um tempo de maturação. Você vê o Schumacher... Ele estreou em 1991 e só foi ganhar o campeonato em 94, mas ele era aquele cara que chegou e logo todos perceberam que era um piloto especial, que tinha algo diferente. O Fernando Alonso também. Ele entrou em 2001 e só venceu o título em 2005", afirma.

"O Lewis Hamilton teria sido um caso de campeão no ano de estreia se não tivesse errado tanto no fim do campeonato. Mas é algo muito raro de acontecer. Normalmente, o piloto precisa desse tempo de maturação, de três a quatro anos, para cumprir o passo a passo, como começar a ganhar corridas, fazer poles, precisa ser consistente. Então é isso, eu acho que o tempo gira em torno disso, de três a quatro anos, para entrar na briga pelo título", acrescenta.

Daí a aposta nos estreantes e novatos para o futuro, levando-se em conta também as possíveis mudanças dos pilotos veteranos. Embora ainda meros candidatos, os ‘escolhidos’ também a entender o caminho das pedras. Ou seja, é o programa de jovens competidores que dita a regra atualmente, é o que decide e separa quem fica e quem vai. Foi assim com Alonso, com Hamilton e agora com Vettel. Mas todos precisam antes cumprir o tempo de maturação, e é esse cenário que coloca Rosberg como o principal candidato a novo príncipe, ao menos no curto prazo.
 

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