Edição 47
Fevereiro/2014

Estepe: Temporada de mudanças na Superbike

Como se fosse padrão no automobilismo, 2014 vai apresentar alterações no formato do WSBK, o Mundial de Superbike. A categoria passa a ser administrada pela Dorna, a mesma da MotoGP

JULIANA TESSER, de São Paulo
Introdução da categoria EVO é a principal mudança da Superbike em 2014 como passo de um plano maior. (Foto: Matteo Cavadini/Divulgação WSBK)
014 será uma temporada de mudanças para o Mundial de Superbike. No segundo ano sob o comando da Dorna, mesma empresa que promove o Mundial de Motovelocidade, a categoria vai passar por modificações técnicas e esportivas que têm como objetivo revitalizar a série, cortando custos, tornando a competição mais atrativa para os canais de TV e aproximando-a da MotoGP.

No início de outubro de 2012, o fundo Bridgepoint, que investe na Dorna e também na Infront Motor Sport, anunciou que a empresa espanhola assumiria o comando da Superbike no lugar da companhia suíça, com a meta de garantir a saúde financeira e a viabilidade das duas competições.

"Nós esperamos desenvolver e fortalecer a ambos os campeonatos, obedecendo a parâmetros separados, mas comprometidos a trabalhar firme com as equipes, fabricantes, proprietários de circuitos, patrocinadores e imprensa para proporcionar uma grande experiência aos fãs", disse Carmelo Ezpeleta, diretor-executivo da Dorna, na época do anúncio.

Inicialmente, a Dorna não promoveu nenhuma grande mudança no Mundial, mas agora, depois de uma temporada de análise, entrou em ação e começa a pôr em prática um plano que contempla alterações no formato e no regulamento, uma medida que vai alterar a dinâmica de um campeonato que vai contar com a estreia de duas novas fábricas: a lendária MV Agusta e a norte-americana EBR.

A principal mudança diz respeito à introdução da subcategoria EVO. Nessa classe, as motos, que são derivadas das máquinas de rua, contam com chassi de Superbike e motor de Superstock – que prevê o uso do sistema original de injeção eletrônica, impede mudanças na cabeça do cilíndro e no comando das válvulas, entre outras partes do propulsor, e conta com outras limitações na eletrônica. A entrada da categoria, entretanto, é o primeiro passo de um plano maior, que prevê a adoção do novo código por todas as equipes no próximo ano.

Além disso, o sistema de disputa também será modificado. Para aproximar a Superbike da MotoGP, sai o atual formato de treino classificatório, dividido em três estágios, e entra um modelo similar ao que é utilizado na elite do motociclismo mundial.
Com organização da Dorna, as mudanças tendem a aproximar a Superbike da MotoGP. (Foto: Divulgação/WSBK)
A partir deste ano, o Mundial terá três sessões de treinos livres de 45 minutos que contam para a Superpole. Antes da fase final da classificação, os competidores ainda realizam uma bateria de 30 minutos. Na Superpole, os pilotos são divididos em dois grupos: os dez mais rápidos no resultado combinado dos treinos livres avançam direto para a Superpole 2, com os demais disputando a Superpole 1 em busca das duas últimas vagas na etapa final.

“Isto é parte de um esforço para tornar os regulamentos esportivos do Mundial de Superbike e de GP o mais parecidos possível, para criar uma base comum em termos de regras que possa ajudar os organizadores dos circuitos, os comissários e todos os envolvidos nas duas séries”, explicou a organização do campeonato.

Esta modificação, similar ao que acontece na MotoGP desde 2013, embora represente um ganho em tempo de exposição dos times menores na TV e facilite para o espectador casual, será bastante sentida pelos fãs da Superbike.

O formato anterior colocava em jogo a habilidade estratégica de cada time, já que os pilotos contavam com apenas dois conjuntos de pneus de classificação para as três sessões. Assim, os competidores mais rápidos precisavam lançar mão de estratégias diferentes, muitas vezes calçando as motos com pneus de corrida na parte intermediária do treino para deixar os compostos mais rápidos para o final.

Outra medida que iguala o Mundial de Superbike à MotoGP diz respeito às advertências aplicadas aos pilotos. Assim como já acontece no Mundial de Motovelocidade, serão aplicados pontos de punição na categoria das motos de produção. Esses pontos, que terão validade de 12 meses, podem resultar na suspensão de um competidor em caso de insistentes faltas.

Também pensando na audiência da categoria, a Dorna decidiu modificar a programação de todo o fim de semana, optando por um cronograma mais curto. Assim, a empresa espanhola pretende evitar que as provas do Mundial coincidam com etapas da MotoGP, da F1 ou com outros grandes esportes.

Com a etapa inicial da temporada programada para Phillip Island, a nova agenda passa a funcionar a partir da segunda prova do ano, que acontece em 13 de abril em Aragón, e determina que toda a progamação – com as provas de Superbike, Supersport e Superstock – aconteça entre 10h30 e 14h30. No caso da Austrália, por conta do fuso horário e da transmissão televisiva, as disputas serão realizadas entre 12h e 14h40.
“Nós esperamos desenvolver e fortalecer
a ambos os campeonatos”
– Carmelo Ezpeleta, diretor-executivo da Dorna

Calçados de sempre

Pela 11ª temporada consecutiva, a Pirelli será a fornecedora única dos pneus da categoria. Para 2014, a meta da fábrica de Milão é ajudar a reduzir a desvantagem das motos EVO para as demais, dando uma chance para que os melhores pilotos da divisão possam ser competivos, tornando o campeonato mais atrativo e equilibrado.

As informações coletadas este ano, no entanto, também terão um papel importante na próxima temporada, quando todas as motos do grid terão de obedecer ao regulamento EVO.

Para este ano, a Pirelli vai fornecer para todos os pilotos pneus de 17 polegadas da linha DIABLO. Os compostos serão disponibilizados nas seguintes medidas: dianteiros 120/70 – macios e médios; traseiros 200/60 – macios, médios e duros; de chuva; de pista molhada; e de classificação.

No total, os pilotos podem usar até 24 pneus por fim de semana, sendo dez dianteiros e 14 traseiros. Além disso, a Pirelli pode oferecer compostos diferentes para as Superbike e as EVO, como acontece no Mundial de MotoGP com os protótipos e as Open.

A ideia é a que a subdivisão tenha pneus que ofereçam melhor aderência e menor desgaste. Ao longo do ano, a marca italiana pretende desenvolver compostos que atendam as duas categorias.

A volta de um mito

37 após o último triunfo em um campeonato mundial – conquistado por Giacomo Agostini em 1976 –, a MV Agusta vai retornar às competições. Em parceria com a russa Yakhnich, a lendária marca italiana vai disputar os Mundiais de Superbike e Supersport.

Giovanni Castiglioni, presidente da fábrica italiana, justificou o retorno às pistas alegando que este era um antigo sonho de seu pai. Apesar da longa ausência, a MV Agusta trabalha com uma meta de curto prazo: brigar pela ponta já em 2015.

“Nosso retorno oficial às corridas é um passo muito ambicioso e importante para nós”, explicou Giovanni Castiglioni, presidente da montadora italiana. “As corridas sempre foram a grande paixão do meu pai e ele levou a marca à vitória em várias categorias do motociclismo, das 500cc ao Paris-Dakar”, lembrou.

“O sonho dele era ver a MV de volta às corridas e eu estou orgulhoso de ser o responsável por fazer isso”, completou.

Na divisão principal do certame, o italiano Claudio Corti, que disputou o Mundial de MotoGP até 2013, será o responsável por guiar uma F4 RR. Na Supersport, a MV vai alinhar com Vladimir Leonov e Jules Cluzel a bordo da F3 675.

Além da marca italiana, o certame também verá a estreia da EBR. A empresa norte-americana fundada por Erik Buell disputa o Campeonato Norte-Americano de Superbike desde 2011, tendo somado alguns pódios ao longo de sua história. A EBR vai alinhar com Geoff May e Aaron Yates a bordo de uma 1190RX.

“Ninguém está esperando pódios, mas nós vamos trabalhar duro, aprender e melhorar”, afirmou Erik Buell, fundador da marca. “Nós estamos confiantes de que a EBR vai trazer diversão e boas histórias para a categoria, e que os resultados virão”, completou.

Com as duas novatas, o campeonato vai contar com um total de oito fábricas. Kawasaki, Aprilia, Suzuki, Ducati e Honda continuam com seus esforços de fábrica, ao contrário da BMW. A marca da Bavaria decidiu se retirar do campeonato no fim do ano passado, mas verá uma de suas motos no grid por meio da BMW Motorrad Italia, que vai colocar nas mãos de Sylvain Barrier uma S1000RR EVO.
A Pirelli segue como fornecedora de pneus da categoria. (Foto: Graeme Brown/ Divulgação WSBK)
“O sonho do meu pai era ver a MV de volta às corridas e eu estou orgulhoso de ser o responsável por fazer isso”
– Giovanni Castiglioni, presidente da MV Augusta

Disputa em 14 etapas

A temporada 2014 do Mundial de Superbike terá 14 etapas. A primeira parada é em Phillip Island, na Austrália. Depois, a caravana segue para Aragón, na Espanha, antes de desembarcar em Assen. Ímola recebe a quarta prova do ano, que é seguida por Donington Park, na Inglaterra.

Entre as novidades do ano está a entrada de Sepang, na Malásia, que é seguida pela segunda etapa italiana do calendário: Misano. Portimão vem na sequência, antes de Laguna Seca e Jerez de la Frontera.

No fim de setembro, a Superbike chega a Moscou, na Rússia, antes de seguir rumo a Magny-Cours. A outra novidade do calendário é introdução de uma etapa na África do Sul, no circuito de Welkom. A última etapa do ano ainda não teve sua localização confirmada.

Em relação aos anos anteriores, as grandes ausências no programa do Mundial são Silverstone, Istambul, Nürburgring e Monza. O traçado italiano, entretanto, ainda tem chances de voltar ao calendário de 2015, mas depende de algumas adaptações para torná-lo mais seguro para as motos.

Apesar das mudanças, Tom Sykes abre a temporada como favorito, mas terá de se esforçar para fazer frente aos rivais. Campeão vigente, o britânico terá a meta de renovar seu título aproveitando as comemorações pelo 30º aniversário do modelo Ninja.
 

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