Edição 48
Março/2014

Equipes: McLaren Mercedes

Para esquecer o horror do campeonato passado, a McLaren promoveu uma série de mudanças que passou por um de seus pilotos ao seu diretor-executivo. Com o apoio da Mercedes, ‘pero no mucho’, tende a voltar a andar na frente

FLAVIO GOMES, de São Paulo
 
Depois de uma temporada desastrosa em 2013, ninguém achava que o time de Woking fosse repetir um carro tão errado no ano seguinte. E a primeira bateria de testes em Jerez deu essa impressão. Button e Magnussen tiveram desempenhos bem convincentes, com o jovem dinamarquês impressionando desde o início – é ótimo piloto, nome certo para vencer muitos GPs no futuro.

No Bahrein, no entanto, a equipe não brilhou. Enfrentou muitos problemas mecânicos e perdeu bastante tempo de pista. Ao final dos 12 dias, contabilizou 809 voltas – menos que Mercedes, Williams e Ferrari. Button, quando terminou a pré-temporada, não mostrava o mesmo otimismo dos primeiros dias na Espanha. Ao contrário. “Temos muita coisa para fazer e vai ser preciso buscar velocidade”, disse. Magnussen, que tinha andado com o carro do ano passado, falou que o novo, pelo menos, “se parece com um F1”.

Do lado de fora da pista, Martin Whitmarsh desapareceu e Éric Boullier, ex-Lotus, foi contratado para cuidar do rame-rame dos GPs. É um bom reforço, por aquilo que demonstrou à frente de sua ex-equipe.

Algo que pode atrapalhar a McLaren neste ano é o fato de que a Mercedes não lhe dará muita atenção e, possivelmente, ocultará alguns segredos, se isso for possível. Isso porque no ano que vem o time retomará a vitoriosa parceria com a Honda, que no fim da década de 80 e no comecinho dos 90 dominou a categoria. Os japoneses terão um ano para observar e aprender com as mazelas que afligirão todos os times. E é claro que os alemães não vão entregar tudo de bandeja.
Sede: Woking, Inglaterra
Carro: MP4-29
Motor: Mercedes
Principais dirigentes: Ron Dennis
Éric Boullier
Sam Michael
Jonathan Neale
Piloto reserva: Stoffel Vandoorne
Em 2013: 5º lugar no Mundial de Construtores (122 pontos)
Melhor resultado: 12 Títulos de Pilotos
8 Títulos de Construtores
Melhor tempo em Jerez: 1min23s276
(Kevin Magnussen, 1º)
Melhor tempo em Sakhir: 1min34s910
(Kevin Magnussen, 6º)
Praticamente liso de patrocínios, o novo e belo carro prata da McLaren não brilhou na pré-temporada. (Foto: Shaun Botterill/Getty Images)
Pilotos
A McLaren não costuma apostar em novatos, então é bom ficar de olho em Kevin Magnussen. O dinamarquês dominou a World Series em 2013 em um ano em que o grid da categoria foi melhor que o da GP2 e convenceu os dirigentes de Woking de que deveria estar na F1. Como a McLaren não encontrou uma vaga em outra equipe para seu pupilo e não estava satisfeita com o desempenho de Sergio Pérez, Magnussen ganhou a oportunidade que todo piloto sonha em ter: estrear na F1 sem precisar pagar para correr e, ainda por cima, em uma grande equipe.

Todo garoto que chega ao Mundial precisa de um tempo para se adaptar, mas o MP4-29 é muito melhor que seu antecessor e deve facilitar a vida do jovem na busca por bons resultados – e por salvar a honra da família, já que seu pai, Jan, teve passagem decepcionante pelo Mundial na década de 1990.

RENAN DO COUTO
Dono do maior número de GPs entre os pilotos em atividade, Jenson Button virou a cara da McLaren na F1. Seu desempenho tem sido constante em um bom nível desde a chegada ao time, em 2010, com o status de campeão mundial: nem muitos espetáculos, nem vexames. Lá, deve continuar por pelo menos mais dois anos, dando as boas vindas à Honda na temporada 2015 – o trabalho de desenvolvimento do V6 turbo nipônico será intenso paralelamente à disputa do Mundial deste ano.

E o sempre muitíssimo educado britânico é quem deve liderar a equipe para fora do buraco em que se meteu no ano passado. O MP4-29 é promissor e deve colocá-lo novamente na luta por pódios. Com sua pilotagem suave, Button tem tudo para se destacar com um regulamento que, mais do que nunca, exige cuidado dos pilotos e uma preocupação especial com o consumo de combustível.

RENAN DO COUTO
 

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