Edição 48
Março/2014

Equipes: Infiniti Red Bull Racing

Como em 2013, a Red Bull não conseguiu voltas rápidas nos testes de pré-temporada. Lá, escondeu o jogo; agora, não conseguiu andar. E vai perder o rumo dos títulos

FLAVIO GOMES, de São Paulo
 
Já era em 2014. Incrível, não? Dizer isso antes de começar o campeonato de uma equipe tetracampeã, que tem um dos melhores, senão o melhor, piloto do mundo pode parecer ousado. Não é. Na F1, apesar de tudo, é possível prever o futuro ‘macro’ sem muita chance de errar a partir de uma pré-temporada como a deste ano.

A Red Bull não conseguiu andar. E quando conseguiu, foi lenta. Só logrou completar mais voltas que a Lotus nos 12 dias de testes – 316, contra 238 do time preto e dourado, que não participou dos primeiros quatro dias em Jerez. Vettel completou 158 voltas – assim como Ricciardo –, contra 553 de Rosberg, o que mais rodou – 28,5% do total do alemão da Mercedes, pois.

Os problemas? Todos. Crônico, mesmo, o superaquecimento dos sistemas que compõem a unidade de força Renault. O motor francês foi problemático para todo mundo. As quatro equipes que o utilizam foram responsáveis por 24% das voltas completadas nos treinos (1.641). A Mercedes, também com quatro times, fez 48% das 7.068 voltas percorridas por todas as equipes (3.378). A Ferrari, com três representantes, por 28% (1.962).

Vettel viverá uma situação inédita na carreira. Terá um carro ruim que vai quebrar muito até a Red Bull encontrar todas as soluções necessárias. Como se diz, terá de trocar o pneu com o carro andando. Isso, na F1, inviabiliza qualquer perspectiva de bons resultados numa temporada, por mais longa que ela seja. Primeiro, será necessário resolver os problemas que não param de surgir, um atrás do outro. Depois, buscar performance. Quando isso acontecer, o campeonato já terá ido para o beleléu.
Sede: Milton Keynes, Inglaterra
Carro: RB10
Motor: Renault
Principais dirigentes: Christian Horner
Adrian Newey
Dietrich Mateschitz
Helmut Marko
Piloto reserva: Sébastien Buemi
Em 2013: Campeã Mundial de Construtores (596 pontos)
Melhor resultado: 4 Títulos de Pilotos
4 Títulos de Construtores
Melhor tempo em Jerez: 1min38s320
(Sebastian Vettel, 17º)
Melhor tempo em Sakhir: 1min35s743
(Daniel Ricciardo, 12º)
Vettel passou mais tempo nos boxes do que na pista com seu novo Red Bull. (Foto: Andrew Hone/Getty Images)
Pilotos
O tetracampeão Sebastian Vettel vai precisar se reinventar para conquistar bons resultados em 2014. É bem verdade que ele já precisou fazer corridas de recuperação, como no GP de Abu Dhabi de 2012, mas dessa vez terá de partir do meio do grid na maior parte das provas com o carro não muito confiável da Red Bull. Simultaneamente, terá de mostrar toda a sua habilidade técnica para ajudar Adrian Newey e a Renault a melhorarem o RB10.

Nos últimos quatro anos, o que mais se escutou foi que Vettel só poderia ser considerado um gênio quando vencesse com um carro ruim – ele nunca ganhou uma corrida largando em uma posição pior que a terceira e foi ao alto do pódio em 27 das 45 vezes em que esteve na pole-position. Tudo tem seu lado positivo e seu lado negativo, e se há algo para Vettel tirar de bom na crise da Red Bull é a oportunidade de calar de vez os críticos.

RENAN DO COUTO
“Erraram no carro bem na minha vez”, é o que está pensando Daniel Ricciardo. A chance de subir para o time principal da Red Bull enfim veio, mas, aparentemente, o australiano vai continuar andando onde andava com a Toro Rosso: no meio do grid.

Cria do Red Bull Junior Team, Ricciardo ainda não mostrou ser nenhum Vettel, mas não é de se jogar fora. O jovem de 24 anos fez algumas apresentações sólidas em seus dois anos e meio de F1 e provou que é rápido. Mas em 2013, até por causa dos problemas do RB10, terá de aprender a andar com mais consistência nas corridas, o que não é sua principal característica – nisso, Jean-Éric Vergne foi melhor na STR. Também mostrará do que é feito: não será fácil agüentar a pressão de defender um time tetracampeão, ainda mais com um Helmut Marko da vida mandando. É bom tomar cuidado para não virar o Sergio Pérez de 2014.

RENAN DO COUTO
 

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