Edição 48
Março/2014

Equipes: Scuderia Toro Rosso

A mudança para os Renault minou as chances da Toro Rosso, pelo menos no começo desta temporada. Assim como a irmã maior, vai se alegrar em terminar as corridas até mostrar o que tem de bom – por enquanto, os pilotos

FLAVIO GOMES, de São Paulo
 
Depois de anos, a equipe satélite da Red Bull trocou os motores Ferrari pelos mesmos da matriz. Se arrependimento matasse... Com a Renault, a Toro Rosso teve as mesmas dificuldades que a equipe tetracampeã do mundo. Vergne e o novato Kvyat comeram a baguete que o diabo amassou nos testes de pré-temporada. Foram apenas 464 voltas completadas, à frente só da própria Red Bull e da Lotus. Um começo desanimador.

Em nenhum momento a equipe sediada em Faenza mostrou um desempenho auspicioso. Na verdade, a Toro Rosso sequer teve tempo para se preocupar com performance. As quebras foram constantes, deixando seus pilotos parados nos boxes por horas a fio.

Por conta da pouca quilometragem nos treinos, o objetivo do time no começo do ano será única e exclusivamente terminar as corridas. Nas classificações, vai brigar lá atrás com Marussia e Caterham. Talvez a Lotus se junte a eles, se o carro não for minimamente interessante como os últimos modelos.

É uma pena para os pilotos, muito jovens e talentosos. O russo Kvyat chega com um currículo vitorioso e se adaptou rapidamente à categoria, no pouco tempo de pista que teve à disposição. Para ele, será um ano de aprendizado. Vergne tem andado bem em seu início de vida na F1 e chegou a elogiar o carro depois do penúltimo dia de testes no Bahrein. No dia em que conseguiu andar um pouquinho mais sem quebrar, falou que ele era bom e tinha potencial. Duro vai ser provar isso sem a menor garantia de que ele consegue dar mais de dez voltas sem apresentar algum problema.
Sede: Faenza, Itália
Carro: STR9
Motor: Renault
Principais dirigentes: Franz Tost
James Key
Steve Nielsen
Xevi Pujolar
Pilotos reserva: A confirmar
Em 2013: 8º lugar no Mundial de Construtores (33 pontos)
Melhor resultado: 8º no Mundial de Pilotos (2008)
6º no Mundial de Construtores (2008)
Melhor tempo em Jerez: 1min29s915
(Jean-Éric Vergne, 12º)
Melhor tempo em Sakhir: 1min35s701
(Jean-Éric Vergne, 11º)
Kvyat é o segundo piloto russo da história da F1. E deve salvar a fama da nação, já que não se trata de um grosso como Vitaly Petrov. (Foto: Andrew Hone/Getty Images)
Pilotos
Por mais que tente demonstrar o contrário, Jean-Éric Vergne jamais engoliu a história de ver Daniel Ricciardo na vaga da Red Bull. Seu desempenho vinha sendo melhor que o do australiano na comparação direta, e o baque da rasteira foi visto na segunda metade em diante do campeonato do ano passado com um carro que já não era um touro bem tratado.

Assim, Vergne é outro daqueles que correrão sob a égide da vingança. O problema é que a Toro Rosso é agora equipada com estes Renault que não levam a lugar algum – e tem o fator Helmut Marko, sempre ameaçador quando a coisa não caminha bem.

Do pouco que deu para vê-lo em pista, é algo para se pensar em meio do pelotão, mas junto com os carros da Red Bull. Vergne tem lá suas qualidades, mas vai ter de tirar leite de pedra para fazer este carro pontuar e garantir sua sobrevivência na F1 a longo prazo.

VICTOR MARTINS
Quando Daniil Kvyat soube que havia ganhado de Antonio Félix da Costa e seria piloto da Toro Rosso, sentiu-se a última gota da boa vodka russa. Afinal, o caminho do campeão da GP3 foi encurtado por ser visto como uma espécie rara, da rota que Sebastian Vettel traçou. Com 19 anos nas jovens costas, já carrega as esperanças de continuação do grupo Red Bull no esporte. Ao sentar pela primeira vez para correr em um fim de semana de F1, em Austin, Kvyat foi bem. Saiu-se melhor ainda na semana seguinte, na chuva em Interlagos. E os olhos cresceram.

É nesta condição que Daniil vai se apresentar em 2014: como o filho protegido. No começo, seus eventuais defeitos serão camuflados porque a Toro Rosso deve pastar com o motor Renault. Uma vez sanados os problemas, Kvyat vai ter de honrar tais expectativas. E já neste primeiro ano, mostrar se é capaz de encurtar a distância que o levaria a ser um homem e campeão.

VICTOR MARTINS
 

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