Edição 48
Março/2014

Equipes: Williams Martini Racing

A nova era da F1 resgatou a Williams e, com a ajuda de diversos patrocinadores de peso – dois deles brasileiros e outro simbólico no automobilismo –, vai se tornar a menina-dos-olhos do público com promessa de grande desempenho

FLAVIO GOMES, de São Paulo
 
Deve ser a grande surpresa do campeonato, ao menos nas primeiras corridas, enquanto tiver fôlego financeiro. Foi o time que mais se reestruturou na parte técnica, contratando líderes conhecidos e técnicos competentes. A troca dos motores Renault pelos Mercedes foi a melhor coisa que poderia ter acontecido para a equipe de Grove. Ganhou na loteria. Foi a Williams a segunda colocada em número de voltas percorridas nos testes, 934, perdendo apenas para a Mercedes. E o carro foi rápido sempre, desde o primeiro dia. Massa, recém-contratado, fechou os testes barenitas com a melhor volta de todas. Não dá ponto, nem troféu, todos sabem disso. Mas indica uma tendência.

Felipe trocou de endereço depois de 12 anos vinculado à Ferrari, mas se adaptou rápido ao novo time e ficou muito impressionado com a organização que encontrou. A Williams vem sendo uma equipe grande de resultados pequenos nos últimos anos, mas agora pode resgatar sua reputação graças a um caro veloz e resistente, que apresentou pouquíssimos defeitos graves. Isso foi essencial para que a curva de desenvolvimento fosse das mais acentuadas nos 12 dias da pré-temporada.

Com patrocinadores brasileiros, Petrobras e Banco do Brasil, Massa tinindo, Bottas animado, e a mais bela pintura de todas, graças ao patrocínio icônico da Martini, a Williams será a queridinha da temporada. Não só dos brasileiros, como também dos fãs mais nostálgicos e admiradores de garagistas autênticos, como Frank Williams. Podem escrever: a tradicional equipe inglesa está de volta aos seus melhores dias.
Sede: Grove, Inglaterra
Carro: FW36
Motor: Mercedes
Principais dirigentes: Frank Williams
Claire Williams
Pat Symonds
Pilotos reserva: Felipe Nasr
Susie Wolff
Em 2013: 9º lugar no Mundial de Construtores (5 pontos)
Melhor resultado: 7 Títulos de Pilotos
9 Títulos de Construtores
Melhor tempo em Jerez: 1min23s700
(Felipe Massa, 2º)
Melhor tempo em Sakhir: 1min33s258
(Felipe Massa, 1º)
Pintura retrô e promessa de resultados dignos de sua história: a Williams vem aí. (Foto: Clive Rose/Getty Images)
Pilotos
Felipe Massa não luta efetivamente por uma vitória desde o GP da Alemanha de 2010, mas tem tudo para fazê-lo já a partir do GP da Austrália de 2014.

A saída da Ferrari era necessária para que ele retomasse o rumo da carreira. A pior fase, é verdade, já havia ficado no passado, mas 2013 mostrou que o relacionamento com o time italiano não renderia mais frutos. Tanto a Ferrari quanto Felipe precisavam mudar.

Na Williams, Massa foi muito bem acolhido e voltou a sorrir de orelha a orelha. De brinde, recebeu um FW36 bom que já o permite sonhar novamente com dias como aqueles de 2008. A F1 não costuma dar segundas chances a ninguém, mas alguns conquistam esse direito, e Massa foi um deles. Os bons tempos têm tudo para voltar, e o brasileiro vai fazer de tudo para reafirmar seu talento na temporada 2014.

RENAN DO COUTO
Valtteri Bottas foi a grata surpresa do Mundial de F1 de 2013. Quem ia esperar que aquele finlandês que passara o ano de 2012 só treinando às sextas-feiras fosse andar tão bem? É raro um novato mostrar talento com um carro tão ruim como foi o FW35, mas Bottas conseguiu. Bastou chover no treino classificatório do GP do Canadá para o mundo perceber as razões que levaram Toto Wolff a colocá-lo na Williams.

Ao longo do campeonato, derrotou Maldonado em 12 treinos classificatórios e somou quatro vezes mais pontos – o placar apontou incríveis 4 a 1 para o finlandês. Em 2014, com um carro bem melhor, Bottas poderá fazer apresentações bem mais vistosas e lutar para levar para casa seus primeiros troféus. E Felipe Massa que se cuide, ou esse promissor piloto vai acabar com seu status de líder dentro da equipe em pouco tempo.

RENAN DO COUTO

 

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