Edição 49
Abril/2014

20 nos 20: Adrian Newey

Projetista multicampeão na F1, desenhou o último carro de Ayrton Senna

ADRIAN NEWEY, de Milton Keynes
 
Quando eu cheguei à F1, ele já estava muito bem estabelecido. Meu primeiro ano foi 1988, então ele já era campeão mundial. Mas sua pilotagem sempre foi fora de série, seu comprometimento, seu estilo eram muito reconhecidos. Eu acho que o que era mais especial nele era seu nível de comprometimento.

Como todos os grandes, as pessoas dizem que acima de tudo, ele tem um certo estilo , mas eu não estou convencido disso. Os grandes pilotos adaptam sua pilotagem ao carro e às regras de cada época, então eu pego a era turbo: as pessoas diziam que sua grande habilidade era manter o turbocompressor girando, aí, quando ele saía da curva, a pressão do turbo já estava lá; uma vez que os turbos foram banidos, ele se tornaria um piloto comum, o que não foi o caso. Ele adaptou sua pilotagem, encontrou outras formas de ganhar tempo e, para mim, isso aconteceu porque ele sabia muito bem o que estava acontecendo no carro. Ele podia analisar tudo isso em sua mente, tinha a capacidade mental para pilotar o carro e saber o que estava acontecendo ao mesmo tempo, e isso permitiu que ele continuasse melhorando sua pilotagem.

Seu comportamento era o mais focado possível. Ele estava interessado em todos os ângulos do carro. Eu me lembro muito claramente de quando ele começou na Williams. Ele queria vir e olhar o modelo do túnel de vento, saber o que estávamos fazendo, entender nossas áreas de desenvolvimento e as nossas filosofias. Parte era curiosidade, mas eu acho que também era para que ele soubesse como pensávamos e tentasse entender aquilo para que, quando pilotasse o carro, tivesse um conhecimento melhor dele para nos dar um feedback melhor”.
 


A série ’20 nos 20’ traz 20 depoimentos de quem acompanhou bem intimamente esta morte exageradamente triste. A grande maioria estava em Ímola e acompanhou cada minuto do acidente fatal que mudou vidas para sempre.

 
 

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