Edição 49
Abril/2014

20 nos 20: Bruno Senna

Sobrinho de Ayrton, tinha apenas 10 anos quando o tio falaceu

BRUNO SENNA, de Interlagos, em depoimento a RENAN DO COUTO*
 
Eu estava em casa com a minha família, como de praxe nas corridas europeias, e tudo aconteceu. A falta de informação naquele momento foi um pouco complicada, mas depois a gente ficou sabendo do que aconteceu. O estresse foi muito grande até que sua morte fosse confirmada. Depois disso, tivemos um pouco de tempo para aceitar a perda, mas felizmente somos uma família unida e centrada, e todos puderam se apoiar naquele momento difícil.

Memórias, eu tenho mais das épocas em que a gente estava de férias lá em Angra. A gente sempre passava um pouco do tempo de relaxamento juntos. Ele era muito dedicado na carreira, mas nesse momento tirava o pé para recarregar as baterias. E era muito divertido. A gente fazia muitas brincadeiras, tirava sarro, gostava muito de ficar lá. Mas, ao mesmo tempo, estava com um lado da cabeça dele sempre ligado, negociando, resolvendo as coisas, vendo como que a equipe estava desenvolvendo o carro, principalmente naquele ano da McLaren em 1993. Estava sempre no telefone resolvendo as coisas. Era interessante como conseguia relaxar naquele momento, mas também não conseguia desligar 100%.

Eu acho que o Ayrton deixou vários legados para vários tipos de pessoas diferentes. Para quem é fã de automobilismo, deixou aquela impressão de que foi o mais rápido que teve, um dos melhores da história. Para quem não era ligado a automobilismo, via a pessoa dele como lição de vida, determinação e bons valores. E acho que para mim e para os brasileiros, para todos nós, deixou o instituto, que é para tentar dar oportunidades a crianças jovens para ver se o Brasil melhora. Se Deus quiser o futuro do Brasil vai ser a educação.

Parece que todos têm uma história diferente sobre o Ayrton, mas a minha favorita é uma que ouvi do Nigel Mansell. Ele me disse que, quando venceu o campeonato de 1992 e estava saboreando a conquista no pódio, o Ayrton, que estava ao seu lado, disse para ele: “Tá curtindo, né? Por que você acha que me esforço tanto?”.


* Com trechos enviados pela assessoria de imprensa
 


A série ’20 nos 20’ traz 20 depoimentos de quem acompanhou bem intimamente esta morte exageradamente triste. A grande maioria estava em Ímola e acompanhou cada minuto do acidente fatal que mudou vidas para sempre.

 
 

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