Edição 49
Abril/2014

20 nos 20: Mark Sutton

Renomado fotógrafo esportivo, acompanha a F1 há mais de 30 anos

MARK SUTTON, de Northampton, em depoimento a VICTOR MARTINS
 
Eu e meu irmão estávamos em Ímola como fotógrafos da Simtek e, claro, vimos bem o que aconteceu naquele dia. Eu era bem próximo de Roland, éramos amigos desde os primeiros passos dele desde que ele veio para F-Ford aqui no Reino Unido em 1986 – e depois a F3, a F3000 Inglesa, os carros esportivos, os carros de turismo, as corridas no Japão... nós seguimos sua carreira. E curioso: ele fez seu primeiro teste pela Simtek em Ímola...

Curioso, também, é que não lembro com detalhes daquele fim de semana. É claro que Keith e eu estávamos devastados – foi sexta com Rubens, sábado com Roland e domingo com Ayrton. Mas me recordo que, na sexta-feira de manhã, fizemos uma sessão de fotos com Roland com uma empresa que fabricava bicicletas e que tinha dado a ele e a David Brabham algumas para que usassem para se locomover. Talvez Roland nunca a tenha usado.

Sobre Ayrton, eu fiquei chocado. Na verdade, eu não sabia muito bem o que estava acontecendo e não conseguia raciocinar muito bem. Eu estava na Tosa. Claro que meus colegas foram lá e tiraram fotos daquela cena horrível, e eu agradeço por não ter ido para não ter me chocado ainda mais. Não queria ter de Ayrton aquela lembrança, daquela forma, alguém que fotografei pela primeira vez em 1983 – eu registrei a imagem de seu acidente com Martin Brundle. E logo ouvi as palmas de todos quando o helicóptero o levava para o hospital.

Eu não era tão próximo a Ayrton, mas me arrependo profundamente de ter perdido meu case de CDs que ele assinou em Adelaide em 1993. Pior ainda foi quando eu comecei um trabalho de caridade para um amigo e peguei quatro prints assinados por Prost, Senna, Mansell e Piquet. Um moleque comprou todos. Imagino o que eles valem hoje... Pelo menos, eu fiquei com um print que ele assinou para mim e para meu irmão em 1994. O lugar? Nos testes coletivos em Ímola.

Ayrton era uma lenda e um herói para todo mundo. E como tal, era um homem complicado com suas pressões e sua mente complicada. Ele sempre pensava muito para responder nas coletivas de imprensa, pensava cuidadosamente em que palavras usar. Fico pensando hoje como ele seria e falaria neste mundo mais político em que o dinheiro é tão importante”.
 


A série ’20 nos 20’ traz 20 depoimentos de quem acompanhou bem intimamente esta morte exageradamente triste. A grande maioria estava em Ímola e acompanhou cada minuto do acidente fatal que mudou vidas para sempre.

 
 

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