Edição 49
Abril/2014

20 nos 20: Mika Häkkinen

Bicampeão mundial de F1, foi companheiro de Senna na McLaren por três corridas em 1993

MIKA HÄKKINEN, de Zhuhai, China, em depoimento a PEDRO HENRIQUE MARUM
 
Aquele fim de semana foi horrível. A morte de Ratzenberger deixou o fim de semana terrivelmente triste, e o acidente de Senna, então, foi absolutamente devastador. Eu só soube da situação real de Ayrton momentos antes da coletiva depois do pódio. Fui isolado para que não visse nenhuma imagem, então quando eu soube, fiquei chocado. Foi realmente terrível perder duas vidas naquele fim de semana, uma coisa que não se pode aceitar, uma coisa que levantou muitas questões, “como é que deixamos isso acontecer?”, mas também depois da morte de Roland, “como é que deixamos isso continuar?”. Eu era um piloto muito jovem e sentia que não poderia fazer nada. Eu voltei para a casa naquele domingo mesmo pensando em tudo que tinha acontecido. Eu me senti envergonhado. Eu me senti mortificado.

Todo mundo acordou no dia seguinte pensando que algo deveria ser feito para que a gente não perdesse mais vidas. A segurança na pista progrediu muito desde então. Acho que a F1 nunca mais foi a mesma depois daquele fim de semana. Ayrton deixou um vazio no esporte.

E como piloto, estamos falando de um piloto ‘real’, alguém que colocou seu coração inteiro no esporte. Senna fazia de tudo para vencer, pronto para assumir os riscos. Ele era um competidor duro e mostrou a todos os outros que não tinha medo algum. Quando você o via no retrovisor, sabia que tinha de deixar espaço para passar”.
 


A série ’20 nos 20’ traz 20 depoimentos de quem acompanhou bem intimamente esta morte exageradamente triste. A grande maioria estava em Ímola e acompanhou cada minuto do acidente fatal que mudou vidas para sempre.

 
 

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