Carro-chefe: Meia vida de rivalidade

Nico Rosberg e Lewis Hamilton foram companheiros de equipe pela primeira vez em 2000, ainda no kart, e são amigos desde então. Mas a briga pelo título da F1 em 2014 e o conflito iniciado no fim de semana do GP de Mônaco podem arruinar um bom relacionamento de quase 15 anos

RENAN DO COUTO, de Monte Carlo
Logo após conquistar sua primeira vitória na F1, na China em 2012, Nico Rosberg recebe os cumprimentos do amigo-rival Lewis Hamilton. (Foto: Mark Thompson/Getty Images)
Parecia inevitável, desde o início do ano, que Nico Rosberg e Lewis Hamilton convivessem em paz durante toda a temporada no box da Mercedes. Tão inevitável que os próprios dirigentes da equipe admitem que, em algum momento do campeonato, os dois vão acabar batendo roda. Mas não foi necessário que os dois se achassem na pista para que o primeiro momento mais tenso aparecesse — e que pode começar a estragar uma amizade de 15 anos.

Deliberada ou não, a saída de pista de Rosberg no Q3 da classificação do GP de Mônaco tirou do britânico a chance de anotar a pole-position. Como pegou bandeiras amarelas pelo caminho, ele teve de tirar o pé e só levar seu carro para os boxes. A insatisfação após a sessão era evidente no seu rosto e no tom das palavras nas entrevistas que seguiram. O mau humor continuou após a segunda vitória do alemão no Mundial, resultado que recolocou o piloto do #6 no topo da tabela.

A Mercedes agora se vê com um problema enorme para resolver. Apesar disso, seus comandantes tentam demonstrar tranquilidade. Toto Wolff e Niki Lauda confiam no profissionalismo de seus subordinados e disseram ter certeza de que a situação não chegará a ser uma guerra como a que envolveu Ayrton Senna e Alain Prost na McLaren em 1989 — exemplo que, aliás, foi mencionado pelo próprio Lewis no sábado em Monte Carlo. Disse que gostou do modo como Senna lidou com a situação, virando as caras para o francês. Embora o inglês tenha recuado e dito que a comparação foi uma brincadeira, não pareceu muito disposto até então a sentar para conversar e aparar as arestas com Rosberg.

Em meio ao primeiro momento de grande tensão na luta que vale o título do campeonato de 2014, a REVISTA WARM UP volta no tempo para contar a história da parceria entre Rosberg e Hamilton e traz diferentes pontos de vista sobre a polêmica que marcou o sexto fim de semana da temporada.
Hamilton e Rosberg correm juntos desde a infância. (Foto: Reprodução)

Crescendo juntos

“Eu imaginei vê-los lutando desta forma na F1 desde quando eles começaram no kartismo”, conta à RWUp o italiano Dino Chiesa, um dos mais renomados preparadores de karts do planeta. Chefe da Chiesa Corse, Dino foi contratado em 2000 para gerenciar um esquadrão que contaria com apoio oficial da Mercedes e da McLaren e dois jovens pilotos que a montadora de Stuttgart já observava com olhos bem atentos: nasceu ali o Team Mercedes-Benz McLaren (MBM), cuja dupla era formada pelo inglês Lewis Hamilton e o alemão Nico Rosberg.

Os dois garotos foram parceiros por duas temporadas no kartismo, período no qual Hamilton foi campeão europeu, e seguiram seus caminhos até a F1. Nela, 14 anos mais tarde, viram-se novamente dividindo a mesma garagem e o mesmo equipamento depois que o britânico foi contratado para substituir Michael Schumacher na Mercedes em 2013.

Nos 18 primeiros meses como companheiros na F1, a relação sempre foi boa. Lewis e Nico trocaram informações, ajudaram um ao outro, e inclusive dão entrevistas juntos com frequência — a Mercedes é a única equipe da F1 que tem o hábito de colocá-los para atenderem à imprensa juntos nas tardes de sábado.

E esse período teve como maior exemplo do bom entendimento dos dois pilotos o GP do Bahrein de 2014. Frente a frente durante todas as voltas da prova, chegaram a ficar lado a lado por várias curvas, sempre com Rosberg tentando passar Hamilton. Não conseguiu. Foi uma aula de direção defensiva do campeão mundial de 2008.

Há 14 anos, no Campeonato Europeu de Kart, duelo semelhante já fora protagonizado pela dupla. Quem lembra dessa história é Dino Chiesa: “Eles tinham vencido quatro baterias classificatórias cada um e começaram a última em primeiro e segundo. Disse para eles que a única coisa importante era cruzar a linha de chegada, sem importar o resultado, mas na última curva Lewis ultrapassou Nico – que por muito pouco evitou a batida – e venceu.”

Tal manobra ajuda a resumir a primeira impressão que Chiesa teve do britânico quando o recebeu em sua equipe. “Achei que ele era um ‘canalha’ – do ponto de vista esportivo: era tudo ou nada, e nada de amigos nas corridas”, diz. Nico, por outro lado, “era muito comportado e cavalheiro”.

Mas o italiano lembra que fora da pista o relacionamento era ótimo. “Eu não tive nenhum problema. Sempre foi muito fácil gerenciar os dois. Eles tinham personalidades diferentes, mas eram bons amigos e se divertiam juntos. Era normal para nós passarmos boa parte do tempo juntos”, fala. “E os dois eram loucos por sorvete... Tomavam demais na Itália!”

O Team MBM conduziu Hamilton ao seu título no Europeu de Kart em 2000 e a boas apresentações no Mundial – embora o caneco tenha ido para o desconhecido britânico Colin Brown. Sorte de Hamilton e Rosberg, que fugiram da maldição do Mundial de Kart. Em 2001, uma categoria acima, não tiveram tanto destaque na tabela do principal campeonato, agora disputado em cinco etapas e não mais em prova única, ficando de fora do top-10. A corrida de maior destaque foi a de Kerpen, onde Rosberg chegou em terceiro atrás de ninguém menos que o então tetracampeão mundial de F1 Michael Schumacher.

O convívio também deu a Hamilton a chance de conhecer de perto as benesses que quem está no mais alto nível do automobilismo tem. Pôde viajar no avião de Keke Rosberg, passar tempo no barco da família e na casa em que viviam no Principado de Mônaco. O inglês mesmo diz que isso deu a ele o desejo de ter tais privilégios. “Keke me inspirou”, admite.

O tempo passou, eles trilharam caminhos diferentes pelas categorias de base, chegaram à F1 e se firmaram por lá. Um já é campeão, o outro corre atrás desse sonho. E ambos acreditavam que, apesar dos enfrentamentos na pista, o bom relacionamento vai continuar enquanto eles estiverem fora do cockpit.

“Estamos correndo juntos há muito tempo, então não vejo por que não”, afirma Hamilton. “Já passamos por isso antes”, continua Rosberg. “Não é a primeira vez e, mesmo no passado, tivemos discussões, debates, mas a vida segue.”

Isso até o GP da Espanha.
“É muito raro que você mantenha a amizade até o fim, especialmente se estão brigando muito duro”
– Alain Prost, tetracampeão mundial de F1 e arquirrival de Ayrton Senna

Prost: pequeno detalhe pode jogar tudo por água abaixo

A maior rivalidade de dois pilotos já vista na F1 envolveu Alain Prost e Ayrton Senna. Juntos pela primeira vez na McLaren em 1988, conviveram pacificamente na campanha que culminou no primeiro dos três títulos do brasileiro. O clima não foi nada semelhante no ano seguinte. Tudo começou com Senna quebrando um acordo que eles tinham para não se atacarem na primeira volta do GP de San Marino. Prost cumpriu na primeira largada da prova, mas foi ultrapassado por Senna na primeira freada de Ímola após ganhar a ponta numa relargada.

Eclodiu uma guerra sem precedentes que acabou culminou em um dos acidentes mais famosos da história da F1: o contato entre as duas McLaren na chicane de Suzuka. Os desdobramentos daquele acidente acabaram dando o tri ao gaulês.

Olhando para aquela sequência de acontecimentos 25 anos depois, Prost, que conversou com a imprensa antes da polêmica entre Hamilton e Rosberg ter início na classificação, avisara: enormes desentendimentos podem surgir a partir de pequenos detalhes.

“Em 1988, Ayrton e eu tínhamos uma relação boa. Eu acho que é possível [que o relacionamento continue bom]. Depende do que acontecer. Se tiver um pequeno detalhe dentro ou fora do time, daí pode acabar rápido. É muito raro que você mantenha a amizade até o fim, especialmente se vocês estão brigando muito duro, mas ainda pode ser possível”, destaca o tetracampeão.

Há um fator, contudo, que deve ter influência no comportamento dos pilotos: a atuação da Mercedes.

“Também é diferente porque é a Mercedes. E também porque é 20 anos depois. Todos estão falando disso. Eles sabem o que pode acontecer. Ainda tenho gente me perguntando ‘o que você faria?’, o que é muito interessante. É diferente porque é a Mercedes. No meu tempo, mesmo que tivesse a Honda, era mais a McLaren. Agora você está lidando com uma grande montadora”, avalia.
Alain Prost viveu com Ayrton Senna a mais destrutiva rivalidade entre companheiros de equipe da história da F1. (Foto: Pascal Rondeau/Getty Images)
 


LEWIS HAMILTON
7 de janeiro de 1985 – 29 anos
Stevenage, Reino Unido

Depois de ser campeão britânico de kart na categoria cadete, um garoto de nove anos encontrou Ron Dennis, dono da McLaren, e disse: “Oi. Eu sou Lewis Hamilton. Eu venci o Campeonato Britânico e um dia quero pilotar os seus carros.”

Três anos mais tarde, a McLaren contratou aquele jovem kartista para fazer parte de seu time de promessas e passou a investir em sua carreira. Não se decepcionou: ao vê-lo ser campeão da GP2 em 2006, viu que era o momento de colocá-lo na F1. Ele foi vice na primeira temporada e campeão na seguinte. Em oito anos no Mundial, já soma mais vitórias que lendas como Jackie Stewart e Niki Lauda.

Como ídolo, sempre teve Ayrton Senna, e inclusive usa um capacete cuja pintura é inspirada na do tricampeão do mundo.
NICO ROSBERG
27 de junho de 1985 – 28 anos
Wiesbaden, Alemanha

Se Hamilton olha para Senna como ídolo, Nico Rosberg nem precisa sair de casa para ter contato com o seu. Filho do campeão mundial de 1982, Keke Rosberg, nasceu no meio das corridas e logo tomou gosto pela coisa.

Apesar de poder correr como finlandês, nacionalidade do pai, optou por defender a bandeira alemã na carreira. Começou no kartismo aos 10 anos e embalou de vez como grande promessa ao estrear nos carros em 2002. Foi campeão da F-BMW Alemã e da primeira temporada da história da GP2, conquistando assim um lugar na Williams em 2006.

Embora nunca tenha corrido com um carro de ponta, sempre mostrou potencial, o que fez a Mercedes apostar nele em 2010.
 

Lauda lembra de ódio por Prost em 1984

Não foi só com Senna que Prost se estranhou na McLaren. Em 1984, no primeiro ano de seu retorno à equipe, enfrentou a primazia do austríaco Niki Lauda — que hoje é o presidente não-executivo da Mercedes e vai precisar trabalhar bastante para acalmar os ânimos em Brackley.

Mas falando do que aconteceu entre ele e o francês em 1984, Lauda vê semelhanças com o momento atual da Mercedes. Ele enxerga dois pilotos trabalhando de maneiras diferentes para obter o mesmo tempo de volta na pista.

30 anos atrás, o piloto teve de mudar sua postura quando viu que começou a ser batido pelo mais jovem e mais rápido Prost. Passou a focar no trabalho para as corridas e só manteve com o companheiro a relação que considerava o mínimo exigido pela educação e pelos bons modos. Nada de trocas de informação ou coleguismo.

“Eu odiava o cara”, afirma, com todas as letras, no meio de uma roda de jornalistas no piso térreo do motorhome da Mercedes em Mônaco. “Prost é o exemplo de pessoa que é um cara muito competitivo e legal. Não é sujo, mas é diferente – vamos colocar assim. Quando começou a me derrotar o tempo todo nos treinos, porque era melhor, mudei minha estratégia e comecei a trabalhar para a corrida. Alcancei ele e começamos a dividir as vitórias. Estava OK. Mas nunca mais contamos o que estávamos fazendo com o carro. Eu dizia para os meus engenheiros: ‘Não contem para aquele cara’. Não queria dá-lo a vantagem. Estava isolando meu pessoal para trabalhar apenas para mim e venci mais corridas que ele porque fui mais inteligente para acertar o carro e fazer os pneus funcionarem”, recorda.

“Desse ponto de vista, sentávamos juntos na manhã, porque somos bem-educados, mas não houve mais discussões. Se você tem um inimigo em outro time, é muito mais fácil consertar porque não o vê todos os dias e se a Red Bull é mais rápida ou lenta e eu piloto para a Mercedes, há uma razão para isso. Mas se você faz uma melhoria no carro e o outro cara usa o mesmo material, isso dói. Isso é normal”, continua.

Lauda defende a tese de que não há como vencer na F1 sendo bonzinho. “Você precisa ser um canalha”, dispara. “Me diga um bonzinho que venceu. Alonso?”

Ao mesmo tempo, tem certeza de que o caráter de um piloto não muda em meio a uma disputa por título. “É sempre o mesmo. Há os bons e os ruins.”
Logo após a controversa pole-position de Rosberg em Mônaco, Hamilton não fez questão de esconder sua insatisfação. (Foto: Julian Finney/Getty Images)

O debrief de Mônaco

Lauda acredita que a situação dentro da Mercedes só estará fora de controle no momento em que os dois pilotos não aceitarem mais sentar à mesma mesa. E apesar das impressões deixadas por Hamilton após a corrida, o austríaco estava bastante calmo. O pensamento era um só: o tempo — aliado a uma noite de sono e a uma boa festa com Nicole, nas palavras do próprio tricampeão — o deixaria mais calmo. Aí sim iria atrás dele para conversar, ou o contrário, como acontece quase todos os dias.

Diretor-executivo do time de Brackley, Toto Wolff garante que Rosberg não fez nada de propósito no treino classificatório e demonstra a mesma tranquilidade de Lauda para comentar o tema. A resolução ainda passará pelas mãos de um terceiro dirigente: Paddy Lowe.

“A maior parte é comigo e Paddy, e Niki se juntou a nós na reunião porque é muito importante, quase que um mentor para Lewis, e é tricampeão mundial”, explica.

O que Wolff mais espera é que não seja necessário mudar a postura que vem sendo adotada pela Mercedes desde o início do campeonato, deixando os dois pilotos livres para lutarem pelas vitórias pelo bem do esporte. O já mencionado GP do Bahrein foi um grande exemplo dessa postura.

Wolff, que continua considerando que a probabilidade de Hamilton e Rosberg colidirem em algum momento do ano é alta, alerta que caso isso aconteça, tomará medidas pouco populares.

“Se a gente interpretar que um acidente for culpa de um deles, vai significar que o nosso sistema de deixá-los controlar a situação e disputar na pista falhou, e a gente interviria de forma que tornaria tudo mais chato — ordens de equipe”, avisa.

Dias depois, Rosberg manteve o mesmo discurso de antes de sentar com Hamilton e conversar. Resolver a situação, como sempre aconteceu. “Eu não sei, e tenho certeza de que ele não está convencido disso [de que foi proposital]. Não teria sentido. Mas, sim, todo o fim de semana foi um dos mais difíceis até agora, mas vamos sentar juntos e conversar, como sempre fizemos. Tivemos momentos difíceis desde o kart. Sempre foi o mesmo: conversamos e superamos, com muito respeito”, assegura.

E o alemão, que não deu nenhuma declaração polêmica até o momento, nega que está tentando pacificar algo. Garante que apenas procura evitar que algo possa ser mal-interpretado. “Não estou tentando acalmar nenhuma situação. Estou só tentando... O que estou vendo é que jornalistas em geral, todo mundo gosta de achar uma pimenta. Estou tentando garantir que não exista pimentas irreais sejam tomadas como reais. É isso.”

O início de ano do britânico foi excelente, não há como negar. Só não foi ao pódio na Austrália porque teve um problema mecânico na sua Mercedes, mas se recuperou emendando quatro vitórias seguidas. Mostra-se, também, mais focado do que nas últimas temporadas. Wolff crê que seu piloto enfim conseguiu acertar sua vida fora das pistas para poder dar o máximo de si dentro delas.

“Eu acho que Lewis está em um bom lugar de sua vida. Encontrou o que é importante para ele. Está cuidando da vida de uma forma que consegue andar melhor. Ele vem nos visitar na fábrica dia sim, dia não, está incrivelmente focado. Em alemão, se diz akribisch. Meticuloso. Cuidando de todos os detalhes. E está inspirado. Vimos no passado como é realmente difícil bater pilotos que estão assim”, relata.

Mas Felipe Massa, que lutou até o fim de 2008 com o inglês pelo título e acabou derrotado por apenas um ponto na final mais espetacular da história da F1, pensa que Hamilton pode acabar se deixando levar por uma eventual guerra psicológica a partir deste GP. “Ele é um cara que o psicológico tem que estar perfeito, se não a chance de cometer um erro existe, como aconteceu em todos os campeonatos que ele disputou”, afirma.

Longe de concordar com Rosberg no caso de o alemão ter feito de propósito, Massa ao menos entende o que teria levado o #6 a apelar para tal atitude. “É uma manobra que não faz parte da minha mentalidade, mas, se ele tivesse feito por querer, talvez foi por isso que fez. Precisa mexer com o psicológico do outro”, fala.
“Você está enfrentando seu companheiro. Emocionalmente é muito difícil. É quando você descobre do que é feito”
– Jenson Button, companheiro de Hamilton por três anos na McLaren
Ex-companheiro de Hamilton na McLaren, Jenson Button prefere não polemizar neste aspecto. “Acho que é injusto comentar isso. Mas Lewis é um piloto muito rápido, focado, campeão mundial, sincero, não jogaria jogos. Sua força é sua velocidade, e vamos ver muito mais disso neste ano. Sua força será notada, definitivamente”, comenta.

Button ainda destaca como uma batalha interna pelo título é extremamente desgastaste para os envolvidos. Ele viveu situação parecida na Brawn, em 2009, com Rubens Barrichello. O inglês faz questão de ponderar e lembrar que, naquele ano, ele e o brasileiro sabiam que seriam alcançados por outros times, o que não é o caso em 2014 com a Mercedes, mas põe a questão de se andar com equipamentos idênticos como principal dificuldade.

“Você está enfrentando seu companheiro, e tudo que você faz, ele vê. Vê toda a telemetria, onde você freia, onde não faz a curva. É sempre difícil mentalmente e vai sempre ter altos e baixos. Emocionalmente é muito difícil. É quando você descobre do que é feito”, afirma.

Button diz que teve apenas uma rusga com Barrichello em 2009, depois que bateu o colega trocando a estratégia no meio do GP da Espanha, e acredita que foi chave para a conquista daquele campeonato a enorme quantidade de vitórias conquistadas na fase inicial — seis nas sete primeiras provas. Nessas situações, o piloto que está em desvantagem começa a pensar, segundo Button: “O que preciso fazer para ganhar um GP?”. Simultaneamente, uma vitória em Mônaco pode provocar o mesmo efeito do outro lado da garagem: “Uau, ele me derrotou em Mônaco, o que vou precisar fazer para batê-lo?”

“O mundo está assistindo, e há muita pressão sobre os pilotos. Será interessante ver o que eles vão fazer. Mas os dois são bons pilotos e quero vê-los disputando”, segue.

No último dia 30, sexta-feira, a tentativa de paz veio via redes sociais. Hamilton postou em suas contas no Twitter e no Facebook a seguinte mensagem: “Somos amigos por um bom tempo e, como amigos, temos nossos altos e baixos. Hoje conversamos e estamos bem, ainda amigos” #semproblema

Fim da guerra ou paz velada? Depois de seis corridas, uma briga de título que muita gente considerava chocha agora ganha elementos que devem fazer aumentar bastante o interesse do público. A próxima batalha acontece no Canadá, território de Hamilton.
 

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