Edição 51
Junho/2014

Extra: O mesmo fator do novo campeonato

O novo regulamento, que dá um peso fundamental às vitórias, parecia modificar as bases da Nascar, mas o multicampeão Jimmie Johnson tratou de colocar os números do campeonato em pé de igualdade com as temporadas anteriores

PEDRO HENRIQUE MARUM, do Rio de Janeiro e GABRIEL CURTY, de São Paulo
Foto: Getty Images
Por algum tempo, a Nascar mostrou interesse em reforçar a importância das vitórias no resultado final das temporadas da categoria. Para 2014, o chefão da categoria, Brian France, implementou seu desejo antigo. Agora, mais do que nunca, os vitoriosos serão recompensados.

Para começar, o final: a temporada terá uma decisão. Quatro pilotos, os melhores do ano e sobreviventes na longa disputa, largam em Homestead, em 16 de novembro, numa disputa pescoço a pescoço. E é simples: 'The Winner Takes it All', diria a música do Abba. O melhor colocado dos quatro será coroado campeão.

"Isso vai fazer com que cada corrida conte, criando competição fervorosa e um campeão justo", afirmou France, ao início do ano. Já Joe Gibbs, dono da equipe homônima, dizia que "a Nascar tem de se admirada", pois, segundo ele, "a medida é grande e requer coragem".

Não é apenas isso. Desde 2004, quando a Nascar adotou o Chase, nunca mais do que 15 pilotos ganharam corridas antes da fase final da competição. Assim, a organização definiu que os detentores de triunfos estarão classificados automaticamente. Se menos de 16 pilotos conseguirem vencer provas, as vagas remanescentes serão preenchidas a partir da pontuação daqueles que não levarem seus carros ao Victory Lane.

Quem não parecia confortável com as mudanças, ao menos até o início da temporada, era Kyle Busch. Na categoria desde 2004, Busch se tornou um dos mais conhecidos rostos da Nascar – é o que pode se chamar de um 'fan favorite', um queridinho do público (e também detestado por muita gente) –, mas não jogou para a galera ao analisar a nova situação. "A Nascar te diz que todos vão correr diferente no novo formato. Mas já corremos a 100% cada uma das corridas. Então, dizem que vamos usar diferentes quantidades de combustível, diferentes estratégias, mas não vejo isso acontecendo", disse, logo após as medidas serem confirmadas.
Foto: Getty Images
No Brasil, a Nascar recebeu uma grande atenção em 2013. Todas as etapas da Sprint Cup foram televisionadas pelo Fox Sports, que também acompanha a Nationwide e a Truck Series. Um dos comentaristas do campeonato no canal por assinatura, Thiago Alves avalia que as alterações trouxeram maior movimentação. "Acho que o novo regulamento deixou as corridas mais competitivas, por incentivar a busca pela vitória. O reflexo disso foi a grande quantidade de vencedores diferentes nas primeiras corridas do ano. Não acredito que teremos 16 ou mais vencedores ao término das 26 corridas, mas poderemos ter algumas surpresas no Chase", falou à REVISTA WARM UP.

No entanto, o jornalista faz ressalvas. "O que eu não gostei foi o formato das eliminações quando começar o Chase. Não acho justo começar a última corrida com quatro pilotos com condições iguais nessa disputa. Sem dúvida, para o espetáculo será incrível ter quatro competidores lutando pela taça, mas não vejo um senso de justiça com as outras 35 corridas do ano e com os pilotos que somaram mais pontos ao longo do Chase", criticou.

Até a 18ª etapa da temporada – na ocasião do fechamento desta matéria –, onze pilotos venceram corridas. Desse grupo, Kurt Busch é o que aparece na pior colocação na tabela de pontuação: 24º. Jeff Gordon ganhou uma vez e é quem lidera o campeonato em pontos, mas Jimmie Johnson é o dono da maior quantidade de vitórias: três. A diferença prática que isso fará na hora em que o Chase chegar é nenhuma, já que a pontuação será igualada entre os finalistas. Os 16 do Chase serão definidos após a 26ª das 36 etapas.

Na prática, distinção é pequena

Num olhar comparativo às temporadas anteriores, não é notada uma grande diferença, percebendo-se o número de vencedores. Em contraponto aos onze vencedores em 18 etapas de 2014, foram dez em 2013, 12 em 2012 e outros 12 em 2012.

Esse cenário similar se deve a um fator, no entanto: Jimmie Johnson. Nas 11 primeiras corridas da atual temporada, apenas Joey Logano e Kevin Harvick haviam vencido duas etapas, mas três vitórias do multicampeão em quatro provas seguidas acabaram colocando a temporada de estreia do novo Chase no mesmo patamar dos velhos números.

Outro lado a se analisar é o número de ganhadores que acabaram de fora do Chase nos últimos anos. Nas últimas cinco temporadas, sempre vencedores ficaram de fora das finais. Em 2013, dos 16 vencedores da temporada, sete não disputaram o Chase. – quase 44%, um número expressivo. No ano anterior, foram quatro de 15; em 2011, seis de 17; em 2010, quatro de 13; e em 2009, seis de 14.

E as mudanças na estrutura do Chase acabaram complicando a vida de muitos pilotos que prezam pela regularidade. Com essa quase obrigatoriedade da vitória, dois pilotos, em especial, sofrem com o risco de ficarem pelo caminho, ainda que com a pontuação bastante elevada. Matt Kenseth (quinto) e Ryan Newman (oitavo), já se aproximam de uma fase em que, provavelmente, as equipes irão arriscar tudo por vitórias, o que significa dizer que a abordagem será diferente.

Ao mesmo tempo, é possível crescer repentinamente, como foi o caso de Johnson. Até a 12ª etapa, o hexacampeão não havia vencido e muito se falava da possibilidade do maior nome da categoria ficar de fora do Chase. De repente, ele emplacou triunfos em Charlotte, Dover e Michigan para acabar com os pontos de interrogação que começavam a surgir.

Em posição totalmente antagônica a Kenseth e Newman está Kurt Busch. Apenas o 26º da classificação geral e com impressionantes cinco abandonos, o piloto mais velho da família já está garantido no Chase, alavancado pela vitória em Martinsville, na sexta etapa do campeonato.
 

O que tem de novo

O ‘Sprint Cup Chase Grid’ terá 16 pilotos em contraponto aos 12 de previamente. Esses 16 são os que possuírem vitórias nas primeiras 26 corridas da temporada. Se restarem vagas, entram os pilotos que possuírem mais pontos. Se mais de 16 pilotos cruzarem a bandeira quadriculada no primeiro posto, o desempate entre os que venceram somente uma vez será feito com base na pontuação.

Assim como nos últimos anos, todos os classificados para o Chase terão sua pontuação igualada em 2000 tentos, com um acréscimo de três pontos por vitória conquistada nas 26 etapas iniciais.

O Chase será dividido em quatro rounds. Após as três primeiras etapas, os quatro pilotos com menos pontos serão eliminados a disputa pelo título e terão seus pontos recolocados no sistema de pontuação da temporada. Quem ganhar corrida estará instantaneamente assegurado para a sequência do campeonato.

Os 12 sobreviventes têm seus pontos reajustados em 3.000. As corridas 30, 31 e 32, definem os oito que passam para as semi-finais. Os remanscentes terão mais uma vez seus pontos igualados em 4.000 para mais três etapas, que definirão os quatro finalistas da Nascar em 2014.

No dia 16 de novembro, em Homestead, Miami, o quarteto que ainda estiver vivo larga com 5.000 pontos. Aquele que cruzar a linha de chegada primeiro fica com o título.

Promete ser uma disputa do jeito que o público norte-americano gosta: com um longo Playoff para separar os meninos dos homens.
Treinos também mudam

As mudanças da Nascar para 2014 também envolvem o formato do treino classificatório. Até 2013, os carros iam à pista um por um em busca do melhor tempo. A partir de 2014, exceção feita às 500 Milhas de Daytona, a classificação será parecida com a da F1. Em circuitos com extensão maior que 2 km, há Q1, Q2 e Q3. Nos primeiros 25 minutos, todos os carros saem para dar suas voltas. Os 24 melhores avançam para mais uma sessão, essa de dez minutos, com os 12 melhores se classificando para a superpole, cuja duração é de cinco minutos.

Já em pistas com menos de 2 km, todos os carros participam de uma primeira sessão de 30 minutos, com os 12 mais rápidos competindo numa superpole de dez minutos.
 

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