Edição 51
Junho/2014

Stop & Go: Álvaro Parente

“Eu estou bem onde estou. Sou piloto da McLaren de GT, fábrica. Sou profissional, corro por uma fábrica, que é o nosso objetivo”

PEDRO HENRIQUE MARUM, de Interlagos
Álvaro Parente é um dos pilotos portugueses mais bem-sucedidos dos últimos tempos. Talvez de todos os tempos. Aos 29 anos, já conquistou honrarias como a F3 Britânica e a F-Renault 3.5. Chegou a ser confirmado na F1, foi nome forte na categoria após boas temporadas na GP2. Em 2014, com a F1 como um passado distante, Parente é piloto da McLaren no Mundial de GT e espera ser por muito tempo.

Já assentado como um nome respeitado numa safra curta de talentos do automobilismo luso, Parente falou à REVISTA WARM UP sobre o esporte a motor de sua pátria, ao qual não se mostrou muito animado, e sobre sua relação atual com F1.


REVISTA WARM UP: Você é um dos principais pilotos portugueses atualmente. Você acredita que a nova geração de pilotos de Portugal tem uma quantidade satisfatória de bons nomes?

Álvaro Parente: Infelizmente, está em queda. Não tem muitos. Olha, na F1, três tiveram chance: o Filipe Albuquerque – com possibilidade de entrar –, eu e o António Félix da Costa. O Félix esteve na luta até esse ano e infelizmente não conseguiu entrar. Depois disso, na próxima geração, não tem nenhum piloto com carreira internacional e capacidade suficiente. Bom, capacidade até pode ser, mas sem apoios, corridas, campeonatos e experiência suficiente para entrar na F1. Infelizmente, não vejo nenhum português na F1.

Você ainda se vê com chances de entrar na F1?

Não, eu estou bem onde estou. Sou piloto da McLaren de GT, de fábrica. Sou profissional, corro por uma fábrica, que é o nosso objetivo – pelo menos o meu, a partir do momento em que não se entra na F1. Depois das categorias todas pelas quais passei, o objetivo passa a ser guiar para uma construtora. Tenho essa sorte já há quatro anos, um contrato com a McLaren. E esse ano, tenho mais um desafio, que é uma equipe que utiliza carros da Ferrari inglesa, que contratou meus mecânicos da McLaren. Então, estarei correndo em dois carros diferentes. Tive, também, a oportunidade que a Voxx me deu para participar da Stock Car. Por isso, estou bem contente com minha situação atual e quero tentar sempre ser melhor, ficar mais forte e ganhar corridas. Além de ter uma carreira muito grande, esse é o objetivo.

Recentemente, como você disse, o António Félix da Costa passou bem perto de entrar na F1. Você ainda acredita que ele vá ser o próximo português a guiar na categoria?

Acho muito difícil. Se não entrou esse ano, acho bem difícil. Mas quem sabe? Tudo pode acontecer. Portugal é um país pequeno, não tem tanta influência no mundo da F1 quanto gostaríamos. Para dificultar, não há mais GP, e isso dificulta a entrada de um português na F1. Portanto, não estou muito esperançoso. Deus queira que eu esteja errado, vamos ver. Acho difícil.


Falando com gente da Inglaterra, da Itália, notamos sempre algo em comum, que é o assunto da economia. A situação da economia de Portugal deu uma esfriada no automobilismo de Portugal nos últimos anos?

Com certeza. Neste momento, a economia como está deu uma esfriada em todos os esportes. Ainda mais esportes como o nosso, que envolve altos orçamentos. O desporto do automóvel se fere mais. Portugal, por exemplo, não temos qualquer categoria à exceção dos ralis, onde o país ainda teve uns anos fortes. Mas agora está bem fraco.
Foto: Divulgação
E categorias de GT, que estão crescendo como alternativa aos monopostos, na Europa?

Acho que é até pior.

De qual tipo de categoria os portugueses gostam mais para pagar o ingresso e ir assistir?

Tem mais a tradição dos ralis, em Portugal. Talvez os circuitos citadinos de turismo, também muita gente que vai ver as corridas. Temos o Circuito da Boavista – o WTCC vai correr lá, que é perto de onde eu vivo. Nem imagino o público, mas vai ter muita gente. Principalmente no norte de Portugal tem muitos adeptos das corridas, bastante gente que gosta de automobilismo.

E no meio desse momento de crise, qual a sua relação com as autoridades do automobilismo português?

Minha relação com a Federação Portuguesa de Automobilismo é boa, conheço as pessoas de lá. Para ser sincero, não é uma relação de conversas semanais ou mensais. É mais coisa de um evento ou outro por ano. Agora, neste momento, é uma fase de mudança de presidência e algumas mudanças a serem feitas em Portugal. Infelizmente, o automobilismo em Portugal não é estabelecido, nem mais ou menos. Mas estão tentando fazer algumas mudanças nesse aspecto. Os pilotos portugueses com pilotos internacionais estão ajudando um bocadinho, com alguma publicidade. É uma ligação mais forte em questão, vamos ver se melhora nesse aspecto.



Ainda em 2009, Parente foi anunciado como piloto de testes da Virgin, na F1. Porém, o acordo nunca chegou a se firmar. Em março de 2010, foi o próprio piloto quem divulgou que o acerto estava desfeito, segundo ele porque nem seus representantes e nem os da Virgin conseguiram contatar o Instituto de Turismo de Portugal, que fazia parte do negócio e iria patrocinar a escuderia britânica. O piloto divulgou em comunicado oficial que os membros do ITP fecharam acordo, dias depois avisaram que estavam cancelando o acordo e daí em diante não deram mais qualquer sinal de vida.

O ITP logo se defendeu, também em comunicado oficial, dizendo que manteve conversas com a Virgin apenas estudando uma promoção conjunta entre as organizações, nunca tendo envolvido Parente ou qualquer outro piloto. No entanto, não demorou até que a Polaris Sports, empresa que agencia o piloto, divulgasse um e-mail mandado pelo então vice-presidente Frederico Costa, onde estava copiado o presidente Luis Patrão, para a Virgin. No e-mail, dizia que a organização "seguiria adiante com o projeto de presença na F1 em 2010 por meio da Virgin e de Parente.
 

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